NOME DE POBRE NO BRASIL

sábado, 26 de janeiro de 2013

ETIMOLOGIA: A BICICLETA DE DA VINCI NA CATEDRAL

Alcance: de alcançar, do Latim vulgar incalciare, pegar no calx, calcanhar, influenciado pelo Espanhol alcanzar. Alcance teve inicialmente o sentido de chegar perto, a ponto de atingir com coices, mas surgiram outros significados, como o de pôr as mãos sobre, abranger. Aparece na expressão “rede de alcance mundial”, tradução adaptada do Inglês world wide web, mais conhecida pela sigla www. Bicicleta: do Francês bicyclette, a partir dos étimos kýklos e cyclus, respectivamente do Grego e do Latim, com o prefixo latino bi, duas vezes, indicando veículo de duas rodas pequenas, como foi concebido. Em processo semelhante formaram-se cycliste, tricycle, motocyclette, motocycliste, logo adaptados para o Português ciclista, triciclo, motocicleta, motociclista. O veículo já era bem conhecido no Brasil quando, aperfeiçoando jogada de Petronilho de Brito (1904-1984), também da Seleção Brasileira de Futebol, o jogador Leônidas da Silva (1913-2004), o Diamante Negro, apelido cedido por 112 reais (em valores atuais) a um fabricante de chocolate, denominou bicicleta a jogada em que, no ar e de costas, chuta a bola para trás, em direção ao gol, por cima da própria cabeça. Melhor jogador da Copa do Mundo de 1938, o gol de bicicleta que ele fez foi anulado pelo juiz, que desconhecia a jogada, apreciada pelos brasileiros desde 1932. O artista e inventor italiano Leonardo Da Vinci (1452-1519) foi quem primeiro imaginou o veículo e seu desenho deve ter sido a inspiração do pintor anônimo que o representou no vitral da igreja de uma paróquia inglesa, em 1580. Em 1817, o inventor alemão Karl von Dreis (1785-1851) tornou útil um brinquedo francês semelhante à atual bicicleta. O ferreiro escocês Kirkpatrick Macmillan (1812-1878) acrescentou pedais à roda dianteira, então muito maior que a traseira, levando seu invento para os Estados Unidos. O francês Ernest Michaux (1813-1883), fabricante de carruagens, colocou mais uma roda traseira. Em 1862, a Prefeitura de Paris criou pistas especiais para bicicletas e veículos semelhantes, para evitar as colisões com charretes. O francês Pierre Lallement (1843-1891), fabricante de carrinhos de bebê, aperfeiçoou o invento de Dreis e o patenteou em 1863. A bicicleta chegou ao Brasil, em Curitiba, em fins do século XIX. Canja: do malaiala kanji, arroz com água. No Português, designa caldo de carne de galinha com arroz. Pelas facilidades da receita culinária, passou a designar coisa fácil de fazer. Canja é também a apresentação gratuita feita pelo músico, a pedido do público, de um ou mais números de seu repertório, quando presente em algum evento. Tornou-se ainda sinônimo da expressão do Inglês jam, abreviação de jazz after midnight. Panamá: de origem controversa, designando em língua indígena falada no Panamá, ao tempo do descobrimento do país, abundância de peixes, de borboletas ou de árvores. Em 1888, ganhou também o significado de roubalheira, por força das fraudes de uma companhia encarregada da construção do Canal do Panamá, só concluído em 1913. E, por equívoco, dá nome a chapéu fabricado no Equador e comercializado no Panamá. Sacramento: do Latim sacramentum, quantia que litigantes, civis ou militares, depositavam nas mãos do pontífice romano como juramento. Pontífice designou inicialmente quem fazia pontes, depois quem as fiscalizava e por fim quem as abençoava, uma função sacerdotal ainda presente em Sumo Pontífice, o papa. No dia 1º de outubro de 1977, na cidade espanhola de San Ildefonso, festejado a 23 de janeiro, foi celebrado tratado entre Portugal e Espanha pelo qual a Colônia de Sacramento e os Sete Povos das Missões passariam para a Espanha, mas depois os gaúchos retomaram os Sete Povos. Transferência: do Latim transferentia, levar coisa ou pessoa de um lugar para outro. Depois passou a designar nos cartórios ato de registrar mudança de donos de propriedade, de cessão de direitos, de alienação de um bem. Evoluiu para indicar deslocamento de funcionário de uma secção a outra, na mesma repartição ou localidade, e também mudança para outra região. Também a psicanálise passou a utilizar a palavra para designar o processo, quase sempre inconsciente, em que uma pessoa atribui seus sentimentos a outra. E, recentemente, na informática, transferência é um dos “tes” da abreviação http: protocolo de transferência de hipertexto. Em inglês, hyper text transfer protocol.

FATALIDADE, DESTINO, TRAGÉDIA E POLITICAGEM

Fatalidades rondam aeroportos em todo o mundo, mas no Brasil pequenas tragédias estão ocorrendo todos os dias! O jornalista Ricardo Boechat criticou em recente programa da Rádio Bandeirantes os políticos que usam indiscriminadamente tragédia e fatalidade como se fossem a mesma coisa. Fatalidade é uma calamidade que não pode ser prevista, que nos toma de surpresa, ou que, mesmo sendo prevista, contra ela nada podemos fazer. Exemplos: tempestades em pleno voo, tisunames, terremotos e, o maior de todos, a morte, que esta é certíssima para todos nós. Já as tragédias podem ser evitadas, como é o caso daquelas causadas por insuficiente manutenção de aviões, falta de obras de infraestrutura para remediar nossa vida e nossas viagens por terra, mar e ar. Frei Betto lembrou em artigo recente que os nomes de nossos aeroportos nos deixam desconfiados. Vou trazer mais água para o monjolinho do escritor e frade. Galeão, do Grego bizantino galéa pelo Francês antigo galion, navio de guerra, tocado a vela e a remos, é do mesmo étimo de galé, onde os remadores tanto sofriam. O aeroporto do Galeão homenageia o maestro Antonio Carlos Jobim, que morreu nos EUA, se queixando em Inglês. Ele queria morrer em Português! O aeroporto Santos=Dumont homenageia o inventor do avião, que se suicidou, depois de constatar que seu invento servia para matar na guerra civil de 1932. Nesses aeroportos agora ha falta d´á água, de luz, de ar-condicionado! Que velem por nós os trágicos homenageados! Congonhas veio do tupi-guarani congoi, aquilo que se bebe, se engole. Por isso veio a designar a erva-mate, que os índios cultivavam ali quando São Paulo se chamava Piratininga, em tupi-guarani, peixes secando ao sol depois das enchentes! O aeroporto de Belo Horizonte chama-se Confins, de confim, do Latim confinis, do mesmo étimo de confinar e confinamento, um modo de castigar fora das prisões. O homenageado é Tancredo Neves, que morreu depois de uma agonia que parecia interminável. O aeroporto de Brasília homenageia Juscelino Kubitschek. Com medo de avião, morreu na Via Dutra, em 1976! Zumbi de Palmares foi decapitado em 1695. Dá nome ao aeroporto de Maceió. O aeroporto de Fortaleza homenageia o aviador brasileiro Euclides Pinto Martins, que se suicidou na frente da amante. Joaquim Pedro Salgado Filho morreu em desastre de avião quando ia para São Borja visitar Getúlio Vargas. Dá nome ao aeroporto de Porto Alegre (RS). O aeroporto de Guarulhos (SP) fica no bairro de Cumbica, que em tupi-guarani significa nevoeiro e também cachaça e cumbuca. O aeroporto Mário Covas, em Campinas (SP), é mais conhecido por Viracopos. O bairro tem este nome porque ali havia conhecida zona de meretrício e um famoso boteco, onde muitos copos eram virados. Enfim, tragédia não é Maktub (estava escrito), como dizem os árabes. O nome disso é fatalidade, do Latim fatalitas, palavra ligada a fatum, Destino, Fado, coisas que não podem ser mudadas. As tragédias podem ser evitadas. (xx) • Escritor, professor e vice-reitor da Universidade Estácio de Sá.

domingo, 20 de janeiro de 2013

MAGUILA CAI, MAS HAVERÁ DE SE LEVANTAR! O vice-campeão mundial de boxe, o pugilista Adilson Maguila Rodrigues, 54 anos, sofrendo de Alzheimer há três, está na ala psiquiátrica de um hospital em São Paulo. Passei três dias com ele em 1985 para fazer um perfil para a revista Playboy. Ele disse 11 frases em três dias! Eu era mais um "jornalista" que ia falar com ele. Os anteriores voltavam dizendo que ele não dissera nada, era impossível fazer a matéria. Mário Escobar de Andrade, diretor de redação da Playboy, me ligou no meio da madrugada. Pagava bem, mas eu deveria passar sexta, sábado e domingo com o ídolo. Ele me recebeu desconfiado. Em vez de entrevistá-lo, contei de minha infância, de minha mãe com 14 filhos, dos meus anos de seminário. E lhe assegurei que não era jornalista, era professor e escritor, e tinha vindo ali porque precisa muito dos mil dólares e admirava muito quem vencia na vida pelos próprios méritos. E, mais do que a revista, eu queria saber como é que ele vencera. Certa moça bonita fazia exercícios na mesma academia, no Brooklin, em São Paulo. Maguila olhava para ela à sorrelfa. Fui lá desesperado: "Ele adora sorvete, vem tomar sorvete conosco, você é minha última esperança de que ele fale alguma coisa." "Mas, só sorvete, hein! Ele é pão-duro e não querer pagar o meu cachê. E ele nunca fala, eu treino sempre aqui, ele nunca fala. Com ninguém!". Caramba! Eu dera de cara com uma piranha. Procurei outra, todas ali eram lindas! Primeiras palavras do Maguila: "Casada?". E ela: "noiva". "Mulher bonita sempre tem quem cuide." Foi a primeira das onze frases! A última: "Eu sou acredito em Deus e no meu braço". As outras nove estão no perfil! Outro dia um internauta me disse que tem a revista, cuja capa é com a Magda Cotrofe, vestida de noiva, com a saia levantada.
INGLÊS, CHINÊS ETC PARA A COPA 2014 Parodiando a antiga Organizações Tabajara, apresentamos um rápido curso de línguas para a Copa de 2014. INGLÊS, O LATIM O IMPÉRIO a.) Is we in the tape!= É nóis na fita. b.)Tea with me that I book your face = Chá comigo que eu livro sua cara. !!!!! ) c.) I am more I= Eu sou mais eu. d.) Do you want a good-good?= Você quer um bom-bom? e.) Not even come that it doesn't have! = Nem vem que não tem! f.) She is full of nine o'clock = Ela é cheia de nove horas. g.) I am completely bald of knowing it. = To careca de saber. h.) Ooh! I burned my movie!= Oh! Queimei meu filme! i.) I will wash the mare.= Vou lavar a égua. j.) Go catch little coconuts! = Vai catar coquinho! k..) If you run, the beast catches, if you stay the beast eats! = Se correr, o bicho pega, se ficar o bicho come! l.) Before afternoon than never.= Antes tarde do que nunca. m.) Take out the little horse from the rain= Tire o cavalinho da chuva. n.) The cow went to the swamp. = A vaca foi pro brejo! o.) To give one of John the Armless = Dar uma de João-sem-Braço. Outras línguas: CHINÊS a.) Cabelo sujo: chin-xampu b.)Descalço:chin chinela c.) Top less:chin-chu-tian d.) Náufrago:chin-chu-lancha f.)Pobre: chen luz, chen agua e chen gás JAPONÊS a.) Adivinhador:komosabe b.) Bicicleta:kasimoto c.) Fim: saka-bo d.) Fraco:yono komo e.) Me roubaram a moto:yonovejo m'yamaha f.) Meia volta:kasigiro g.) Se foi:non-ta h.) Ainda tenho sede:kiro maisagwa OUTRAS EM INGLÊS: a.) Banheira giratória: Tina Turner b.) Indivíduo de bom autocontrole:Auto stop c.) Copie bem:copyright d.) Talco para caminhar:walkie talkie RUSSO a.)Conjunto de árvores: boshke b)Inseto: moshka c.) Cão comendo donut's: Troski maska roska d.) Piloto: simecaio patatof e.)Prostituta: Lewinsky f.) Sogra (viva): storva g) Sogra (morta): storvava ALEMÃO a.) Abrir a porta: destranken b.) Bombardeio: bombascaen c.) Chuva:gotascaen d.)Vaso:frask

sábado, 19 de janeiro de 2013

O JEITINHO BRASILEIRO E O PULO DO GATO Deonísio da Silvaº O jornal inglês Financial Times, que já tinha chamado a presidente Dilma de “rena do nariz vermelho”, disse que o ministro Guido Mantega recorreu ao famoso jeitinho brasileiro (little way, em Inglês) para maquiar a inflação ao pedir ao governador Geraldo Alckimin e ao prefeito Fernando Haddad que prorroguem reajustes de tarifas. A política se parece com o ato de ferrar cavalos, com a diferença de que frequentemente quem sai ferrado é o cidadão, também conhecido por contribuinte. Como escreveu Millôr Fernandes, “me arrancam tudo à força, mas me chamam de contribuinte”. Quando está fixando as ferraduras nas patas do cavalo, para não assustar o animal, o ferreiro dá uma batida no cravo, outra na ferradura. O escritor José de Alencar, disse que Dom Pedro II se comportava como um ferreiro. Ora apoiava um Partido, ora outro, que quase sempre pregava o contrário daquilo que o soberano tinha apoiado. Foi-se o Império, veio a República, e a expressão “uma no cravo, outra na ferradura”, continuou servindo de lema para o Partido Social Brasileiro, o famoso PSD, que expressa o modo mineiro conciliador de governar. Depois do jeitinho, de uma no cravo, outra na ferradura, virá o pulo do gato, aliás título de uma saborosa coletânea do escritor carioca Márcio Cotrim e de um programa da Rádio Bandeirantes, recordista de permanência no ar por décadas. E também de uma telenovela de Bráulio Pedroso. O personagem principal era o ex-rico Bubby Mariano (Jorge Dória), um raposão, que vivia da venda de quadros de sua pinacoteca particular, falsificados pelo amigo Caxuxo (Milton Gonçalves). A expressão “o pulo do gato” é do tempo em que os animais falavam. A raposa queria pegar o gato e sempre fracassava. Um dia aperfeiçoa sua conhecida esperteza e propõe um pacto político: “Chega de correr um atrás do outro, mestre gato, vamos doravante viver em paz!”. “Não é bem assim, comadre”, diz o gato, “não é um correndo atrás do outro; é uma correndo atrás do outro, isto é, a senhora correndo atrás de mim.” “De todo modo”, prossegue a raposa, “vamos fazer as pazes e, para celebrar nosso acordo, proponho que o senhor, mestre em todos os tipos de pulo, me ensine a pular como o senhor. Cada lição será paga com um saboroso filé de rato.” O gato aceitou e as aulas começaram no mesmo dia. Tempos depois, quando a raposa achou que já tinha aprendido todos os pulos, resolveu pôr em prática seu plano sinistro de pegar o gato e, traiçoeira como ela só, o atacou por trás. O felino deu então um pulo que não tinha ensinado à famosa predadora e escapou do ataque mortal. A raposa reclamou: “Compadre mestre gato, este pulo o senhor não me ensinou!”. “Não ensinei, nem ensino”, riu-se o gato, “este é o segredo que me salva de traidores como a senhora, este é o pulo do gato.” O Supremo Tribunal Federal também deu o pulo do gato, surpreendeu famosos advogados e ferrou os mensaleiros. O Brasil está melhorando! (xx) ºEscritor, professor, vice-reitor da Universidade Estácio de Sá, autor de A Vida Íntima das Frases.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

O JEITINHO BRASILEIRO SEGUNDO UM JORNAL INGLÊS

High quality global journalism requires investment. Please share this article with others using the link below, do not cut & paste the article. See our Ts&Cs and Copyright Policy for more detail. Email ftsales.support@ft.com to buy additional rights. http://blogs.ft.com/beyond-brics/2013/01/15/brazils-monetary-jeitinho/#ixzz2IES4duyw If there’s one Portuguese word you need to learn before coming to Brazil it’s jeitinho. Literally “little way”, it refers to the nationwide habit of circumventing rules or conventions through highly creative, cunning and sometimes downright illegal tactics. Can’t get tickets to a show or pass your driving test? Don’t worry; you just need to find a jeitinho. It also works for managing the economy, it seems. With growth still sluggish and prices rising faster than expected, Brazil’s central bank and finance ministry are also becoming pros at the jeitinho – albeit the legal kind. Although the central bank is expected to leave Brazil’s benchmark interest rate unchanged at 7.25 per cent on Wednesday, this Bloomberg article suggests it is opting for a “stealth rate cut” instead: The rate that banks charge each other for overnight loans, known as DI, was 6.93 percent on Jan. 14, marking the 23rd straight day it has been more than a quarter-percentage point below the central bank’s 7.25 percent target. The 0.32 differential is more than double the average over the past decade and compares with gaps of less than 0.1 percentage point in the U.S. and neighbors Colombia and Chile. The growing rate gap in Brazil, which was sparked by an increase in cash levels that central bank President Alexandre Tombini has left unchecked, is rendering useless traders’ models designed to calculate the probability of policy moves in coming days and months, according to Votorantim Ctvm Ltda. By allowing the overnight rate to drop, Tombini is adding stimulus to a sputtering economy without having to announce the 11th reduction in the target since 2011. With rate increases out of the question, Finance Minister Guido Mantega is also helping out with a few jeitinhos of his own to control inflation. São Paulo’s mayor, Fernando Haddad, told Brazil’s Rádio Estadão on Tuesday that Mantega had asked him to put off increases in the city’s bus fares for a few months to ease inflation. Mantega is already somewhat of an expert at the jeitinho. He has spent the past couple of years dabbling with the country’s taxes to micro-manage growth and the currency. Brazil’s fiscal targets have also required some creativity, as Tony Volpon at Nomura explains: In the first few days of the year, the government announced a series of accounting transactions to meet its fiscal primary surplus target of 3.1% of GDP. These included discounting up to BRL40.5 billion in investments made under the PAC investment program, “anticipating” BRL20.6 billion in dividend payments from state-owned banks (which in turn are “capitalized” by receiving government debt directly from the Treasury), and by withdrawing BRL12.4 billion from the Sovereign Wealth Fund (which was invested 100% in local government debt, unlike any other sovereign wealth funds, which hold foreign investments). While none of these measures are breaking any rules (nor is Brazil the only country to use them), the market would now like to see a little more straight-taking when it comes to inflation at least, says Alberto Ramos at Goldman Sachs: We are of the view that at a certain point the central bank needs to own the inflation problem and acknowledge that just remaining on automatic pilot may not be enough to drive inflation to the 4.5% target by year-end 2013. That was the narrative of 2012 and inflation did not converge to the target despite much weaker real growth that originally expected. In fact, the IPCA [consumer price index] printed above 5% for the third consecutive year, averaging a high 6.1% during 2010-12. This suggests that in the eyes of the market the authorities have been viewing the wide ±2.0% band around the generous 4.5% target as a “band of tolerance” rather than a “band of variation” to accommodate price shocks.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

ETIMOLOGIAS: ESTANTE, VOLUME, ÓLEO ETC.

Braço: do Grego brakhíon pelo Latim clássico brachium e daí ao Latim vulgar braccium, do qual chegou ao Português braço. Pronúncia e escrita mantiveram semelhanças nas diversas línguas neolatinas. Designa, por metáfora, comando, força, divisão de rio etc. e está ligado a braça, do Latim brachia, plural de bracchium, medida que varia de país para país. Com os braços estendidos horizontalmente, braça é a distância da ponta do dedo médio da mão direita à do esquerdo, mais ou menos 2,2 metros. Estante: do Latim stante, declinação de stans, do verbo stare, estar, ficar de pé, em oposição a sedere, sentar, depois adsedentare, no Latim vulgar. No scriptorium, escritório, no Latim clássico, ou na bibliothéke, biblioteca no Grego, os livros eram acomodados em móveis chamados estantes, onde os livros ficavam em pé, visível a lombada, do latim lumbus, costas, lombo, onde ainda hoje constam título da obra e nome do autor. Lente: do Latim lente, declinação de lens, já redução de legens, aquele que lê. Como os professores lessem nas aulas a matéria que os alunos deveriam aprender e mais tarde o fizessem com uma luneta ou óculos sobre o nariz, pince-nez em Francês, isto é, aparelho preso ao nariz, os mestres foram chamados também de lentes, pois em fins da Idade Média já estava em circulação a luneta, uma ou duas lentes encaixadas em armação posta sobre o nariz, mais tarde presa também às orelhas, pelas hastes. As lunetas foram as avós de nossos óculos e lentes, sendo óculos o plural de óculo, do latim oculus, olho. O plural consolidou-se em óculos desde que a leitura foi facilitada pela fixação de óculo para cada olho. Já em binóculo o étimo bin, ligado a bis, bis, dois, repetição, designa par, como em binário. No romance O Nome da Rosa, do escritor italiano Umberto Eco (80), um jovem noviço admira-se de que seu colega de cela, um velho monge, ponha tal armação sobre o nariz para fazer suas leituras de noite, quando mestre e discípulo, em viagem, passam uns dias na abadia que é palco dos trágicos eventos. Óleo: do Grego élaion pelo Latim oleum, designando primeiramente o azeite de oliva, fruto da oliveira, cuja variante árabe az-zayt, azeite, veio a tornar-se preferencial. Palavra de outros significados, óleo designou também, desde a origem, essência para perfumar corpos e ambientes. É frequente na Antiguidade que as pessoas se purifiquem antes de ocasiões especiais. Os povos do deserto, à falta de água ou atentos a seu racionamento, passavam finas camadas de óleo na pele, depois retiradas com um pano para o fim de fazer a higiene do corpo. Na tradição hebraica, o óleo de unção, diferente do azeite, aparece ainda em Êxodo 30, 23: “O Senhor disse a Moisés: Escolha as especiarias mais cheirosas para fazer o azeite sagrado, seguindo a arte dos perfumistas. Em três litros e meio de azeite misture o seguinte: seis siclos de mirra líquida, três siclos de canela, três siclos de cana cheirosa e seis siclos de cássia, tudo pesado de acordo com a tabela oficial.” O siclo, medida de peso no Egito e na Judeia, variava de 6 a 12 gramas. Periguete: da gíria de Salvador, na Bahia, adaptação do Português peri(go) e do Inglês girl. Peri(gosa) girl, depois peri girl e por fim periguete. Substantivo feminino. Designa mulher que se veste de maneira sensual, chamando a atenção por revelar sem pudor os contornos do corpo e aquela que, não tendo namorado fixo, procura homens para um caso rápido. A atriz mineira Ísis Nable Valverde (26) representou a periguete Suelen na novela Avenida Brasil, contribuindo para a consolidação da nova palavra na língua portuguesa. Volume: do Latim volumen, rolo ou coisa enrolada, substantivo ligado ao verbo volvere, virar, voltar. Em tempos idos, na Grécia, como em Roma e em Israel, os livros eram escritos em rolos de papiro ou couro. Quem lia um capítulo ou trecho ia desenrolando o que estava lendo e o enrolando de novo para ler o próximo. A própria palavra capítulo vem do Latim capitulum, diminutivo de caput, cabeça no Latim clássico, que no Latim vulgar era capitia. Nos artigos das leis, nas ordenações, nas determinações de orçamentos, caput veio a designar a parte principal do artigo ou da disposição e capitulum a subdivisão. Capítulo permanece como divisão de livro.

domingo, 13 de janeiro de 2013

FULECO É PALAVRÃO. POR QUE NÃO TATU-BOLA?

Bruxaria: de bruxa, feminino de bruxo, do Latim bruxu, gafanhoto sem asas, designando ainda na Idade Média o Demônio e também o herege, acusado de ter pactos com o Maligno. A origem remota é pré-romana. É sinônimo de feitiçaria, presente também no sincretismo religioso afro-brasileiro, sob o nome de mandinga, palavra oriunda da expressão mayanga mandinga, proferida pelos mandingos, povo do norte da África. Era gritada por pessoas enraivecidas, praguejando umas contra as outras enquanto sacudiam pacotilhos presos ao pescoço, em forma de escapulários, com ameaças de feitiços, bruxarias, invocando forças malignas. Celta: do Latim celta, mais usado no plural celtae, os celtas, povo indo-germânico do centro-sul da Europa que se espalhou por territórios hoje conhecidos por Espanha, Portugal, Reino Unido etc. Eles falavam línguas como gaélico, britânico e cúmbrico. Entre os celtas, tinham grande poder os druidas, intelectuais e conselheiros, que cultivavam a música e a poesia. Dividiam-se entre bardos (cantores e poetas) e ovates (médicos, magos e astrólogos). Alegavam conversar com os mortos e prever o futuro. Festividades modernas como Haloween (Dia das Bruxas), Dia de Todos os Santos e Dia de Finados foram invenções dos druidas. Freudismo: diz-se “froidismo”, do sobrenome do médico austríaco e fundador da Psicanálise Sigmund Freud (1856-1939), cujas teorias são invocadas para esclarecer opiniões e comportamentos com base do bordão “Freud explica”. O jornalista carioca Paulo Francis (1930-1997) fez aguda observação sobre a influência de Freud na vida de todos: “Freud é nosso. Está entranhado em nossa vida, saibamos disso ou não, queiramos ou não. Qualquer pessoa familiarizada com suas teorias reconhece na fala diária dos outros, e na sua própria, freudianismos, em vocabulários, conceitos, formulação de motivos, análises e ideias fixas.” Mascote: do Francês mascotte, do título da divertida opereta La Mascotte, do compositor francês Achille Edmond Audran (1840-1901). Nas tramas, uma jovem camponesa, sem entretanto perder a virgindade, acredita trazer sorte ao italiano com quem troca favores sexuais. Passou a denominar, já adaptado para o Inglês mascot, homem ou animal que dá proteção simbólica. Mas antes de chegar ao Francês, do qual veio para o Português, já existia no Provençal mascoto, designando feitiço, sortilégio, mas também talismã, já derivado de masco, radicado no Latim masca, pesadelo, assombração, espectro, disfarce, máscara. Como se vê, predominou o significado positivo. Embora muitos dicionários e o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP) registrem este substantivo como feminino apenas, ele é de dois gêneros, tal como o registra o Dicionário Caldas Aulete e o comprovam numerosas abonações na literatura e na mídia, entre as quais este trecho da revista Exame sobre Fuleco, o mascote da Copa do Mundo de Futebol de 2014, um tatu-bola: “O mascote tem também a sua própria canção, em parceria da Fifa com a Sony: Tatu Bom de Bola, cantada pelo sambista Arlindo Cruz.” Ostracismo: do Grego ostrakhismós, desterro, banimento. A palavra foi formada de óstrakon, que tem forma de óstreon, ostra. Na antiga Grécia, a aplicação de penas como a desonra, o confisco de bens e o desterro era feita mediante votação em praça pública. Os cidadãos escreviam sim ou não em pedaços de concha ou de casco de tartaruga untados com cera. Com algumas centenas desses votos, o indivíduo era banido por 10 anos, o mesmo prazo que a ditadura militar aplicou na cassação de direitos políticos no período pós-1964. Sinergia: do Grego synergein, pelo Francês synergie. No Grego é palavra formada de syn, junto, ao mesmo tempo, e érgon, trabalho. O Dicionário Aulete Digital esclarece que o verbete designa “coesão e solidariedade de um grupo, sociedade etc. em torno de objetivos comuns.” E abona tal significado com este trecho de O Globo, de 10 de julho de 2005: “Se não há sinergia entre líderes e seus subordinados (...) o clima de trabalho será sempre ruim.” Mas é nas orquestras que a ideia de cooperação mútua entre os músicos evidencia com ordem, disciplina e beleza a sinergia.

sábado, 12 de janeiro de 2013

DESSA ÁGUA NÃO BEBEREI E OUTRAS EXPRESSÕES CURIOSAS

Se você tem memória de elefante e acorda com as galinhas, saiba que onde come um, comem dois. E não é por ter estômago de avestruz que tem o olho maior do que a barriga. Mas, nem que esteja com cara de quem comeu e não gostou, fica com bafo de onça, não dá o braço a torcer, dá as caras num boteco e, depois de dar com os burros n´água, toma chá de sumiço! Mesmo com o queixo caído de admiração, não dê nó em pingo d´água, pois quem diz cobras e lagartos deve ficar de olho e não dormir no ponto, do contrário outros pagam na mesma moeda e as coisas vão por água abaixo, ainda que saibamos que você não dá ponto sem nó. Acontece que quem gosta de sombra e água fresca, o que quer é tapar com o Sol com a peneira. E daí o tiro sai pela culatra porque, macacos me mordam, macaco velho não põe a mão em cumbuca, pois a cavalo dado não se olham os dentes e ladrão que rouba ladrão tem cem anos de perdão. Quem nunca come mel, quando come se lambuza e come um boi por uma perna. Não se pode contar com o ovo no cu da galinha, pois nem só de pão vive o homem e peixe morre pela boca. O que não mata, engorda. Quem comeu a carne que roa os ossos. São favas contadas. Cuidado para não viajar na maionese! Ou ficar chupando o dedo. É melhor botar a mão na massa e não tomar gato por lebre. Pessoas de meia tigela, às vezes acertam na mosca, mas pisam no tomate e comem com os olhos, mas são todas farinha do mesmo saco. Pensam que pimenta nos olhos dos outros é refresco e, sabendo que a carne é fraca, vão plantar batatas. Juntam a fome com a vontade de comer, comem de tudo um pouco porque o que não mata, engorda. Depois dão uma banana para a gente, colocam a azeitona na empadinha dos nossos desafetos, mudam da água para o vinho e dão com a língua nos dentes. Se escreveu e não leu, o pau comeu Sem quebrar os ovos, nada de omelete, então que não se fale mais abobrinhas! E nada de trocar alhos por bugalhos, é mau negócio. Com a faca e o queijo na mão, não vá com muita sede ao pote. Como descascar o abacaxi se estou empepinado? E nada de chorar as pitangas, porque de grão em grão a galinha enche o papo e a gente fica aqui enchendo linguiça, agora sem trema, pois beleza não põe mesa. Apressado come cru. É preciso comer o mingau pelas beiradas no frigir dos ovos e cozinhar em banho-maria, do contrário comemos o pão que o Diabo amassou, não conseguimos vender o nosso peixe e ficamos sem ganhar o leite das crianças. E ainda enfiamos o pé na jaca para ver quem paga o pato porque esse angu tem caroço! Depois não adianta chorar pelo leite derramado porque todos puxam a brasa para sua sardinha. Onde se ganha o pão, não se come a carne. Quem dá mais do que chuchu na serra que vá lamber sabão porque o meu nome não é osso para ficar em boca de cachorro. Essas frases são de lamber os dedos e dão água na boca. Você está com uma batata quente nas mãos? A batata dele está assando e sua chapa está esquentando! E, por fim, se escreveu e não leu, o pau comeu. *** [Deonísio da Silva é escritor, doutor em Letras pela Universidade de São Paulo, professor e um dos vice-reitores da Universidade Estácio de Sá, do Rio de Janeiro, autor de A Placenta e o Caixão, Avante, Soldados: Para Trás e Contos Reunidos (Editora LeYa)]

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

CHÁVEZ: CONCHAVO GUARDADO A SETE CHAVES

Hugo Rafael Chávez Frías, reeleito presidente da Venezuela, não pôde tomar posse, como previsto, no dia 10 de Janeiro. Permanece em Cuba, onde já estava para tratamento de câncer na pélvis. Mas por que pélvis e não pelve ou bacia para identificar o lugar do corpo atacado pelo câncer?É comum, em outras enfermidades, que a região seja referida por bacia, pois nossa língua está repleta de metáforas, isto é, de comparações, para que as pessoas entendam melhor o que dizemos e escrevemos. Metáfora é palavra que veio do Grego e quer dizer transporte. Transporta-se a palavra de onde ela está, levando-a a outro lugar, em nome da clareza. É como se quiséssemos identificar alguém no meio da multidão e o retirássemos dali para dissipar qualquer dúvida em face de perguntas como: é este, é esse, é aquele? O Português diferencia “este” de “esse” e de “daquele”. “Este” está mais perto do falante; “esse” está nas proximidades do falante, mas mais perto do ouvinte; “aquele” está longe dos dois, falante e ouvinte. Há outras curiosidades. Chávez, em Espanhol, não é o mesmo que “Chaves” em Português, plural de “chave”, que em Espanhol é “llave”. Os dois sobrenomes vieram do nome de antiga localidade romana, Aquis Flaviis, águas termais que homenageiam o imperador Flávio Vespasiano. O sobrenome Chaves mesclou-se no Português ao plural de chave, ao contrário do que ocorreu no Espanhol com Chávez, que não é o plural de “llave”, chave, do Latim clave. Na palavra chave o encontro “cl” mudou para “ch”, o mesmo acontecendo com conchavar, conchavo, conchavador etc. Conclave passou a denominar qualquer reunião secreta, entretanto sem o tom pejorativo de conchavo. O Latim conclave é palavra formada da expressão cum clave, com chave, subentendendo-se recinto fechado com uma só chave, nada a ver com a expressão “segredo guardado a sete chaves”, nascida em Portugal. Os baús onde eram guardados alguns documentos e joias tinham quatro chaves, entregues a quatro funcionários de confiança. Por superstições, o número sete substituiu o quatro na expressão. O primeiro conclave deu-se no século XIII, em Viterbo, na Itália, quando a Igreja ficou sem papa durante três anos. Reunidos em conchavos, os cardeais não chegavam a uma conclusão. A população tirou o telhado do edifício onde os privilegiados eleitores estavam reunidos, trancou todos lá dentro e só deixou que entrassem água e pão. O recurso deu certo, mas ainda assim os cardeais demoraram mais três dias para eleger o novo Papa, que escolheu o nome de Gregório X, celebrado pela Igreja no mesmo dia em que Chávez deveria ter tomado posse, 10 de Janeiro. Desde então, todos os papas têm sido escolhidos a portas fechadas, em conclave. O que está acontecendo num hospital de Havana não é conclave, é conchavo para guardar Chávez a sete chaves. *Escritor e professor, Vice-reitor da Universidade Estácio de Sá, no Rio.

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

ETIMOLOGIA DE PERIGUETE

Faz alguns anos uma nova palavra entrou para a língua portuguesa. É periguete. E desta vez não veio de um dos berços habituais mais férteis, a cidade do Rio de Janeiro, especialmente suas praias e bairros, em particular Ipanema. Das metrópoles que mais influenciam a vida nacional, o Rio de Janeiro é o mais pródigo em fornecer novas palavras e expressões, desde os tempos em que, no alvorecer do século XIX, o rei Dom João VI fixou aqui as cortes portuguesas e sua numerosa comitiva, mudando a capital de Salvador para o Rio. No século seguinte, a transferência da capital para Brasília não tirou do Rio essa supremacia cultural, que hoje divide com São Paulo, não com Brasília. Os cariocas, usualmente irreverentes e bem-humorados, encarregam-se de bater os tambores da pátria, fazendo de sua cidade e de seus bairros as principais caixas de ressonância do Brasil. Nascidas na praia e depois levadas às novelas da televisão, especialmente à novela das oito, as novas palavras e expressões se espalham por todo o território nacional. A principal disseminadora é a TV Globo, como antes era a Rádio Nacional. Antes de vir para o Rio, de onde se alastrou para todos os Estados, periguete surgiu nos bairros de Salvador, na Bahia, que, por ser cidade eminentemente turística, sofre grande influência do inglês. Periguete formou-se da adaptação do português peri(go) e do inglês girl. Peri(gosa) girl, depois peri girl e por fim periguete. Para as mulheres, periguete é aquela piranha que olha para seu marido ou namorado, pronta a desfrutá-lo. E ela só o quer por um dia! Para os homens, a ancestral da periguete, moça bonita, de roupas, gestos e modos sensuais, foi antecipada nos versos de Chico Buarque, gravados também por Gal Costa, na voz de quem ficava mais convincente a transformação da mulher, que deixava de ser coisa para coisificar o homem: “Se acaso me quiseres,/ Sou dessas mulheres/ Que só dizem sim/ Por uma coisa à toa/ Uma noitada boa/ Um cinema ou botequim/ E, se tiveres renda/ Aceito uma prenda,/ Qualquer coisa assim.(...) Mas na manhã seguinte/ Não conta até vinte:/ Te afasta de mim,/ Pois já não vales nada,/ És página virada,/ Descartada do meu folhetim.” As Frenéticas deram outro colorido aos versos de Chico Buarque: “Eu sei que eu sou/ Bonita e gostosa/ E sei que você/ Me olha e me quer/ Eu sou uma fera/ De pele macia/ Cuidado garoto!/ Eu sou perigosa...” Ao contrário dos homens, a mulher, talvez por instinto materno, nela inarredável, quer proteger a vítima e reitera os avisos: “Eu tenho um veneno/ No doce da boca/ Eu tenho um demônio / Guardado no peito/ Eu tenho uma faca/ No brilho dos olhos/ Eu tenho uma louca/ Dentro de mim...” A perigosa tornou-se periguete. As palavras, como árvores e dentes, têm raízes. Algumas são muito profundas e é preciso pesquisar para encontrá-las. Desde meus verdes anos aplico-me a esse trabalho encantador! (xx) • Deonísio da Silva, escritor e professor, é Vice-reitor da Universidade Estácio de Sá, no Rio.

sábado, 5 de janeiro de 2013

Quem mobilia a sua casa é você. E quem é que mobilia a sua mente? A mídia? Livro tem o mesmo étimo de liberdade. Castro Alves fez estes belos versos em O Livro e a América, ainda no século XIX: "Oh bendito o que semeia/ livros, livros à mão cheia/ E manda o povo pensar./ O livro caindo n' alma/ É germe que faz a palma,/ É chuva que faz o mar." Naturalmente, li muitos livros em 2012, alguns por gosto, outros por obrigação. Destaco aos poucos aqueles que li por gosto e cujas tramas, personagens e linguagem muito apreciei. Dom Casmurro, de Machado de Assis (em Inglês, na tradução de John Gledson); Historia de la escritura, de Louis-Jean Calvet (saiu em Francês, em 1996, e em espanhol em 2007, mas só pude ler como eu queria, devagar, e estudando tudo, agora, em 2012; Dogs That Know When Their Owners Are Coming Home, de Rupert Sheldrak; Curso de Literatura Inglesa, de Jorge Luis Borges; La abadía de los crímenes, de Antonio Gomez Ruf; Les derniers jours de Stefan Zweig, de Laurent Seksi; Mujeres trovadoras de Dios, de Georgette Épiney-Burgard y Émilie Zum Brunn; O verso do cartão de embarque, de Felipe Pena; A verve e o veneno de Churchill (já traduzido e publicado no Brasil pela Editora Lexikon; Não tropece na língua, de Maria Tereza Piacentini; De Menino a Homem: de mais de trinta e de quarenta, de sessenta e mais anos, de Gilberto Freyre.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

MAGOS: QUE REIS SÃO ELES?

No século XII, exatamente no ano 1164, chegaram à Alemanha, vindos da Itália, os restos mortais dos três reis magos. Hoje repousam num dos altares laterais da famosa Catedral de Colônia. Mas ninguém sabe de quem são aqueles ossos! Eles integram uma das mais belas lendas cristãs. Devem ser entendidos no contexto do comércio de relíquias e de indulgências, com o fim de obter recursos para a construção de catedrais. Houve mais de trinta evangelhos, quatros deles oficiais, os outros apócrifos. Todos foram escritos depois das Epístolas de São Paulo, em fins do século I. Os Evangelhos, embora tenham referências históricas, não são textos históricos. Os magos aparecem apenas no Evangelho de São Mateus, mas ele não diz que eram três, que eram reis, que tinham nomes. Diz apenas: “Tendo, Jesus nascido em Belém de Judá, no tempo do rei Herodes, uns magos chegaram em Jerusalém perguntando: ‘onde está o rei dos judeus, recém-nascido? Vimos sua estrela no Oriente e viemos adorá-lo ‘.” Este trecho é o alicerce da lenda dos reis magos. Lenda é uma palavra que vem do latim medieval legenda, vocábulo surgido para designar o modo como eram lidas as narrativas heroicas, as novelas de cavalaria e a vida de personalidades referenciais das religiões. Os narradores recolhiam o que era passado boca a boca, escreviam aquelas histórias, depois repetidas e traduzidas, com variações de estilo, de conteúdo e de personagens. Há outras lendas semelhantes na História. É verdade que o cadáver de Inês de Castro, aquela que “depois de morta foi rainha”, cujos ossos estão no mosteiro de Alcobaça, um dia foi levado em cortejo para o povo beijar-lhe as mãos? Há lendas mais recentes. Elvis Presley está vivo? Michael Jackson foi assassinado por seu médico? Tancredo Neves morreu de um tiro e não de infecção generalizada, e a repórter Glória Maria, da TV Globo, sabe disso? Lendas são construídas com elementos históricos e imaginários. Na Idade Média, o número de reis magos chegou a duzentos. Na Europa ainda hoje são vendidas miniaturas de antigos presépios com centenas de personagens, entre os quais muitos reis. Como os magos levaram três presentes ao Menino Jesus (ouro, incenso e mirra), tornaram-se três reis que foram visitar um rei recém-nascido. Magos, em Grego, designava sacerdotes que praticavam a astronomia e a astrologia. Séculos depois tinham nomes: Melquior, Gaspar e Baltasar, cada um deles com uma das três cores básicas da raça humana (branca, amarela, negra)! Lenda não é mentira. É um modo de contar. Mateus diz que, avisados em sonhos, os magos voltaram por outro caminho e não avisaram a Herodes que o rei dos judeus tinha nascido. Todo Natal, os reis magos são lembrados no presépio, adorando o rei recém-nascido. Os reis verdadeiros, de existência comprovada, estão ausentes. Ficaram só os reis imaginários. A lenda triunfou sobre a História! *Escritor e professor, Doutor em Letras pela USP, membro da Academia Brasileira de Filologia, Vice-reitor da Universidade Estácio de Sá, no Rio.

sábado, 29 de dezembro de 2012

Este foi meu artigo mais lido no Blog Deonísio em 2012. A ORIGEM DO MUNDO E A VULVA: REAÇÕES
Este quadro do francês Gustave Coubert, pintado em 1866 e intitulado A origem do mundo, ainda hoje provoca inusitadas reações. Em vários artigos, vulva, do latim vulva, pele de fruta, é designada vagina do latim vagina, bainha, donde a expressão homem-espada (se bem que não peixe-espada: a língua portuguesa é sutil - o feminino de peixe-boi não é peixe-vaca, é peixe-mulher...). Há mais de 160 sinônimos para vulva. Um deles, xibiu, de provável origem indígena, designando diamante, coisa preciosa, deve reaparecer agora na novela Gabriela, na versão com Juliana Paes no papel-título, que o foi de Sonia Braga. O costume de as brasileiras fazerem depilação total foi parar no Dicionário Oxford para mais um sentido de Brazilian...Poucos escrevem sobre essas questões repletas de complexas sutilezas, mas lembro que pênis, do latim penis, cauda, rabo, penduricalho, opõe-se a falo, do grego phallós, pelo latim phallus, donde falocracia. Recomendo a leitura do Dicionário do Palavrão, de Mário Souto Maior, com prefácio de Gilberto Freyre, um dos 508 livros proibidos no período pós-64. .

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

LÁ SE FOI MAIS UM FIM DO MUNDO

Meu livro A Placenta e o Caixão (Editora Leya) reúne seleção de crônicas que faço semanalmente, há trinta anos, para o jornal Primeira Página. O título lembra duas embalagens: numa viemos, noutra iremos. Deram outro livro, De onde vêm as palavras (Editora Novo Século, 16ª edição), as colunas que faço semanalmente para a revista CARAS. Talvez dê também um livro ou um cedê o programa Sem Papas na língua, que faço com os jornalistas Ricardo Boechat, Mariana Procópio, Jônatas Ferreira e Rodolfo Schneider, na Rádio Bandnews, às quintas-feiras, às 10h. Essa crônica semanal falada tem o apoio do editor Carlos Augusto Lacerda, com o seguinte bordão: “Sem papas na língua, com Deonísio da Silva, oferecimento Dicionários Caldas Aulete, onde você encontra escritas as palavras faladas aqui.” O programa já estava consolidado, Carlos Augusto e eu tomávamos um refresco de café num barzinho da Gávea quando inventamos a parceria que, pelo que nos diz a Band, está dando certo, pois a audiência vem crescendo. Aliás, eu mesmo constato isso, inclusive nos táxis que tomo. Há 30 mil táxis no Rio e muitos deles sintonizam a Bandnews. Nenhum pediu para desligar quando estava no ar Sem papas na língua, me dizem os motoristas. Faço-lhes pequena inconfidência. Adoro ouvir alunos, professores, colegas, mas também taxistas, porteiros, frentistas, garçons, chefs, maitres, donos de restaurantes, de botequins, de biroscas etc. O Brasil real passa por eles! No penúltimo de 2012, pedi que a trilha sonora fossem os versos d’A Moda do Fim do Mundo, de Rolando Boldrin. Afinal o tema nos rondou o tempo todo, porque, segundo a advertência de muitos, o calendário maia garantia o fim do mundo para este ano. Ricardo Boechat lembrou ao vivo que um ouvinte dissera que o Brasil não poderia realizar o fim do mundo, por não ter infraestrutura para um evento desse porte. Outro, que vive no Japão, disse que o fim do mundo aconteceria primeiro no Oriente. Então, que os brasileiros ficassem tranquilos: assim que o fim do mundo chegasse lá, ele avisaria como tinha sido. Ainda assim, alguns doidos se refugiaram em cavernas ou procuraram locais bem acima do nível do mar, onde vagas e ondas oceânicas não os alcançassem. Isto é, a verdade é aquilo em que você acredita. No ano de O fim do mundo que não houve, a frase do ano teve um palavrão que ganhou o mundo. Vada a bordo, cazzo! (Volte a bordo, caralho!), foi a ordem do comandante da Capitania do Porto de Livorno, o italiano Gregório di Falco, a outro italiano, o piloto Francesco Schettino, que abandonou o navio Costa Concordia, assim que ele adernou, no dia 13 de Janeiro de 2012! O socorro vinha sendo feito sem comando algum! Várias pessoas morreram afogadas. Faz cerca de 1800 anos que o astrônomo grego Cláudio Ptolomeu dividiu a hora em 60 partes, chamando cada uma delas pars minuta prima (primeira parte pequena), que virou minuto, depois dividida em pars minuta secunda (segunda parte pequena), que virou segundo. Para fazer isso, sele se baseou no círculo, que tem 360 graus. E assim, para que meses, semanas e dias de 2012 passassem, passaram também 8760 horas, com seus respectivos minutos e segundos. Contar daí pra frente já é coisa para a matemática, esse ramos das ciências ocultas, ou ao menos ocultas para mim, como as engenharias. Adeus, ano velho! Você está morrendo! Vai virar defunto. Defunctus quer dizer pronto em Latim. E todo defunto começa uma nova vida, como nos asseguram cristãos, espíritas, budistas, muçulmanos etc. (xx) *Escritor e professor, Doutor em Letras pela USP, membro da Academia Brasileira de Filologia, Vice-reitor da Universidade Estácio de Sá, no Rio.

domingo, 23 de dezembro de 2012

O NATAL DO FIM DO MUNDO

Este ano o Natal foi precedido de anúncios do fim do mundo para o dia 21 de dezembro. O fim do mundo já foi anunciado muitas vezes. Os primeiros cristãos acreditavam que Jesus voltaria no ano 100, ao fim do primeiro século, para julgar os vivos e os mortos. Originalmente a palavra “século” designava um longo tempo, que poderia ser de cem ou de mil anos. Depois tornou-se sinônimo de centúria, de centenário, modo de contar o tempo, mas também de contar soldados, pois centúria era o conjunto de cem homens do exército romano. Seu comandante era o centurião. Os soldados romanos encarregados de executar a sentença de morte de Jesus no ano 33 eram comandados por um centurião chamado Longinus, aquele que enfiou uma lança no peito do Crucificado, de onde saíram água e sangue. Longinus tinha uma doença nos olhos, curou-se com os respingos e passou a ver com perfeição. E chegou a Portugal e depois ao Brasil com o nome de São Longuinho, alteração de São Longino, aquele que ajuda a encontrar objetos perdidos, por ver melhor do que nós. Jesus é um dileto filho do Judaísmo e nasceu por volta do ano 6 a.C. Um monge chamado Dionísio datou o nascimento dele no ano 753 da fundação de Roma, renomeado ano 1. Atento ao fato de que Maria dera à luz ao Menino Jesus por ocasião do recenseamento ordenado pelo imperador César Augusto e executado na Palestina, Judeia e outras províncias romanas pelo governador Quirino, da Síria, esqueceu-se entretanto de que Herodes, o da matança dos inocentes, morrera quatro anos antes. Então Jesus já era nascido! O próprio papa Bento XVI procura conciliar o Natal com a História em seu livro recente A infância de Jesus. Ele diz que a Estrela de Belém foi um evento astronômico: a conjunção de Júpiter, Saturno e Marte, aliás três deuses romanos. Quando o cristianismo tornou-se religião oficial do império, no século IV, sob Constantino, o Grande, narrativas lendárias se consolidaram, entre as quais a dos reis magos, que não eram três, não eram reis e não tinham nomes. Os Evangelhos dizem apenas que eram magos (sacerdotes, astrônomos) vindos do Oriente. Entretanto os ossos de Gaspar, Melquior e Baltazar (representando brancos, amarelos e negros) repousam na Catedral de Colônia, na Alemanha. Na Basílica de Santa Maria Maior, em Roma, há quatro ripas da manjedoura onde Jesus foi posto depois do parto. Essas são algumas das mais famosas relíquias do Natal! O cristianismo triunfou primeiramente entre os pagãos, no meio rural, e nas bordas das cidades. Paganus, em Latim, é quem vive nos pagos. Para aquelas pessoas simples, pastores, agricultores e pecuaristas, as narrativas tinham que apelar mais aos sentimentos do que à razão. E graças a isso temos histórias, músicas e imagens belíssimas, que anunciam o Natal como um evento que “dá glória a Deus nas alturas e paz na Terra aos homens de boa vontade!” O Papai Noel, as renas, a cor vermelha, a neve, a Lapônia etc são a face comercial de um evento que se modificou ao longo dos anos. (xx) * escritor e professor universitário, Doutor em Letras pela USP.

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

NOS TEMPOS DE ROMEU E JULIETA, EM 1970!

Eram os tormentosos anos 70 que tinham começado. Eu morava no convento dos padres saletinos no Jardim Social, em Curitiba, e naquela madrugada fomos acordados pelo padre superior que nos mandou en terrar na hora todos os livros suspeitos, pois nosso contato avisara que a polícia viria revistar o convento cela por cela, tão logo amanhecesse o dia. Assim o fizemos. Entre os meus livros enterrados estava "Pedagogy of the opressed", de Paulo Freire, capa azul anil, lindo, e "Educação como prática da liberdade". No fim daquela tarde fui com minha namorada, que não sabia de nada, Soeli da Silva, oito anos depois mãe de nossa filha Manuela, assistir no cine Vitória ao filme "Romeu e Julieta". Eu estudava Inglês no Centro Cultural Americano. Obtivera a melhor média de um aluno que já tinha passado por lá, até àquela data: 9,47. Eu já sabia todo aquele Inglês, tinha aprendido no seminário, mas a pronúncia não era boa, e o professor Dick teve que ter muita paciência comigo nos "repeat, please, Deonísio!", e "again" e nas "substitution tables", faladas! O passado é insaqueável. Aqueles que, em nosso nome e em nosso lugar, décadas depois, roubaram o nosso patrimônio, dizendo que foram eles que derrubaram a ditadura, faziam o quê nesses anos? Alguns de seus líderes estão sendo condenados por roubo do dinheiro público, desvios, sobretudo éticos etc. Voltemos ao Amor, pois só pelo Amor vale a vida! A letra, baseada em William Shakespeare, musica por Nino Rota (olha o nível!) dizia assim: "Deve existir Um bom lugar Só para nós e nosso amor, Cheio de esplendor! Um bom lugar para viver A vida... Que eu sonhei viver só com você! Vou procurar e irei achar Um bom lugar Só para nós. Me dê a mão Vamos sair, e procurar Um bom lugar Para ser feliz! Então o mundo há de saber Que o nosso amor Que o nosso amor Não morrera jamais." Hoje cada um de nós vive outros tempos! Mas a História não seja jamais apagada, pois ninguém constrói mentindo, omitindo e fazendo de conta que só vale o instantâneo. Não! Todos seremos para sempre, como disse Ortega y Gasset, nós e as nossas circunstâncias. Um bom dia a todos vocês! Sim, houve uma vez um verão, mas houve uma vez também uma ditadura. Eu queria ser escritor, era meu sonho, e dali a quatro anos seria preso pelo meu primeiro conto publicado. Solto, escrevi um livro, premiado pelo MEC como melhor livro publicado no Brasil naquele ano (1976, prêmio recebido em 1977) e levado à televisão por Antunes Filho. Desde então, outros livros e essas madrugadas tão diferentes, em que nenhum padre superior vem dizer que você precisa esconder os livros que lê.

sábado, 8 de dezembro de 2012

A VIDA BREVE DAS SIRIGAITAS

“Vai cuidar da tua mulher, sirigaita essa polaca,/Namora com meio mundo e te botou chapéu-de-vaca”. Assim cantava a dupla gaúcha Kleiton e Kledir, nos anos 80. Não temos o masculino de sirigaita, nem seu equivalente. O mais próximo é galinha, aplicado tanto à mulher quanto ao homem. Sirigaita é o tratamento popular mais leve para a namorada do homem casado. A semana que passou trouxe à baila a namorada do ex-presidente Lula. A ex-primeira dama emudeceu. O marido também. Não temos um livro sobre as primeiras-damas, mas não faltam histórias sobre elas. Ao que sabe, a maioria teve vida exemplar. Nair de Tefé von Hoonholtz desposou o presidente Hermes da Fonseca em 1913, um ano depois de ele enviuvar. Era 27 anos mais nova do que ele. Estava com 37 quando enviuvou também. E jamais se casou outra vez, morrendo em Petrópolis, em 1981, aos 95 anos. Seu marido morrera em 1923, aos 68 anos. O padrão de comportamento das esposas dos governantes foi fixado ainda antes de Cristo com estonteante claridade por Júlio César, um dos homens mais poderosos de todos os tempos, ao separar-se de Pompeia, sua segunda mulher (a primeira chamou-se Cornélia) e casar-se com Calpúrnia, terceira e última. Nada foi provado contra Pompeia, mas ainda assim ela foi repudiada. Como espécie de primeira-dama, Pompeia estava encarregada de organizar os festejos sagrados da Bona Dea (Boa Deusa), exclusivo para mulheres. Um homem vestiu-se de mulher e entrou na festa. O ato foi considerado uma violação das leis. César reconheceu que Pompeia não teve culpa alguma, mas proferiu a frase famosa, dali por diante usada não apenas em relação à mulher, mas ao poder: “Não basta à mulher de César ser honesta, ela deve parecer honesta.” Seu marido não tinha outra, tinha outros. Mas seus soldados não cantavam os versos de Kleiton e Kledir: “Teu nome é Júlio César, mas te chamam de Odete/ De dia tu é muito macho, de noite vira gilete”. Pois nos campos de batalha mostrava que essa opção sexual não lhe diminuía a coragem. Punha seu manto de púrpura e montava num cavalo branco para deixar bem visível o lugar que ocupava na batalha. Era realmente um líder. Na guerra civil recomendou a seus soldados veteranos que ferissem no rosto os jovens comandados por Pompeu. Ele sabia que os moços eram vaidosos da aparência e não queriam deformar as frescas faces nas batalhas. E César mais uma vez venceu. Ele só não venceu a traição. Morreu cravado de punhais dos amigos da base aliada, depois de desprezar os presságios da matriz, Calpúrnia, que tivera sonhos sanguinolentos com ele. No governo Collor, a sirigaita de um ministro foi outra ministra. A sirigaita do então presidente do Senado, Renan Calheiros, posou para a Playboy e ganhou um bom dinheiro mostrando a todos o que somente o senador via. Agora chegou a vez da sirigaita de Lula. A vida é breve para as sirigaitas. Dura somente até o próximo escândalo. (xx) • Autor de Lotte &Zweig, prêmio de melhor romance do ano da Academia Catarinense de Letras.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

A MOÇA QUERIA CASAR-SE COM UM HOMEM RICO PEGOU A MODA DE LEILOAR-SE E-mail da MOÇA: "Sou uma garota linda (maravilhosamente linda) de 25 anos. Sou bem articulada e tenho classe. Estou querendo me casar com alguém que ganhe no mínimo meio milhão de dólares por ano. Tem algum homem que ganhe 500 mil ou mais neste jornal, ou alguma mulher casada com alguém que ganhe isso e que possa me dar algumas dicas? Já namorei homens que ganham por volta de 200 a 250 mil, mas não consigo passar disso. E 250 mil por ano não vão me fazer morar em Central Park West. Conheço uma mulher (da minha aula de ioga) que casou com um banqueiro e vive em Tribeca! E ela não é tão bonita quanto eu, nem é inteligente. Então, o que ela fez que eu não fiz? Qual a estratégia correta? Como eu chego ao nível dela? (Raphaella S.)" Resposta do editor do jornal: "Li sua consulta com grande interesse, pensei cuidadosamente no seu caso e fiz uma análise da situação. Primeiramente, eu ganho mais de 500 mil por ano. Portanto, não estou tomando o seu tempo a toa... Isto posto, considero os fatos da seguinte forma: Visto da perspectiva de um homem como eu (que tenho os requisitos que você procura), o que você oferece é simplesmente um péssimo negócio. Eis o porquê: deixando as firulas de lado, o que você sugere é uma negociação simples, proposta clara, sem entrelinhas : Você entra com sua beleza física e eu entro com o dinheiro. Mas tem um problema. Com toda certeza, com o tempo a sua beleza vai diminuir e um dia acabar, ao contrário do meu dinheiro que, com o tempo, continuará aumentando. Assim, em termos econômicos, você é um ativo sofrendo depreciação e eu sou um ativo rendendo dividendos. E você não somente sofre depreciação, mas sofre uma depreciação progressiva, ou seja, sempre aumenta! Explicando, você tem 25 anos hoje e deve continuar linda pelos próximos 5 ou 10 anos, mas sempre um pouco menos a cada ano. E no futuro, quando você se comparar com uma foto de hoje, verá que virou um caco. Isto é, hoje você está em 'alta', na época ideal de ser vendida, mas não de ser comprada. Usando o linguajar de Wall Street , quem a tiver hoje deve mantê-la como 'trading position' (posição para comercializar) e não como 'buy and hold' (compre e retenha), que é para o quê você se oferece... Portanto, ainda em termos comerciais, casar (que é um 'buy and hold') com você não é um bom negócio a médio/longo prazo! Mas alugá-la, sim! Assim, em termos sociais, um negócio razoável a se cogitar é namorar. Cogitar...Mas, já cogitando, e para certificar-me do quão 'articulada, com classe e maravilhosamente linda' seja você, eu, na condição de provável futuro locatário dessa 'máquina', quero tão somente o que é de praxe: fazer um 'test drive' antes de fechar o negócio...podemos marcar?" fim

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

O BEBEZÃO DE ROSEMARY, A OUTRA (MULHER) DE LULA

Lula não inovou na arte de enganar a matriz. O problema não é este. Cortesã, amante, amásia, cacho, cabritinha, filial, esta última claramente uma comparação comercial ─ a língua portuguesa tem nomes em abundância para designar a outra! Essas são as denominações mais leves e revelam um dos pontos de vista, que são muitos! A matriz dispõe de outro arsenal de ofensas: galinha, perua, cadela e vaca buscam fixar a mulher entre os bichos domésticos. A mais leve é sirigaita. O que há, então, de estranho em Lula ter uma amante, como tantos homens, poderosos ou não, tiveram ou têm? Ah, é esta a questão. Ele a fez teúda e manteúda com o meu, o seu, o nosso dinheiro. O problema da filial é lá com ele e a matriz. Este outro é nosso, é de todos, é público. E não é só isso. A outra fazia negócios para ela, parentes e asseclas, não com o dinheiro de Lula, com o dinheiro público. Dinheiro que falta para educação, saúde, estradas, cultura. Se o bebezão de Rosemary quisesse refestelar-se ou refocilar-se com ela, este não seria um problema nosso. Mas tornou-se pelos métodos empregados. São tantos, mas tantos os indícios sobre o modo de proceder de Lula, que ninguém mais aceita as indulgentes versões que desabam em catadupa a cada novo escândalo, exaradas por interessados confessores! Confessores, sim, porque confessam, entre as palavras e mesmo nos silêncios que a si mesmos se impõem, interesses espúrios na defesa ou no silêncio, afinal, como diz Eduardo Portela, “o silêncio é aquilo que se diz naquilo que se cala”. Não são repolhos ou alfaces do jornalismo, mas referências solares da arte de noticiar, analisar e interpretar os fatos, que vêm, aparentemente em vão, alertando os brasileiros para os estratagemas ilusionistas de Lula. Entre outros, Augusto Nunes, Elio Gaspari, Ricardo Noblat, Reinaldo Azevedo, José Nêumane Pinto, Eliane Cantanhêde etc. Os jornalistas citados fizeram não poucas vezes solitários solos desafinados da grande orquestra. Eram poucos. Não são mais! O fim está próximo. Abraham Lincoln, que morreu assassinado, o lenhador que chegou à presidência dos EUA, resumiu assim a questão: “Pode-se enganar a todos por algum tempo. Pode-se enganar alguns todo o tempo. Mas não se pode enganar a todos todo o tempo.” Nesses tempos em que tantos pigmeus vieram para o proscênio político, substituindo notáveis estadistas, Rosemary Noronha não pode ser comparada a Marilyn Monroe, nem Lula a Kennedy. Assim, o conselho do americano ─ “não pergunte o que seu país pode fazer por você, pergunte o que você pode fazer por seu país” ─ sofreu devastadora inversão. As bandas de Lula e seus red caps não perguntam o que eles podem fazer pelo país, eles perguntam o que o país pode fazer por eles. Este escritor e professor está entre aqueles que acreditam que ela foi enganada pelo homem que amou por tanto tempo ou talvez ainda ame. Pelo menos até prova em contrário. Toda forma de amor vale a pena. Ninguém está reprovando o romance, o brasileiro não é o americano, aqui na pátria amada ninguém liga para isso. O que deve estar doendo nela, suponho, deve ser o seguinte: então, ela faz tudo o que PR lhe ordenou fazer e agora ele se diz apunhalado pelas costas? No Brasil, tudo o que é difícil para um homem, é infinitamente mais difícil para a mulher! Nós precisamos ouvi-la. Se Rose se tornar A Mulher Silenciosa, ainda assim vai dizer muita coisa, uma vez que, desculpem a repetição, “o silêncio é aquilo que se diz naquilo que se cala.” Rosemary Noronha está numa daquelas encruzilhadas que podem transformar mulheres comuns em heroínas. Ela ganhará a estatura de uma Maria Quitéria, de uma Anita Garibaldi, ou será apenas mais uma mequetrefe a serviço de corruptos. A escolha é dela!