NOME DE POBRE NO BRASIL

sexta-feira, 30 de maio de 2014

O SEXO DO CLERO: FIM DO CELIBATO?

"Aos vinte anos, reina a vontade: aos trinta, a inteligência; aos quarenta, o discernimento". (Baltasar Gracián) Teresa d´Ávila dizia a seu confessor, o jesuíta Baltasar Gracián, além do mais um homem bonito, inteligente e culto, que tinha vontade de sexo e não ocultava isso. Dizia mais: que se sentia atraída por homens parecidos com ele, ainda que fossem seus diretores espirituais, mas que sabia lidar com isso, pois tinha sublimado essas vontades todas. Quem era esse padre? Confesso que sinto ciúmes de Teresa d´Ávila. Muitos sabem que sou apaixonado por essa santa e que escrevi um romance em que ela é a personagem solar, já adaptado para teatro. Mas é um ciúme no viés etimológico da palavra, um excesso de zelo, que, vindo do Grego “zêlos”, passou pelo Latim “zelumen”, e, vejam vocês, está presente também em “zelota”, os revolucionários que seguiam Jesus no século I de nossa era, certos de que aquele homem que expulsara vendilhões e banqueiros do templo de Jerusalém era o líder popular de quem eles mais precisavam para libertar a Palestina do jugo do poderoso império romano. Eis uma palhinha de Baltasar Gracián y Morales. Filho de médico, elevou-se literariamente à altura de Cervantes e de Quevedo, mas viu-se obrigado a escrever sob pseudônimo para escapar às perseguições. Conseguiu em parte, pois perdeu a cátedra e o direito de publicar o que escrevia, como, aliás, foi também o caso de Teresa d´Ávila, que morreu inédita. Mas o livro sempre vence, e Teresa hoje só vende menos do que a Bíblia e os livros de receita culinária, mas esses são dois tipos de leitura que sempre aparecem em qualquer classificação ou “ranking” de mais lidos. Ou pelo menos mais consultados. Gracián escrevia sobre a ética de procedimentos na vida cotidiana e sobre a arte de escrever. Seu livro de que mais gosto é “A arte da prudência”. Sim, amigos, a prudência, a par de ser uma das quatro virtudes cardeais, é uma arte! (As outras três são a justiça, a fortaleza e a temperança). Esse jesuíta espanhol influenciou Voltaire, Nietzsche, Schopenhauer e Lacan, entre muitos outros. Não foram apenas Gracián e Teresa que sofreram com o celibato. Santos que usavam cilício (cinto de preguinhos à cintura, sob o hábito), como São Jerônimo, que traduziu a Bíblia para o Latim, deixaram registrado que quanto mais se açoitavam, mais desejos tinham. Há algum tempo a psicanálise vem explicando que as penitências daquelas pessoas enclausuradas contribuíam para aumentar a excitação sexual, por buscar involuntariamente o prazer pelo sofrimento. Nos mosteiros irlandeses foi adotada a “sub introductae” (sem penetração). Monges e monjas dormiam juntos quando os conventos eram mistos para provar que eram capazes do autodomínio. A experiência, que deu certo para tantos, não deu certo para alguns, tendo resultado no nascimento de “monjinhos”, e o costume foi proibido. O papa Francisco tem dito que é preciso rever o celibato e o divórcio, ambos tabus para a Santa Madre. (xx) *escritor e professor, autor de 34 livros. Está publicado em Portugal, Cuba, Itália, Alemanha, Suécia etc. Os mais recentes são “Lotte & Zweig” e “De onde vêm as palavras (17ª edição).

quinta-feira, 29 de maio de 2014

SEM PAPAS NA LÍNGUA, COM RICARDO BOECHAT, NA BANDNEWS

https://www.hightail.com/download/ZUcyNU1LUENRWUo3czhUQw?baidusign=4316797&baidurand=13764 PALAVRAS DE MANIFESTAÇÕES, PROTESTOS E DESORDENS Nossos ouvintes sabiam que "Black Bloc", o nome mais em evidência dos protestos atuais, é tardio no Brasil? Surgiu na década de 80 do século passado, veio do Italiano (autonomi) passou pelo Alemão (Autonomen), onde virou Schwarzer Block (blocos pretos, por causa das roupas e da formação nos protestos, em bloco), foi para o Inglês Black Blocks, depois Black Blocs, de onde veio para o Português. Seu ideólogo, John Zerzan, anarquista, diz que não são violentos porque violência é atacar pessoas. E eles atacam coisas, empresas. "Não se violenta uma cadeira, uma mesa", diz ele. Mudanças sociais violentas são marcadas por determinadas palavras. Se é a classe dominante, a gente fina e nobre que lidera as mudanças, as palavras escolhidas são GUERRA e REVOLUÇÃO, com significados positivos. Se é o povo quem as faz, daí é ARRUAÇA, BAGUNÇA, BADERNA, PORRADA, REVOLTA e SEBAÇA, de significados pejorativos. Demos a etimologia de cada uma delas, cujo resumo segue: 1) Manifestação: do étimo latino "manifest", porque apanhado com o a coisa na mão (manus), em geral produto de roubo. Veio a designar clareza, evidência. 2) Protesto: Pro (em favor de ), mais o étimo Latino "test", de testemunha, onde protestar significar testemunhar publicamente, não no fórum! Nas ruas! 3) Desordem: do prefixo "des", indicando o contrário, e do Latim "ordo", fileira, alinhamento, classe,posto do soldado na batalha etc. Fiz-se ordem porque procede da declinação "ordine". O étimo está em ordinário (do Latim ordinarius, escravo que mandava nos outros, dava-lhes ordens), extraordinário, coordenador, desordenado, subordinado. E em ordenação, sacramento pelo qual o bispo faz de um homem um padre, que recebe as ordens de poder ministrar sacramentos. O padre é ordenado. O bispo é sagrado. O papa é eleito em conclave (com chave, isto é, a portadas fechadas). Nos cargos civis, os funcionários não nomeados, designados etc. Nos cargos militares, recebem as patentes (do étimo latino PATENS, exposto, público: todos devem saber qual o posto, cargo e nome estão na farda etc). 4) Demos a etimologia de GUERRA e REVOLUÇÃO (chiques) ARRUAÇA, BAGUNÇA, BADERNA, PORRADA, REVOLTA e SEBAÇA (vulgares).

segunda-feira, 26 de maio de 2014

RÉU, CENSURA E BIOGRAFIA: QUE QUER O "REI"?

RÉU, CENSURA E BIOGRAFIA: QUE QUER O “REI”? DEONÍSIO DA SILVAº Quando vocês estiverem lendo a versão impressa destas linhas, já terei feito minha palestra na 14ª Feira do Livro de Ribeirão e autografado a reedição mais recente de um livro que vende sem parar, “De onde vêm as palavras”, cujo lançamento terá sido feito na Livraria Cultura do Shopping Iguatemi daquela cidade, onde terei autografado a 17ª edição. Edwaldo Arantes, diretor do Instituto do Livro de Ribeirão Preto (SP), me pediu que desse especial atenção ao tema dos livros proibidos, da liberdade, da censura e dos censores. E que não deixasse de fora o delicioso viés etimológico de palavras estratégicas, pois os leitores têm grande interesse nesses temas. Vamos lá. Censor e censura são palavras que entram para a língua portuguesa ainda no século XV. Biografia vai aguardar o século XIX. Mas com que significados? Naturalmente, não o que têm hoje. Na antiga Roma, censor era o magistrado encarregado de fazer o “census” (de “censere”, declarar), cuja melhor tradução é ainda recenseamento. Há uma referência clara sobre este ato nos Evangelhos. Jesus nasce em Belém, a 145 km de Nazaré, onde viviam seus pais, para atender ao recenseamento ordenado por Otávio Augusto, filho adotivo de seu tio-avô, Júlio César, assassinado nos idos de março de 44 a.C. É, pois, Otávio, sucessor de Júlio César, quem está no poder quando nasce Jesus. Esse imperador orgulhou-se de ter recebido uma Roma de tijolos e legado outra, de mármore, e apoiado escritores como Virgílio, Ovídio e Horácio. Mas o censor, que recenseava a população, registrando seus bens e propriedades, com o fim de organizar o governo, aí incluído o ato de cobrar impostos, veio a zelar pelos bons costumes, examinando obras culturais, literárias e artísticas. E a censura, que até então fazia pouco mais do que contabilidade, depois veio a cortar, repreender e proibir. A proibição é apenas um dos recursos da censura. O controle pode incluir o contrário, isto é, o elogio, o apoio etc. O primeiro livro do jornalista e professor Paulo César Araújo sobre Roberto Carlos, “Roberto Carlos em Detalhes”, foi proibido por acordo judicial entre o editor e o cantor, de cujas tratativas foi excluído o autor, num dos mais vergonhosos atos judiciais dos anais brasileiros, perpetrado na 20ª Vara Criminal da Barra Funda, em São Paulo. O juiz pediu autógrafo para Roberto Carlos, presente ao acordo, autografou cedê para o “Rei” e ambos posaram para fotografias com o editor. O autor, por ética, recusou-se a integrar a farsa. Fez muito bem! E agora acaba de lançar novo livro, “O Rei e o Réu: minha história com Roberto Carlos, em Detalhes”. Em Grego, a palavra “biographía” (de “bios”, vida, e “grafos”, escrever) já existia no século VI. Mas ao Português chegará só no século XIX. Contar a vida de alguém não é fácil. Dá muito trabalho. E quando o livro é censurado, dá mais ainda (xx). *escritor e professor, autor de 34 livros. Está publicado em Portugal, Cuba, Itália, Alemanha, Suécia etc. Os mais recentes são “Lotte & Zweig” e “De onde vêm as palavras (17ª edição).

sábado, 24 de maio de 2014

SE OS HOMENS MENSTRUASSEM

Sempre gostei de ler feministas inteligentes, e Glória Steinem, hoje com 80 anos (nasceu em 1934), que escreveu "Se os homens menstruassem" (que você encontra em diversas línguas na rede), um de seus artigos mais conhecidos, trabalhou disfarçada de coelhinha na revista "Playboy" (era muito bonita na época) e contou uma coisa simples: para trabalhar ali, era necessário exame ginecológico na admissão. Por que este exame se selecionavam garçonetes?

quinta-feira, 22 de maio de 2014

TÓXICOS, MACONHA E JOSÉ MUJICA

http://www.hightail.com/download/ZUcyU2VzNnlsamU5TE1UQw Sem Papas na Língua 22-05-2014.mp3(32,3MB)YouSendIthttp://www.hightail.com/download/ZUcyU2VzNnlsamU5TE1UQw Começamos com essa trilha sonora. https://www.youtube.com/watch?v=NjrJzWT6xVg É um trechinho de entrevista de José Mujica, presidente do Uruguai. Há histórias verdadeiras e algumas lendas ao redor dos nomes de TÓXICOS como a COCAÍNA, o HAXIXE a MACONHA. De onde vêm estas palavras, que de repente se tornaram malditas? Por que os antigos gregos chamaram TÓXICO de TOXIKÓN (venenum em Latim), um sinônimo de PHÁRMACON, medicamento, cujo étimo está em farmácia e farmacêutico, antes escritos pharmacia e pharmaceutico? O haxixe é consumido livremente em alguns países como a Turquia, mas deu o étimo para a palavra ASSASSINO. E veio do quíchua ou do aimará a palavra COCAÍNA, vendida livremente nas farmácias do Brasil até a segunda metade do século XX. MACONHA veio do quimbundo e para eles nunca foi problemas, como provavelmente não será no Uruguai doravante...depois que Mujica fez aprovar a sua liberação Depois rodamos esta: https://www.youtube.com/watch?v=eKXfqpg-Q-k Rodar um piuquinho a partir de 50 segundos. É a célebre canção dos Beatles, Lucy in the Sky with Diamonds, cujas iniciais foram dadas como uma propaganda subliminar de LSD, tóxico que se tornou conhecido por este acrônimo, vindo de uma palavra da língua alemã, Lysergäurediethylamid, dietilamida do ácido lisérgico, sintetizada pelo químico suíço Albert Hoffmann, quando trabalhava para os laboratórios Sandoz, entre 1938 e 1943. Os Beatles negaram isso: quem fez a capa do elepê, sem pensar em tóxico nenhum, foi o filho de John Lennon, então menino, que fez um desenho e lhe deu este nome: Lucy no céu com os diamantes.

quarta-feira, 21 de maio de 2014

LÍNGUA PORTUGUESA: CERCA DE 300 MILHÕES DE FALANTES

"Que o mar com fim será grego ou romano:/ O mar sem fim é português". Fernando Pessoa. "Na quarta parte nova os campos ara/ E se mais mundo houvera, lá chegara". Luís Vaz de Camões.
Hoje, 21 de maio, é Dia da Língua Nacional. No caso do Brasil, o Português. Mas por que chamamos nossa língua de Português? De onde vem este nome? E por que nosso país não é oficialmente bilíngue ou multilíngue, como tantos outros? Nosso vizinho, o Paraguai, por exemplo, é bilíngue! Demos um breve passeio por língua, dialeto, variações geográficas, etárias, profissionais etc.

AMOSTRAS DE ENTREVISTAS QUE FIZ NA TV ESTÁCIO

https://www.youtube.com/watch?v=zr52HwMYkdk

segunda-feira, 19 de maio de 2014

CONFITENTE, CONFISSÃO E SANDRA SÁ

Confitente: do latim confitente, declinação de confitens, aquele que confessa, do verbo confiteri, confessar, de étimo semelhante ao de confidente, do latim confidente, declinação de confidens, confidente, aquele que confia, de confidere, confiar, algo a alguém. Quando a confiança é rompida, temos a inconfidência, a mais célebre das quais é a Inconfidência Mineira. O filósofo Michel Foucault escreve em História da Sexualidade: “Tanto a ternura mais desarmada quanto os mais sangrentos poderes têm necessidade de confissões. O homem, no Ocidente, tornou-se um animal confitente. (A literatura é) a tarefa infinita de buscar, no fundo si mesmo, entre as palavras, uma verdade que a própria forma de confissão acena como sendo impossível”. Ele estava desconfiado de um Estado que perguntava muito e queria saber tudo dos indivíduos. Confissão. Michel Foucault já nos avisara nos livros sobre a história da sexualidade e da loucura que o homem no Ocidente tornou-se um animal confitente. Passou do prazer de contar histórias e lendas para buscar no fundo de si mesmo narrativas que o revelem e o esclareçam. Trilha sonora, se der: de 30 segundos em diante: https://www.youtube.com/watch?v=kcuIrzNjQq4 Sandrá Sá canta "Bye, bye, tristeza", diz que ninguém aqui é "puro anjo ou demônio", tema interessantíssimo para os dias que correm. E hoje faz 20 anos que morreu Jacqueline Kennedy Onassis, uma das mulheres mais emblemáticas do século passado, tendo servido de modelo a milhões de jovens em todo o mundo. Pois bem, nos últimos dias a mídia vem divulgando trechos de cartas que ele escreveu a seu confessor queixando-se de que John Kennedy, presidente dos EUA e seu marido, era o maior galinha. (Em vez de confessar seus pecados, confessou os do marido,que vergonha!). Ligamos à abundância de confissões que se faz hoje na mídia, especialmente na TV e na internet, e nesta especialmente no Facebook.

domingo, 18 de maio de 2014

AS ILUSÕES PERDIDAS DE TODOS NÓS

http://www.jornalpp.com.br/colunista/item/60688-as-ilusoes-perdidas-de-todos-nos
Um dos livros mais lidos do mundo não é autoajuda, não é biografia desautorizada, não tem fadas nem duendes. É um livro de economia. O título é “O capitalismo no século XXI”, do francês Thomas Piketty. Comecemos por um grande problema que afeta também o Brasil. Os muito ricos não pagam impostos. Quem paga é o pobre e a classe média. Foi isso que o governo brasileiro quis esconder ao sonegar as informações de renda aos pesquisadores de Piketty? O Brasil ficou de fora dos levantamentos. A classe média sabe que paga, pois em geral paga na fonte, no contracheque ou em outras formas de recebimento. O pobre nem sabe que paga, pois, mesmo aqueles que recebem bolsas disso e daquilo, ao comprarem água, comida, luz, remédios, roupas, brinquedos, carros etc., pagam impostos. Tudo o que compramos vem com altos impostos embutidos, depois financiadores da corrupção que assola o Brasil. Thomas Piketty propõe que as pessoas mais ricas paguem mais imposto de renda. Os EUA já tiveram alíquotas que chegaram a 90%, logo após a Segunda Guerra, mas na década de 70 começaram a cair e hoje nenhuma ultrapassa 40%. Por consequência disso, a concentração de renda passou a subir e hoje é recorde no país (o estudo de Piketty abrange um século de dados).
"Níveis muito altos de desigualdade são indesejáveis sob muitos pontos de vista - por exemplo, para o bom funcionamento das sociedades democráticas - e desnecessários para o crescimento". A equação apresentada por Thomas Pikkety e seus colegas de pesquisa não é simples, mas pode ser entendida por leigos em economia. O fator decisivo das análises que ele faz é R é maior do que G, isto é, a taxa de rendimento do capital é sempre maior do que a taxa de crescimento da produção. R já acumula 600% de G, isto é, por mais que você trabalhe e produza riquezas, jamais vai alcançar o que ganham aqueles que vivem dos rendimentos do capital. As grandes fortunas, que já eram grandes, vão ficar maiores ainda. Às custas de quem? Dos muitos que trabalham para que esses poucos fiquem cada vez mais ricos.
Se nada for feito, as desigualdades tendem a aumentar. Um bom governo seria aquele que taxasse mais o capital e menos o trabalho. Este, sim, seria um governo democrático. Se você tem alguma ilusão, dê uma olhadinha em quem vai financiar as nossas próximas eleições presidenciais, independentemente de qual seja o partido. Depois de Thomas Piketty, minha sugestão é que vocês, caros leitores desta cônica semanal, leiam ou releiam “As ilusões perdidas”, de Honoré de Balzac. O jovem escritor Deonísio da Silva/Lucien Chardon troca o interior do Brasil/França pela cidade. E ambos comprovam que a ética e a verdade não são o forte dos que mandam nas instituições onde eles trabalham. Na França de 1820 e no Brasil do século XXI a corrupção, o suborno e as trapaças vitimam a todos, às vezes até a seus algozes. PS. Na semana que passou, Soeli Maria Schreiber da Silva, Doutora em Linguística pela Unicamp e professora da UFSCar, lançou novo livro na Livraria Machado de Assis, em sessão de autógrafos como há muito tempo não se via na cidade. Parabéns! (*) Escritor e professor, autor de 34 livros. Está publicado em Portugal, Cuba, Itália, Alemanha, Suécia etc. Os mais recentes são “Lotte & Zweig” e “De onde vêm as palavras (17ª edição).

sábado, 17 de maio de 2014

CEM ANOS DE SOLIDÃO, EM ESPANHOL, PARA OUVIR!

http://www.observatoriodaimprensa.com.br/videos/videosoi/lsquo_cem_anos_de_solidao_rsquo_audiolivro_completo

quinta-feira, 15 de maio de 2014

O ALIENISTA DE MACHADO: POLÊMICA E DINHEIRO NA ERA DA ESPERTEZA

http://www.hightail.com/download/ZUczeW45Q1JPSHhjR05Vag De médico e louco, todos temos um pouco. 1) Uma senhora chamada Patrícia Secco anunciou ter reescrito o livro "O Alienista", de Machado de Assis, substituindo palavras, que ela acha difíceis, por outras mais simples. Deu como exemplo SAGACIDADE, substituída por ESPERTEZA, duas palavras de significados completamente diferentes. 2) Demos a etimologia de Itaguaí, onde Machado situa a história, bela metáfora do Rio de Janeiro de então até no nome! 3) Falamos do mito de "A Nau dos Insensatos", navio cheio de loucos que vagava de porto em porto, sem que nenhum país autorizasse o desembarque. A nau era abastecida e seguia adiante. 4) Demos um resumo do livro, que se passa em Itaguaí (RJ), no século XIX

segunda-feira, 12 de maio de 2014

CASTELO MATA-JUDEUS

“Castrillo Matajudíos” é um pequeno vilarejo na comunidade autônoma espanhola de Castela e Leão, no noroeste do país, que ficou famosa mundialmente por seu nome politicamente incorreto. Seus 56 habitantes agora decidiram votar se mantêm o polêmico nome ou se o trocam por algo menos agressivo. Dois nomes estão sendo debatidos: Castrillo Mota de Judíos ou Castrillo Motajudíos, que significa “colina de judeus”. O prefeito Lorenzo Rodríguez Pérez revelou que o vilarejo recebe várias cartas exigindo que o nome da localidade seja alterado. “O nome pode ser considerado uma ofensa por muitos. Os moradores preferem dizer que são de Castrillo, para evitar polêmicas”. Não se sabe ao certo como esse título surgiu. O historiador Rodrigo de Sáez explica: “O termo original era Mota Judíos mas, entre os historiadores, não existe consenso se a mudança para Matajudíos foi provocada por um conflito real com os judeus ou se foi uma deformação provocada pelo antissemitismo que reinava na Espanha nos tempos da Inquisição, durante os séculos XV e XVI”. A primeira referência encontrada em registros ao termo “Matajudíos” é de 1627. O prefeito diz que seus ancestrais no vilarejo são inocentes das acusações de terem matado judeus. “Foram os de Castrojeriz, um povoado perto daqui, que em 1035 acabou com os judeus, matando algo como 60 judeus e realocando os demais para uma colina próxima a Castrillo”. De acordo com esta versão, foi nesta época que se começou a chamar o novo povoado de Castrillo Mota de Judíos, em referência à colina, que fica no caminho dos peregrinos de Santiago de Compostela.

MISTÉRIOS E SEGREDOS DO QUADRADO MÁGICO DE A. DÜRER

Foi a primeira vez que apareceu o quadrado mágico na arte europeia. Provavelmente foi inventado pelo próprio artista, embora chineses e hindus antigos já tivessem construído outros, só que com três colunas e não quatro, como este.
Com a palavra, quem sabe da história do que foi feito com números, que são inúmeras, aliás! Notem também que no quadro de Adão e Eva no Paraíso, Dürer pôs uma tabuleta explicitando quem foi ele quem pintou!
Este quadrado está na obra Melancolia I, de Albrecht Dürer (1471-1528). Para comprová-lo, some, sempre da esquerda para a direita: 1a linha: 16,3, 2, 13; 2a linha: 5, 10, 11, 8; 3a linha: 9, 6, 7, 12; 4a linha: 4, 15, 14, 1. Seja qual for a direção em que esses números sejam somados, o resultado será sempre 34. Curiosidade: as duas casas da última linha, no centro, indicam o ano em que o quadrado foi concebido e realizado: 1514.

sábado, 10 de maio de 2014

DE MÉDICO E LOUCO...MACHADO PARA PRINCIPIANTES

E se fizéssemos o contrário do que propõe uma certa Patrícia Secco, que “adaptou” Machado de Assis para ganhar dinheiro, mas ela diz que foi para atender os pobres, e seguíssemos o reto caminho: preparar, não apenas os pobres, mas todos os brasileiros, para ler seu maior escritor? Tratei do assunto em artigo publicado em “O Globo” na semana passada, com o título “Machado de Itararé, Barão de Assis”. Quem quiser ler, está aqui: http://veja.abril.com.br/blog/augusto-nunes/feira-livre/machado-de-itarare-barao-de-assis-de-deonisio-da-silva/ Qual o melhor modo de ler um escritor de qualidade? Há vários, mas nenhum deles pode ser aquele escolhido pela esperta senhora. Ela o fez apenas para ganhar dinheiro. Comecemos. Depois de saber que tem em mãos um livro do maior escritor brasileiro de todos os tempos, que, neste caso é “O Alienista”, vamos ler o primeiro capítulo.
O bom leitor é um desconfiado! Por que o título? “Alienista” era como se chamava o psiquiatra na segunda metade do século XIX, quando Machado escreveu esse livro. Aqueles que sofriam de perturbações mentais, eram chamados “alienados”, isto é, pessoas que viviam fora da realidade. A história se passa em Itaguaí, nos arredores do Rio. O nome do personagem principal, o médico, é Simão Bacamarte, de 34 anos. Ele se forma em Medicina, na Europa, o rei de Portugal pede que ele escolha onde quer morar e trabalhar: ser professor universitário em Coimbra ou funcionário da monarquia em Lisboa. Ele recusa os dois empregos e vai trabalhar em Itaguaí, justificando que “a ciência é o meu emprego único, e Itaguaí o meu universo”. Já trabalhando, aos 40 anos casa-se com Evarista da Costa e Mascarenhas, de 25 anos, viúva de um juiz-de-fora, “nem bonita, nem simpática”, mas em “condições fisiológicas e anatômicas” de lhe dar “filhos robustos, sãos e inteligentes”. Mas ela não lhe deu filho algum, apesar de tratamento “com a bela carne de porco de Itaguaí”. Observando que os vereadores não fazem caso dos loucos bravos e dos loucos mansos de Itaguaí, muitos dos quais (os bravos) vivem presos em cárcere privado nas próprias casas onde moram, ou andam soltos pelas ruas (os mansos), Dr. Simão Bacamarte faz uma proposta à Câmara: ele construiria um edifício para tratar dos dementes, e o poder público pagaria o tratamento quando os familiares do enfermo não o pudessem fazer.
Palavras para aumentar o vocabulário do leitor nas primeiras duas páginas: cataplasma (emplastro, remédio caseiro), teorema (modo de pensar, figura geométrica), robusto (forte), patologia (doença), imarcescível (que não murcha), arroubo (ficar fora de si, êxtase), boticário (farmacêutico), defraudar (roubar com esperteza), desarraigar (arrancar), estipêndio (pagamento), demência (loucura). Quem lê esse livro, sai dele melhor do que entrou. Entre outras coisas, com um vocabulário maior e melhor. (xx) *escritor e professor, autor de 34 livros. Está publicado em Portugal, Cuba, Itália, Alemanha, Suécia etc. Os mais recentes são “Lotte & Zweig” e “De onde vêm as palavras (17ª edição).

quinta-feira, 8 de maio de 2014

MACHADO DE ITARARÉ, BARÃO DE ASSIS

Meu artigo em O Globo, hoje, 8 de maio de 2014 A vida do Bruxo do Cosme Velho, como o chamou Carlos Drummond de Andrade, não foi fácil, mas, se ele vivesse no Brasil de hoje, seria ainda pior Quando junho vier, antes de outubro chegar, milhões de leitores serão enganados por um falso Machado de Assis. É que serão distribuídos seiscentos mil exemplares (600.000; você não leu errado!) de uma edição falsificada de “O alienista”, uma história de loucos, isto é, de médico e louco, dos quais todos nós temos um pouco, mas não na dose a ser administrada ao distinto público nas próximas semanas. Machado de Assis foi o maior escritor brasileiro de todos os tempos. De seu livro roubado e mutilado foi produzida essa montanha de equívocos, com o seu, o meu, o nosso dinheiro, por meio de um recurso fabuloso, a renúncia fiscal, que, entretanto, tem resultado em projetos culturais tão louváveis, bonitos e importantes! Mas que vem se prestando também a algumas falcatruas. A vida do Bruxo do Cosme Velho, como o chamou Carlos Drummond de Andrade, não foi fácil, mas, se ele vivesse no Brasil de hoje, seria ainda pior. Poucos entendem seus livros nos circuitos escolares, e a razão é muito simples. Basta olhar nossos indicadores de educação no mundo! Mas o motivo é outro, segundo nos esclarece Patrícia Secco, a autora da “adaptação”. “De onde menos se espera, daí é que não sai nada”, profetizou o lendário humorista gaúcho Barão de Itararé. “Entendo por que os jovens não gostam de Machado de Assis”, disse Patrícia Secco ao jornalista Chico Felitti. “Os livros dele têm cinco ou seis palavras que não entendem por frase. As construções são muito longas. Eu simplifico isso.” Escreve o jornalista: “Ela simplifica mesmo: Patrícia lançará em junho uma versão de ‘O alienista’, obra de Machado lançada em 1882, em que as frases estão mais diretas e palavras são trocadas por sinônimos mais comuns (um ‘sagacidade’ virou ‘esperteza’, por exemplo).” (...) “A ideia não é mudar o que ele disse, só tornar mais fácil.” Machado era órfão de mãe (de pai é uma coisa, de mãe é outra, o abandono é ainda maior!), descendente de negros, pobre, gago, epiléptico, casou com uma solteirona portuguesa que tinha comido a merenda antes do recreio, e não tiveram filhos para não transmitir a ninguém o legado da doença. Mas deixou-nos uma obra imortal! Mais que gênio, oxigênio de nossas letras, Machado venceu preconceitos de raça, de cor, de dinheiro, de tudo. Mas não passou pela senhora dona Patrícia Secco, em breve “coberta de ouro e prata (600.000 exemplares!)”, mas que “descubra seu rosto”, “queremos ver a sua cara”. Augusto Meyer disse que “quase toda a obra de Machado de Assis é um pretexto para o improviso de borboleteios maliciosos, digressões e parênteses felizes”. Araripe Júnior também foi outro que se enganou: “Filho das próprias obras, ele (Machado) não deve o que é, nem o nome que tem, senão ao trabalho e a uma contínua preocupação de cultura literária.” Astrojildo Pereira enganou-se ainda mais: “Machado de Assis é o mais universal dos nossos escritores; (...) ele é também o mais nacional, o mais brasileiro de todos.” O francês Roger Bastide, destacando a paisagem carioca que poucos viam em Machado, concluiu: “Escrevi estas páginas de protesto contra os críticos literários que lhe negam essa qualidade: humilde homenagem de um estrangeiro a um mestre da literatura universal.” Paro por aqui. A senhora dona Patrícia Secco não tem o direito de fazer o que fez. A obra de Machado de Assis não é dela. É patrimônio do povo brasileiro. Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/opiniao/machado-de-itarare-barao-de-assis-12415052#ixzz316rBCgpH © 1996 - 2014. Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.

quarta-feira, 7 de maio de 2014

ALERGIA E SILÊNCIO: POR QUE ESSES NOMES E DE ONDE VIERAM?

Dentre as efemérides de hoje temos o DIA DO SILÊNCIO e o DIA NACIONAL DE PREVENÇÃO DA ALERGIA, palavrinha em que, se deslocando o "R", transformamos em ALEGRIA. Mas... SILÊNCIO veio do Latim silentium (diz-se siléncium) do verbo SILERE, calar, cujo sinônimo está em tacitus, calado, mas também entendido sem falar. Tácito é nome de pessoa, mas Silencioso, não! Entre os antigos romanos, o silêncio era representado por um jovem com o dedo sobre a boca, figura que inspirou a ilustração de pedidos de silêncio nos hospitais. A deusa do silêncio era chamada QUIES, quieta, mesmo étimo de descansar, como vemos nas lápides: requiescat in pace (descanse em paz), e era servida por um grupo de rapazes conhecidos como Os Silenciosos.
Já ALERGIA é palavra inventada pelo médico austríaco Clemens von Pirquet. É um excesso de imunologia. Ele pegou dois étimos do Grego: állos, outro, e erg, força, trabalho, movimento. Este étimo está presente em ENERGIA, SINERGIA etc. E állos está presente em ALEGORIA, por exemplo: há OUTRO significado encoberto naquilo que é falado ou mostrado. Clemens que se suicidou com a mulher, em 1929, com cianureto, porque ela era muito depressiva, foi quem criou a palavra ALLERGIE, em Alemão. "Há braços" do Deonísio

terça-feira, 6 de maio de 2014

ALADIM E SUA LÂMPADA MARAVILHOSA

Uma mulher encontra uma Lâmpada de Aladim. Imediatamente a esfrega e, como em um passe de mágica sai um Gênio. A mulher olha o Gênio e lhe pede um desejo: - Quero que meu marido só tenha olhos para mim, - Que eu seja a única, - Que tome seu café da manhã, almoce e jante sempre ao meu lado, - Que me toque logo que se levante , - Que não me deixe nem para ir ao banheiro , - Que viaje sempre comigo, - Que cuide de mim, me contemple, - Que se me afaste um segundo, se desespere, e me diga a falta que lhe faço, - Que nunca me deixe só e me leve a todas partes com ele....
E foi transformada em celular! (telemóvel, smartphone, tablets, essas coisas).

segunda-feira, 5 de maio de 2014

MAIO: MÊS DAS NOIVAS E DAS MÃES

No Bandnews, com Pollyanna Bretas e Mariana Mondini, hoje, às 20h30, falamos do mês de maio, das noivas e das mães. Além da etimologia, algumas curiosidades. Maio, que tem este nome por causa da deusa romana Maia Majestas, a Bona Dea (Boa Deusa), começou com o dia do Trabalho, na semana passada, e continua com outras efemérides. Por que tem este nome? Por que é o mês da noivas e nele se celebra o dia das mães? Quer dizer, maio é das mulheres!
Explicaremos que, por motivos de higiene, os casamentos eram feitos preferencialmente em maio na Antiguidade: o frio tinha acabado e podiam tomar banho. Além do mais, antes de Roma formalizar os casamentos, os pais levavam os filhos ao quarto, esperavam que noivo e noiva se despissem, verificavam se eram sãos e podiam procriar. Em seguida, não saíam do quarto, aguardavam que houvesse a primeira relação sexual e só então deixavam os nubentes a sós. E a noiva levava um buquê de flores junto ao corpo para melhorar o odor... "Há braços" do Deonísio

domingo, 4 de maio de 2014

ÁGUA, CHÁ E CERVELA. E CACHAÇA!

A cerveja é a terceira bebida mais popular no Brasil. Perde apenas para a cachaça, a segunda, e naturalmente para a água, a primeira. No mundo, perde para o chá e para a água. Todos tomam água, e o chá é muito popular em países como a China e a Índia, cujas populações somadas resultam em mais de 2,6 bilhões de habitantes. O Português “cerveja” é palavra vinda do Latim “cervisia”, já uma adaptação do Galês “cwrw”, palavra sem vogal, de pronúncia dificílima, quase impossível para os antigos romanos, que por isso a adaptaram. Acrescentaram-lhe quatro vogais, diferenciando também os sons do primeiro e do segundo “w”. O historiador Plínio, o Velho, registra “cervisia”. Mas o Português fez mais uma mudança, e o nome dessa bebida consolidou-se como “cerveja”. O Português, o Espanhol, o Galego e o Catalão mantiveram o étimo. Em Espanhol é “cerveza”; em Galego é “cervexa”, em Catalão é “cervesa”. São palavras muito parecidas com o Latim “cervisia”. O Francês e o Italiano recorreram a outra origem, provavelmente o Grego “brytos”, que, mesclado ao antigo Germânico “Bior”, recebeu também a influência do Latim “bibere”, beber, e deu “bière”, em Francês; “birra”, em Italiano; “Bier”, em Alemão, e “beer”, no Inglês. A cerveja data de 6.000 anos a. C., e sua fabricação foi registrada por antigos sumérios e egípcios. Era feita de vários grãos, mas preferencialmente de trigo ou de cevada. Era bastante turva, ácida, azeda, defumada, pois os grãos eram secados em fogueiras, e com taxas alcoólicas ao redor dos 3%. Entravam na mistura uvas e tâmaras. Esculturas antigas mostram a cerveja em grandes vasos e o uso de canudinhos para bebê-las, com o fim de mexer pouco o líquido, mantendo os resquícios sólidos da fermentação no fundo dos recipientes. O Código de Hamurabi prescrevia pena de morte para quem não seguisse as leis da produção e do comércio da cerveja. Fixava a dose de 2 litros diários para os trabalhadores, 3 para os funcionários públicos e 5 para os sumos sacerdotes Nem sempre a higiene esteve presente na fabricação da cerveja. No Peru antigo, a cerveja era feita de milho, mascado por mulheres para que a saliva ajudasse na fermentação do cereal. Além de trigo, de cevada e de milho, também se fez cerveja do sorgo, do centeio e da mandioca. Nos mosteiros, os monges, além de cuidar da horta e dos animais, praticar a agricultura e fazer vinho e licor, também fabricavam cerveja. Foram os monges quem tornou a cerveja mais saborosa, acrescentando-lhe ervas como o alecrim, o urze, a aquileia e a artemísia. Mais tarde, já no século IX, introduziram o lúpulo, uma flor que deu à cerveja um agradável amargor. Hoje a produção de cerveja no mundo tem dois modelos referenciais: os EUA, onde 5 marcas dominam 90% do mercado; e a Europa, onde os consumidores têm uma centena de marcas à disposição. O Brasil adotou o modelo americano. Os brasileiros bebem cerveja de poucas marcas. º escritor e professor (aposentado) da Ufscar, vice-diretor da Editora da Unisul e autor de 34 livros, entre os quais “De onde vêm as palavras” (17ª edição) e o romance “Avante, soldados: para trás” (10ª edição).

sexta-feira, 2 de maio de 2014

OS PORTUGUESES ESTIVERAM NO BRASIL ANTES DE 1500?

De vez em quando volto à Carta de Pero Vaz de Caminha. Quantos mistérios ainda jazem ali! O escrivão não usa uma única vez a palavra "caravela", por exemplo! E ontem, devido a umas efemérides que me passou o meu querido Walter Galvani (também ganhador do Prêmio Casa de las Américas com NAU CAPITÂNEA), voltei ao trechinho em que, logo depois da segunda missa rezada no Brasil, dia 1º de maio de 1500, "dos apóstolos, cujo dia hoje é", ele diz: "Como Nicolau Coelho trouxesse muitas cruzes de estanho com crucifixos, que lhe ficaram ainda da OUTRA VINDA", Frei Henrique de Coimbra pendurou uma dessas cruzes ao pescoço de cada um dos 50 índios que o rodeavam, já mais confiantes ainda, pois tinham convivido já por mais de uma semana com aqueles seres brancos e estranhos. "OUTRA VINDA"? Então os portugueses tinha estado antes ali? Os exegetas dizem que, como Nicolau Coelho comandara uma das naus de Vasco da Gama, em 1498 (Estêvão da Gama, seu pai, seria o comandante, mas ele morrera no ano anterior), as cruzes eram da viagem de 1498 à Índia, financiada por banqueiros florentinos, aliás, à procura de um novo caminho porque os otomanos, com a queda de Constantinopla, tinham fechado o anterior....BEM, MAS E " A OUTRA VINDA?".

quinta-feira, 1 de maio de 2014

TOMAR UMA CANJEBRINA QUE MATOU O GUARDA E SAIR À FRANCESA

Depois de dar a origem da palavra TRABALHO, explicamos as seguintes expressões. 1) SAIR À FRANCESA. 2) ESTÁ COM A CORDA TODA (remonta ao tempo em que os brinquedos que se movimentavam eram todos de corda: se lhes fosse dada a corda toda, demoravam a parar...) 3) TOMAR UMA CANJEBRINA e 4) AQUELA (CACHAÇA) QUE MATOU O GUARDA. Dona Canjebrina trabalhava para D. João VI. Ela matou o marido, um dos guardas do rei, que estava tendo um caso com a rainha Carlota Joaquina, conforme o livro “Inconfidências da Real Família no Brasil”, de Alberto Campos de Moraes. Mas Carla Camuratti no filme CARLOTA JOAQUINA dá outra versão: a própria rainha matou o amante negro porque Dom João o promoveu militarmente na Marinha, removendo-o do Rio. Ele, promovido e agradecido ao rei, deixou de cortejá-la e atendê-la na cama! 5) PÔR PANOS QUENTES. Quando a Medicina era pouco desenvolvida, qualquer enfermidade, inchaço, dor etc. eram tratados com panos quentes. E o doente sentia certo alívio, parava de reclamar. Evitava também as cirurgias, feitas sem anestesia! Migrou para designar ato de aplicar um paliativo aos problemas e não resolver a questão. 6) DE PEQUENINO É QUE SE TORCE O PEPINO. Os agricultores que cultivam pepinos retiram o excesso de caroços para que os frutos se desenvolvam. Se não for feito isso, as ramas dão poucos pepinos e assim mesmo de gosto desagradável, como desagradável é um moleque malcriado. 7) ESTAR COM A CORDA NO PESCOÇO. A forca foi o meio mais à mão para a pena de morte em tempos idos. E às vezes a anistia ou a substituição da pena chegava em cima da hora, quando o carrasco ou o algoz já tinha posto a corda no pescoço da vítima. Quase aconteceu isso com todos os inconfidentes, menos Tiradentes, mas há dúvidas se ele foi enforcado. CARRASCO era o sobrenome de uma célebre família de executores de penas de morte. AL GOZZ era uma tribo de nômades do Marrocos que fornecia muitos carrascos...