NOME DE POBRE NO BRASIL

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

ESTAMOS EM 2017. MAS POR QUÊ?

O tempo já foi contado de diversas maneiras. Atualmente não seguimos o calendário chinês, egípcio, hebraico, romano ou juliano. Seguimos o calendário gregoriano, assim chamado porque foi baixado pelo papa Gregório XIII, em 1582. O primeiro calendário a servir de base para o de hoje foi fixado por Rômulo, o primeiro rei de Roma, no ano 753 a.C. Em 45. A.C., ele foi substituído pelo calendário juliano, fixado por Júlio César, então no cargo de Pontífice Máximo.
Era uma de suas atribuições intercalar os meses para ajustar o complicado calendário romano. Júlio César chamou o astrônomo grego Sosígenes e, com a ajuda dele, fixou o calendário que passou a chamar-se juliano. Para que o ajuste fosse correto, o ano anterior, 46 a.C., teve 443 dias. O calendário juliano voltou a ser alterado por Otávio Augusto. Ele mudou o nome dos meses quintilis, o 5º mês, e sextilis, o 6º mês, a contar de março, para Julho e Agosto, para homenagear Júlio César com Julho, de Julius, e a si mesmo com Agosto, de Augustus. Os meses seguintes não mudaram de nome. Continuaram sendo setembro, outubro, novembro e decembro, o sétimo, o oitavo, o nono e o décimo mês respectivamente, como indicam os étimos september, october, november e december, que tinham estes nomes antes do acréscimo de janeiro e fevereiro. Como o ano começava em março, julho era o quinto mês. E agosto o sexto, daí se chamarem originalmente quintilis e sextilis. No ano de 1253 A.U.C. (iniciais da expressão Ab Urb Condita, da fundação da cidade), a Igreja tinha grande poder no império romano, pois o cristianismo já tinha sido declarado religião oficial pelo imperador Constantino I ainda no século IV. Naquele ano, correspondente ao ano 500 no calendário atual, trabalhava na Cúria Romana um monge grego chamado Dyonisius Exiguus (470-544), nascido na Cítia Menor, hoje Romênia, reconhecido como de altos saberes em história, matemática e astronomia. O papa João I (470-526) determinou que Dyonísio, o Baixinho ou o Pequeno, seu nome em Português, organizasse um calendário cristão. Seu projeto era deixar de seguir o calendário pagão e fixar corretamente a data da Páscoa e outras festas religiosas, como o Natal. Dyonísio assim o fez, criando a expressão Anno Domini (No ano do Senhor) como referência do tempo passado. E para indicar o que acontecera antes do ano 1, acrescentou a abreviação a.C. (antes de Cristo). Assim, a data da fundação de Roma passou a ser designada, não mais como 753 A.U.C. , mas 753 a.C., e aquele ano, 1253 A.U.C. passava a ser o ano 500, contados a partir do nascimento de Jesus no ano 1. Primeiro, a Igreja aboliu os modos usados até então, que consideravam preferencial, mas não exclusivamente, o ano 1 como a data de fundação de Roma, designada por números seguidos da expressão A.U.C., formada pelas iniciais da expressão latina Ab Urbe Condita (desde que foi fundada a cidade). A cidade era Roma. A própria palavra calendário veio do Latim calendarium, caderno para anotar as calendae, dias de pagar as contas, quando as autoridades dedicavam-se a calere, convocar, a população para liquidar os impostos e outras contas. O ajuste que transformou nosso calendário em gregoriano deve-se ao fato de que o ano não tem um número exato de dias. Tem 365 dias, 5 horas 48 minutos e 46 segundos. Em 1582, a diferença de 11 minutos e 14 segundos a cada ano, já resultava em dez dias, deslocando a data da Páscoa, das estações e de outros eventos. Foi quando o papa Gregório XIII pôs ordem na bagunça e determinou que a quinta-feira, dia 04 de outubro de 1582, fosse seguida da sexta-feira, dia 15 de outubro, suprimindo dez dias do calendário então em vigor! O curioso é que no dia da semana ele não mexeu. Dia 15 foi sexta-feira! Se fôssemos corrigir o calendário proposto por Dyonísio, o Baixinho, estaríamos hoje no ano 2021, pois Jesus nasceu entre os anos 2 a.C. e 8 a.C., e não no ano 1. Ao fixar a data do nascimento de Jesus, Dyonísio, o Baixinho, confundiu o ano da morte de Herodes, o Grande, e a data do recenseamento ordenado por Augusto. Confundiu ou não deu importância a esses eventos, não se sabe. Mas estas imperfeições só foram descobertas no século XIX. Por isso, não se mexeu mais no calendário. O que dificultou os cálculos de Dyonísio foi que o zero, já conhecido pelos hindus, não tinha chegado ainda ao Ocidente. Até então e por muitos séculos ainda vigorariam os números romanos. Quem será grande em 2017? Quem foi grande em 2016? Fazemos diversas retrospectivas, mas nunca sabemos quem teve importância em 2016 ou terá importância em 2017. Como disse o romancista francês Gustave Flaubert, “quem cria os grandes homens é a posteridade”. Os pequenos também. (xx)