NOME DE POBRE NO BRASIL

sábado, 12 de janeiro de 2013

DESSA ÁGUA NÃO BEBEREI E OUTRAS EXPRESSÕES CURIOSAS

Se você tem memória de elefante e acorda com as galinhas, saiba que onde come um, comem dois. E não é por ter estômago de avestruz que tem o olho maior do que a barriga. Mas, nem que esteja com cara de quem comeu e não gostou, fica com bafo de onça, não dá o braço a torcer, dá as caras num boteco e, depois de dar com os burros n´água, toma chá de sumiço! Mesmo com o queixo caído de admiração, não dê nó em pingo d´água, pois quem diz cobras e lagartos deve ficar de olho e não dormir no ponto, do contrário outros pagam na mesma moeda e as coisas vão por água abaixo, ainda que saibamos que você não dá ponto sem nó. Acontece que quem gosta de sombra e água fresca, o que quer é tapar com o Sol com a peneira. E daí o tiro sai pela culatra porque, macacos me mordam, macaco velho não põe a mão em cumbuca, pois a cavalo dado não se olham os dentes e ladrão que rouba ladrão tem cem anos de perdão. Quem nunca come mel, quando come se lambuza e come um boi por uma perna. Não se pode contar com o ovo no cu da galinha, pois nem só de pão vive o homem e peixe morre pela boca. O que não mata, engorda. Quem comeu a carne que roa os ossos. São favas contadas. Cuidado para não viajar na maionese! Ou ficar chupando o dedo. É melhor botar a mão na massa e não tomar gato por lebre. Pessoas de meia tigela, às vezes acertam na mosca, mas pisam no tomate e comem com os olhos, mas são todas farinha do mesmo saco. Pensam que pimenta nos olhos dos outros é refresco e, sabendo que a carne é fraca, vão plantar batatas. Juntam a fome com a vontade de comer, comem de tudo um pouco porque o que não mata, engorda. Depois dão uma banana para a gente, colocam a azeitona na empadinha dos nossos desafetos, mudam da água para o vinho e dão com a língua nos dentes. Se escreveu e não leu, o pau comeu Sem quebrar os ovos, nada de omelete, então que não se fale mais abobrinhas! E nada de trocar alhos por bugalhos, é mau negócio. Com a faca e o queijo na mão, não vá com muita sede ao pote. Como descascar o abacaxi se estou empepinado? E nada de chorar as pitangas, porque de grão em grão a galinha enche o papo e a gente fica aqui enchendo linguiça, agora sem trema, pois beleza não põe mesa. Apressado come cru. É preciso comer o mingau pelas beiradas no frigir dos ovos e cozinhar em banho-maria, do contrário comemos o pão que o Diabo amassou, não conseguimos vender o nosso peixe e ficamos sem ganhar o leite das crianças. E ainda enfiamos o pé na jaca para ver quem paga o pato porque esse angu tem caroço! Depois não adianta chorar pelo leite derramado porque todos puxam a brasa para sua sardinha. Onde se ganha o pão, não se come a carne. Quem dá mais do que chuchu na serra que vá lamber sabão porque o meu nome não é osso para ficar em boca de cachorro. Essas frases são de lamber os dedos e dão água na boca. Você está com uma batata quente nas mãos? A batata dele está assando e sua chapa está esquentando! E, por fim, se escreveu e não leu, o pau comeu. *** [Deonísio da Silva é escritor, doutor em Letras pela Universidade de São Paulo, professor e um dos vice-reitores da Universidade Estácio de Sá, do Rio de Janeiro, autor de A Placenta e o Caixão, Avante, Soldados: Para Trás e Contos Reunidos (Editora LeYa)]