NOME DE POBRE NO BRASIL
quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014
HOMEM É OLHO. MULHER É OUVIDO.
Pessoal, são minhas, sim, não são de mais ninguém antes de mim as frases: "Homem é olho; mulher é ouvido". Vou fazer um livro só de frases minhas, extraídas de coisas ditas por mim, pelo narrador ou por personagens de meus livros.
Certa vez fui convidado por uma descendente do Coronel Carlos de Morais Camisão, herói da Retirada da Laguna, cujos ossos (dele) estão ali sob o bondinho, na Urca, para eu explicar as frases dele e da namorada que ele tinha tido na Guerra do Paraguai, de acordo com meu romance "Avante, soldados: para trás". Os parentes não sabiam de nada disso dele! Claro, eu inventei uma namorada para ele e ambos disseram lindas frases.
JÁ TINHA IDO O AUTOR (ADONIRAM BARBOSA). AGORA FOI SEU PERSONAGEM!
http://veja.abril.com.br/noticia/celebridades/morre-ernesto-paulelli-o-arnesto-do-samba-de-adoniran-barbosa
O Arnesto nos convidou pra um samba, ele mora no Brás
Nós fumos não encontremos ninguém
Nós voltermos com uma baita de uma reiva
Da outra vez nós num vai mais
Nós não semos tatu!
No outro dia encontremo com o Arnesto
Que pediu desculpas mais nós não aceitemos
Isso não se faz, Arnesto, nós não se importa
Mas você devia ter ponhado um recado na porta
Um recado assim ói: "Ói, turma, num deu pra esperá
Aduvido que isso, num faz mar, num tem importância,
Assinado em cruz porque não sei escrever"
Arnesto.
terça-feira, 25 de fevereiro de 2014
VICTOR HUGO NÃO ESCREVEU "O CORCUNDA DE NOTRE DAME"
O mineiro José Augusto de Carvalho está certo. "Notre Dame de Paris", Nossa Senhora de Paris, é o título do romance de Victor Hugo, mas no Brasil só se fala deste livro com o título da tradução: "O Corcunda de Notre Dame", por causa do personagem Quasímodo, que é corcunda, cujo nome foi composto da expressão "quasi modo", da liturgia da missa do primeiro domingo depois da Páscoa, e quer dizer "do mesmo modo".
HIPOTÁLAMO, HIPOPÓTAMO, NEWTON E OGINO=KNAUS
Diferenças entre hipotálamo e hipopótamos. O hipotálamo é um bicho muito grande que vive nos rios ao lado das baleias. O hipopótamo é um órgão humano que controla o sistema digestivo". O célebre cientista Newton descobriu o método da gravidez bem antes de Ogino-Knaus, seu colega japonês, determinar seu ciclo". Recebi uma série de besteiras semelhantes a estas, atribuídas a avaliações havidas no ensino de fundamental e médio de países lusófonos. Considerei-as um recreio no meio da tarde, devem ser inventadas por quem não tem o que fazer. E sabem por quê? Porque senão, elas seriam ainda piores!
segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014
TRAPAÇA DE 64. AMERICAN HUSTLE DE 2014. E AFINAL É ÓSCAR OU ÓSCARES?
TRAPAÇA DE 64. "AMERICAN HUSTLE" DE 2014. LÁ SE FORAM 50 ANOS
http://deonisio.blogspot.com.br/2014/02/trapaca-candidato-oscar-ou-oscares-e-o.html
É difícil entender crítico de cinema no Brasil. Dos críticos literários sempre se pode discordar também, mas são mais raras as discrepâncias absolutas. O filme "Trapaça" recebeu cinco estrelas na avaliação de críticos de alguns jornais (O Globo, O Estado de Minas), quatro (Estadão), três (Diário de Pernambuco) e dois (Zero Hora). É como se um professor desse nota 10 a uma redação e outro desse nota 2 ao mesmo texto!
Em Portugal, a mídia está destacando os candidatos aos Óscares, usado apenas no singular no Português do Brasil. Um dos mais fortes candidatos é "American Hustle", que em Portugal virou "Golpada Americana" e no Brasil, "Trapaça".
É baseado num caso verídico. No final dos anos 70 e início dos 80, o trapaceiro Mel Weinberg foi contratado pelo FBI e ajudou os agentes na derrubada de políticos corruptos envolvidos na venda de bens roubados. O tema ainda não chegou ao cinema brasileiro, ainda que muitos de nossos políticos estejam envolvidos em quase tudo o que é ilícito, por atos, palavras e omissões.
A mim interessa especialmente a viagem de "hustle", do mesmo étimo de "hurry". A palavra veio do Holandês, com o significado de arremesso, coisa feita rapidamente, um pescoção em alguém, um empurrão. No Inglês dos EUA ganhou e consolidou esse significado preferencial que hoje tem, de golpe, trapaça.
As palavras têm, porém, complexas sutilezas. Ninguém se refere a Trapaça de 64 (50º aniversário no mês que vem), em vez de Golpe de 64 ou Revolução de 64. Mas fomos trapaceados, é claro, pois nos prometiam democracia e nos deram uma ditadura que durou vinte anos!
De todo modo, "American Hustle" é fiel ao étimo, pois é próprio dos trapaceiros fazer tudo rapidinho para ninguém descobrir. E, se pegos, ah, como demoram a ser punidos. Veja o caso dos mensaleiros! O maior exemplo não é dos que estão na Papuda, é de Henrique Pizzolato, ex-diretor do Banco do Brasil (do Brasil?). Todo dia a Justiça italiana, e não a brasileira, descobre que ele tem propriedades em vários países europeus. Só na Espanha, três! Com o seu, o meu e o nosso dinheiro. Quer dizer, há muitos "links" para a gente fazer com o filme "Trapaça".
domingo, 23 de fevereiro de 2014
ISADORA PINTO, NÃO! NOIVO ESCONDEU O PINTO ATÉ À HORA DO CASAMENTO.
O noivo escondeu o Pinto (sobrenome) durante todo o namoro. Só na hora do casamento é que ele mostrou o Pinto (de novo, o sobrenome!). Foi quando a noiva, já apavorada, descobriu que seu nome de casada seria "Isadora Pinto".
Falsas notícias desse portal de humor costumam ser repassadas como verdadeiras....
http://www.g17.com.br/noticia/sc/isadora-abandona-altar-ao-descobrir-sobrenome-do-noivo.html
sábado, 22 de fevereiro de 2014
ESTAR NA PINDAÍBA: DE ONDE VEIO ESTA EXPRESSÃO?
Pindaíba no Ensino ("a função do esqueleto é invadir o castelo de Grayskull" (que o aluno escreveu Greyscow), na Saúde etc. De onde veio a expressão?
Com a haste da pindaíba, a planta que dá também a fruta de mesmo nome, se faz vara de pescar. Inclusive a pequena árvore frutífera (acho que é um arbusto) tem seu nome vindo do tupi "pindá", anzol, e "yba", vara.
Segundo o professor emérito da USP, Francisco da Silveira Bueno, que foi um dos maiores etimólogos do Brasil, a expressão `estar na pindaíba` vem da situação de miséria em que ficava o índio que não conseguia apanhar peixe, pois a pesca era um dos principais meios de sustento de muitas tribos. Sua agricultura era incipiente. Viviam de caça e pesca. Sentir-se na pindaíba é estar reduzido àquele índio, com caniço e anzol, e sem pescar nada, também no sentido metafórico.
PS. Outros já tinha me perguntado, mas eu ia deixando para responder depois.
Hoje, porém, Vania Winters, minha ex-colega da docência de Letras na UFSCar, atualmente morando nos EUA, me perguntou e eu a atendi. Partilho aqui com todos. O verbete PINDAÍBA está no meu livro "De onde vêm as palavras", 17a edição. http://lexikon.com.br/de-onde-vem-as-palavras
exikon.com.br/de-onde-vem-as-palavras
DIETA DIGITAL SMARTPHONES PODEM TORNAR-SE DROGAS QUE TE DEIXAM DEPENDENTE
http://undigitize.me/2013/08/07/do-nothing-to-get-a-free-beer/
Um artigo na "The Economist" diz que precisamos fazer dieta digital, pois estamos dependentes de nossos "smartphones". Ou, para sermos explícitos, drogados por eles.
Informa também que uma empresa teve um sucesso extraordinário oferecendo uma cerveja gelada para quem ficasse três minutos com o "smarthphone" desligado. Já há bares em que você chega e entrega o "smartphone" para ser guardado num daqueles armários de sauna, onde se põe a roupa. Você põe o smartphone lá e volta para o bar, para conversar com os que estão lá, também sem "smartphones".
O artigo, muito bom, por sinal, exemplifica sua tese com um filme com Dirk Bogard intitulado "The servant" (1963), baseado num romance do escritor britânico Robin Maugham (1916-1981), que o escreveu sob influência de sua homossexualidade ou bissexualidade: na trama o dono da casa dispensa a namorada e fica com o empregado. Foi levado ao cinema por Harold Pinter. Se interessar, leia o resumo em inglês, abaixo:
Tony (James Fox), a wealthy young Londoner, hires Hugo Barrett (Dirk Bogarde) as his manservant. Initially, Barrett appears to take easily to his new job, and he and Tony form a quiet bond, retaining their social roles. Relationships begin shifting, however, and they change with the introduction of Susan (Wendy Craig), Tony's girlfriend, who seems to be suspicious of Barrett and to loathe all he represents.
Barrett brings Vera (Sarah Miles), whom he presents as his sister, into Tony's household as a maidservant, but it emerges that Vera is actually Barrett's lover. Through Barrett's and Vera's games and machinations, they reverse roles with Tony and Susan; Tony becomes more and more dissipated, sinking further into what he perceives as their level, as the "master" and the "servant" exchange roles. In the final scene, Tony has become wholly dependent on Barrett, and Susan is exiled permanently from the house.
sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014
COPA DO MUNDO: LÁ VEM A ARGENTINA
É o 8º maior país do mundo, mas tem apenas cerca de 40 milhões de habitantes. E disputou quatro finais da Copa do Mundo: foi duas vezes campeã (1978 e 1986) e duas vezes vice-campeã (1930 e 1990).
Narrativa lendária diz que o país se chama assim porque os primeiros navegadores acharam que as águas do grande rio estavam carregadas de prata, tanto que o denominaram Rio de la Plata (Rio da Prata).
Não era prata. Eram enormes cardumes de um peixinho de apenas 25 mm, chamado argentina, por ser de cor prateada. “Argentum”, em Latim, é prata.
Historiadores, porém, acham que experientes navegadores não se enganariam a esse ponto. Deram ao rio Paraná-guazú, como os índios o conheciam, o nome de Rio de La Plata, porque viram índios nas margens carregando em esse metal em grandes quantidades.
Mas ao desembarcar, na margem onde hoje fica o Uruguai, os exploradores foram todos mortos, inclusive o chefe da expedição, Juan Díaz de Solís, por índios charruas, os mesmos que estavam com a prata roubada de expedicionários portugueses aos quais eles tinham acabado de matar para roubar aquela prata toda.
Todavia quem primeiro chamou a Argentina de Argentina foi o arcediago da Igreja do Paraguai, Dom Martín del Barco Centenera (1535-1605), homenageado numa das estátuas do Monumento à Espanha, em Buenos Aires, num livro chamado “Argentina e a conquista do Rio da Prata, com outros acontecimentos dos reinos do Peru, Tucumán e do Estado do Brasil”. Naquele tempo era costume dar títulos compridos às publicações. Arcediago, autoridade eclesiástica subordinada ao bispo, é um cargo que não existe mais na hierarquia da Igreja.
Quanto à capital, Buenos Aires, a província e a cidade têm este nome porque ao desembarcarem ali os colonizadores teriam se surpreendido favoravelmente com os bons ares da região. E talvez também por levarem com eles uma imagem de Nossa Senhora de Buen Aire. Essa Virgem era variante da luso-brasileira Nossa Senhora da Candelária, chamada também Nossa Senhora das Candeias.
Em fins do século XVIII, o Vice-reinado do Rio da Prata, tendo Buenos Aires por capital, abrangia, não apenas a Argentina, mas também o que hoje são o Chile, a Bolívia, o Paraguai e o Uruguai. Ajudados por Napoleão, que invadira a Espanha e derrubara o rei Fernando VII, eles proclamaram a independência em 1810. Afinal não poderiam ser vice-reis de rei deposto!
A bandeira da Argentina tem um Sol bonito no meio. E o hino tem apenas 12 versos, uma estrofe com oito, e um coro com quatro.
Os argentinos foram campeões na casa deles, em 1978. Nós, não! Já perdemos em nossa casa em 1950, e perder de novo seria o caos. Ainda mais que o Brasil está pagando o olho da cara pela Copa de 2014. (xx).
º escritor, colunista da Bandnews, professor (aposentado) da UFSCar (SP) e consultor das universidades Estácio (RJ) e Unisul (SC). Autor de 34 livros, entre os quais De onde vêm as palavras (17ª edição). www.lexikon.com.br
segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014
ETIMOLOGIA DE CHUVA, PLUVIOMÉTRICO, PLUVIAL ETC.
A chuva, tão esperada, chegou! Mas se o que cai do céu, esteve antes no mar, por que a chuva não é salgada como a água de onde ela saiu ao subir? Sobe salgada e desce doce?
Mais: ao sair de casa levamos guarda-chuva ou sombrinha? Há um conceito embutido nas palavras. O guarda-chuva e a sombrinha nos protegem da chuva e do sol...Como diz a Pollyanna, limitarei um pouco os hiperlinks, como ela chama minhas janelinhas...
Dizemos CHUVA, mas ela não é medida pelo índice "chuviométrico", mas, sim, pelo índice PLUVIOMÉTRICO. Isto porque a língua portuguesa não veio pouco do Latim culto, e muito do Latim vulgar. Não tanto o latim escrito, mas o latim falado, que depois passou ao Português escrito, como palavras do Português escrito passaram para o Português falado, nem sempre como facilidade.
Como o Latim vulgar nem sempre predominou nos registros e anotações, as águas da chuva não são águas "chuviais", mas águas PLUVIAIS. E essas águas não são escoadas pela rede "chuvial" da prefeitura, mas pela rede PLUVIAL. E deixam a cidade pela rede de galerias PLUVIAIS e aí temos uma outra palavra curiosa: GALERIA, originalmente o átrio de um igreja onde ficavam gentios (judeus, não cristãos) a serem convertidos para entrarem na igreja propriamente dita. E por ali saírem! E este lugar chamava-se GALERIA porque era comparado à GALILEIA, região oposta à JUDEIA, berço do povo eleito em Israel.
Nas outras línguas que vieram do Latim, as escolhas consolidadas foram outras: lluvia, em Espanhol; pluie, em Francês; pioggia, em Italiano, mas "piovere" para chover. No Inglês, é rain, como no Alemão é Regen, também do Latim, mas de outra palavra, regare, que deu irrigar em Português.
Em resumo, reitero que há muitos conceitos embutidos nas palavras. Para se proteger dela, usamos o GUARDA-CHUVA, que o Espanhol chama de paraguas; o Italiano de ombrello (do Latim umbra, sombra); o Francês de parapluie; o Inglês de umbrella (sombrinha, vinda do Latim umbra, sombra); o Alemão de Regenschirm (guardar e proteger-se a chuva, pois o étimo de GUARDAR veio do Germânico antigo warden, cuidar, vigilar, hoje wärten, no Alemão moderno, esperar, proteger, cuidar, como abajur para a turma do Schumacher é Lampenschirm, guardar ou proteger a lâmpada, quando para o Francês é suavizar, quebrar, como deixa claro em abat-jour, abater o dia, quebrar o dia, regular a luz da lâmpada como se regulava o Sol que entrava pela janela.
Mas quando se trata da chuva, a proteção é providenciada fora de casa. A menos que haja goteira dentro de casa, do latim gutta, gota.
sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014
POR FAVOR, ME PASSE O SAL! OBRIGADO!
Judas acabou de derrubar o saleiro e segura firme a bolsa com as moedas. Ele era o tesoureiro da campanha de Jesus, administrava as finanças e certa vez repreendeu Maria Madalena ((ou talvez outra Maria, dentre as as mulheres que seguia o Mestre) por lavar os pés do Mestre com bálsamo para enxugá-los depois com os cabelos, um gesto, aliás, um tantinho libidinoso. Judas diz que aquele bálsamo poderia ser vendido por 300 denários para serem dados aos pobres...São João diz: "O traidor dizia isso porque era ladrão e furtava o dinheiro que era recolhido...".
Judas está ao lado dela na Última Ceia, segundo antiga heresia apócrifa, tornada mundialmente conhecida pelo filme O Código Da Vinci, baseado no romance homônimo do jornalista americano Dan Brown. A figura loura e linda, com traços femininos, não pode ser São João…
Quando Da Vinci a Última Ceia numa parede do Convento Santa Maria Delle Grazie, em Milão, na Itália, o sal derramado já era uma superstição conhecida. E, além do mais, ele tinha uma pendenga com o prior do convento, que o apressava e repreendia com muita frequência, reclamando que o artista trabalhava pouco, pois ficava longas horas contemplando as diversas etapas do quadro que um dia ficaria tão famoso. Até que o gênio deu a primeira de suas duas respostas ao pior, então no papel de gestor, responsável por remunerar o artista: “os homens de gênio às vezes produzem mais quando menos trabalham, pois esta é a hora em que elaboram invenções e formam em suas mentes as ideias perfeitas que depois expressam e reproduzem com as mãos”. A outra resposta? Judas tem a cara do prior!
Aliás, Michelângelo também utilizava este recurso de deboche. No teto da Capela Sistina podem ser reconhecidos no Juízo Final vários de seus desafetos entre os que foram lançados ao Inferno.
Não foi apenas na pintura evidentemente que os criadores se vingaram. Também Dante Alighieri colocou no Inferno o papa Celestino V, por renunciar, e muitos inimigos, com muito menos disfarces, pois são identificados pelos nomes de sua vida civil, militar ou eclesiástica.
O detalhe do sal na Última Ceia nos revela muito. E comprova a superstição de que sal derramado na mesa já dava azar naquela época.
Da Vinci e Lutero, que aboliu o sal no batismo dos protestantes, foram contemporâneos. Entre os católicos, o sal esteve presente no batismo até 1973. Afinal, o sal combate a corrupção, que é tudo o que o Diabo quer.
O sal gerou outras crenças curiosas. Era tido como afrodisíaco e remédio contra a impotência sexual. Em antigas gravuras francesas, mulheres de várias classes sociais aparecem esfregando sal nas partes íntimas dos maridos para restabelecer seu interesse por elas. Fariam melhor homens e mulheres se caprichassem mais na higiene…
O ”sal” está também em “salário”, pois os primeiros pagamentos foram feitos em sal, do contrário a família morreria de fome, mesmo com a despensa cheia, pois os alimentos apodreceriam. E em “salvar” e “salvador”, que originalmente foi apenas o “salgador”, encarregado de salgar os alimentos.
O sal é do bem, não é inimigo da Humanidade!
º escritor, colunista da Bandnews, professor (aposentado) da UFSCar (SP) e consultor das universidades Estácio (RJ) e Unisul (SC). Autor de 34 livros, entre os quais De onde vêm as palavras (17ª edição). www.lexikon.com.br
quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014
HISTÓRIA DA CANETA
RESUMO DO ÁUDIO do "PITADAS DO DEONÍSIO", hoje, na Bandnews com Pollyanna Bretas e Maíra Gama, às 20h30.
1) Os EUA gastaram milhões de dólares para criar uma caneta para que os astronautas pudessem escrever de qualquer posição, até de pernas pra cima no espaço. A URSS deu lápis aos astronautas russos...E não gastou nada!
2) Na volta às aulas, uma reflexão sobre a CANETA. O Inglês ainda diz PEN, presente em PEN DRIVE. Começamos com giz, lápis, depois passamos a penas de ave, molhadas em tinta para escrever. Depois foi inventada a pena de aço, espetada num pedaço de bambu, taquara ou madeira, e molhada no tinteiro. Foi quando ela ganhou o nome de CANETA, do mesmo étimo de CANIÇO. Mas era o terror das mães: manchas de tinta na roupa branca eram frequentes e era preciso usar mata-borrão.
3) Tudo foi resolvido quando o judeu húngaro Laszló Biró inventou a esferográfica. É por isso que na Argentina, no Paraguai e no Uruguai, esferográfica chama-se "birome". Um presidente da Argentina está envolvido no financiamento da invenção. Depois que a patente foi vendida ao francês Marcel Bich, para facilitar a pronúncia a caneta virou BIC. E não Bich, mais difícil de dizer.
4) Nos EUA, a patente foi vendida a Eversharp-Faber. A esferográfica ganhou o mundo pelo preço: as similares custavam R$ 10; a BIC começou a ser vendida a 29 centavos de dólares e clogo estava a apenas 10 centavos! (xx).
sábado, 8 de fevereiro de 2014
UM DA BOIT FALA DE PIZZOLATO
Já tinha escrito esta crônica sobre a fuga cinematográfica do ex-diretor do Banco do Brasil, Henrique Pizzolato, preso em Pozza di Maranello, na Itália, depois de ter usado os documentos do irmão morto, mas todos os dias surgem novidades estranhíssimas sobre o caso, e pedi ao Marcos Escrivani, meu editor no Primeira Página, para substituir a coluna por esta que agora segue.
Mas antes lembremos que pozza em italiano quer dizer poça. E que Maranello deriva de Marano, um sobrenome vindo de “marano”, navio mercante dos séculos XV e XVI. Pizzolato é um sobrenome tipicamente italiano. Começou designando pessoas de cavanhaque. Elas viviam de renda e por isso Pizzolato ganhou esse significado. O étimo está presente também em pizzo, quantia periódica que os comerciantes pagavam ou pagam para a máfia proteger seu comércio.
Os sobrenomes começaram por acrescentar ao nome algo que diferenciasse a pessoa ou sua família de outros com os mesmos nomes. Assim surgiram os sobrenomes alemães Schumacher (sapateiro), Schneider (alfaiate) e Schreiber (escrivão), o que faz a Manuela, minha filha, radicar sua genealogia num cartório de além-mar, pois Soila descende de escrivães alemães…Depois ela casa com Rodrigo, um Ribeiro que é descendente remoto de Ana de Jesus Ribeiro, que se casou com italiano Giuseppe Garibaldi e desde então virou Anita Garibaldi.
Pois “Deonísio da Silva” esconde o sobrenome italiano de minha mãe. De vez em quando os Maffei me perguntam de meus antepassados italianos, escondidos atrás do “da Silva”, pois um deles está escrevendo a história dos imigrantes italianos de São Carlos.
Pois bem! Todos nós temos outros nomes e sobrenomes, dos quais pouca gente sabe. Quando encontro amigos e com eles converso, penso nisso. Por exemplo: Dutra parece tão português, mas sua origem remota é o holandês Utrecht. "O gajo é d´Utrecht". Virou Dutra!
Só para ficar em sobrenomes de alguns amigos que muito prezo: de Cresci, Scanavez, Venusso, França, Aguiar, Altomani (o prefeito), Helena e Carlos Aguiar, Lígia e Péricles Trevisan, Joyce e Miro Pedrino (sempre tão gentis comigo quando vêm ao Rio) etc. Aliás, li em algum lugar que “etc” quer dizer em Inglês “end of thinking capacity” (fim da capacidade de pensar), variante do Latim “et cetera” (e outras coisas). Vou parar de citar!
Mas o que o meu “da Silva” esconde? Meu bisavô materno era italiano. Chamava-se Alessandro da Boit. Nasceu em Polpet di Ponte nelle Alpi e em fins do século XIX chegou a Santa Catarina já viúvo, apesar de muito jovem. A mulher morrera durante a travessia do Atlântico e tinha sido jogada ao mar. Em 1902, aos 40 anos, casou-se com Celestina Comin, de apenas 20, também imigrante italiana, natural de Belluno.
Evitei o assunto Pizzolato? Bom domingo a vocês todos!
º escritor, colunista da Bandnews, professor (aposentado) da UFSCar (SP) e consultor das universidades Estácio (RJ) e Unisul (SC). Autor de 34 livros, entre os quais De onde vêm as palavras (17ª edição). www.lexikon.com.br
terça-feira, 4 de fevereiro de 2014
QUALQUER UM PODE SER MINISTRO, NEM TODOS PODEM SER PROFESSORES!
Professor exerce o magistério, palavra que tem o mesmo étimo de magíster, do Latim "magister", presente também em magistrado, magistratura, tecendo vínculos entre quem ensina, faz e julga o que é melhor. É também o étimo de maestro, do Latim "magister" pelo Italiano "maestro. Na antiga Roma, quem era "magister" estava qualificado, por seus conhecimentos e habilitações, a educar, ensinar, julgar, fazer, conduzir.
Exemplos: "magister equitum" designava o chefe de cavalaria. "Magister militum", o chefe militar.
Já ministro veio do Latim "minister" (era marca de cigarro até recentemente, não sei se ainda é...). Seu étimo remoto é "minus", "menos" ou "menos do que". "Minister" designava o servente que recebia ordens e cumpria tarefas: do chefe de cozinha, do chefe de limpeza, do chefe daqueles que tratavam e cuidavam dos cavalos etc.
UM EXEMPLO QUE VEM DA ALEMANHA ( em Espanhol)
Muy interesante ! ¿Por qué en Alemania no hay Wal-Mart? El pais que no tiene Wal-Mart En las principales calles y centros comerciales de Alemania, nación más rica de Europa y con uno de los PIB´s per cápita más altos del mundo no hay Wal-Marts. Cuando la cadena intentó posicionarse en este país con su lema: “Ahorras dinero y vives mejor” (Save money, live better) la sociedad y sus leyes que son de las más robustas del mundo, decidieron no ceder paso al gigante de Sam Walton, tanto que la transnacional con más de 6,500 tiendas y 175 millones de clientes a la semana no pudo con la cortina de hierro alemana. ¿La pregunta es por qué? Primero Walmart afectaría irremediablemente a muchos pequeños negocios locales (VALOR DEL AMOR hacia sus conacionales). Para los alemanes, lo local es lo mejor y lo local es y debe ser de calidad. Confían en sus productos y en su gente, desconfían de lo que viene de fuera. En caso de que un producto local falle, exigen enérgicamente a los dueños calidad ya que “Made in Germany” es una cuestión de orgullo y patriotismo. Las marcas locales Alemanas son conocidas por ser de alta calidad: Bosch, SIEMENS, Mercedes Benz, BMW, Porsche, Volkswagen, Osram, Playmobil son algunos ejemplos. El refresco de cola más popular no es Coca Cola, el ganador se llama Fritz Cola Hamburg (Una marca de refresco de cola local con etiqueta de papel y sabor tradicional) Lo mismo sucede con los cereales, las cervezas y los servicios. Por otro lado, las políticas de la multinacional no fueron bien aceptadas. No fue bien visto por ejemplo la “Línea de denuncias anónima para delatar faltas al reglamento”. En Alemania nadie te checa si haces las cosas bien o mal (VALOR DE LA CONFIANZA). Los soplones no son bien vistos. La honestidad es cuestión de prestigio e imagen. También fue rechazado por la corte el punto que prohíbe que 2 empleados tengan relaciones amorosas. – ¿Quiénes somos nosotros para prohibir que 2 personas se enamoren? (VALOR DE RESPETO hacia derechos individuales). No fue bien vista tampoco la política de contratar a gente mayor para abrir las puertas y dar la bienvenida a las tiendas ya que la tercera edad es venerada por su conocimiento y experiencia y no se les da trabajo por lástima (VALOR DEL RESPETO hacia las personas de la tercera edad) Otro más a la lista: En Alemania está prohibido el Dumping (Vender por debajo del costo para atraer clientes), práctica muy común que cobra todos estos ahorros de las “promociones y descuentos” a los proveedores, llevándolos en algunas ocasiones a dejar de lado sus utilidades con tal de seguir vendiendo (VALOR DE LA HONESTIDAD). Para ellos, lo bueno cuesta y si es muy bueno, cuesta mucho. Esto anima a las personas a hacer cosas buenas ya que saben que su trabajo será valorado por los demás. Me llama la atención como una comunidad fue más poderosa que una marca transnacional y como no siempre el dinero es lo que manda en una relación comercial. Existimos para ser felices con lo que hacemos. Primero que nada necesitamos salud, amor y poder compartir nuestro tiempo y nuestros intereses con nuestros seres queridos. El dinero viene después. Saber decir que no, es una importante habilidad de negocios. Curiosamente cuando no se traicionan los valores, el dinero llega solo. Alemania fue destruida completamente 2 veces, hoy es la 4ta economía del planeta con un ingreso per-cápita mensual (Cantidad promedio que gana cada alemán al mes) de $3,900.00 dólares, una población de 80 millones de habitantes y uno de los índices GINI (índice que mide la desigualdad) más bajos del mundo. Te gustó este articulo ? Compártelo!
sábado, 1 de fevereiro de 2014
SUPOSTOS E SUSPEITOS NA ORDEM DO DIA
Supostos e suspeitos na ordem do dia
A vida privada não pode ser pauta da mídia, mas, quando está em questão o interesse público, é bom lembrar que no passado os políticos tinham ao menos vergonha na cara
DEONÍSIO DA SILVA
Publicado em O Globo, 01 fev 2014, p. 21
Vários profissionais estão desconcertados com o português de boa parte da mídia, mas não apenas com erros de ortografia, mais leves; ou de sintaxe, mais graves, por ferirem a lógica e confundirem os leitores. Sua perplexidade é com ataques absurdos como o seguinte: o bandido é flagrado com arma na mão, confessa o crime diante de câmeras e microfones, sem nenhum tipo de coação, e, às vezes, reconhece, orgulhosamente, que o sujeito filmado pelos sistemas de vigilância de lojas ou residências é ele, sim, o meliante. E ainda assim boa parte da mídia o denomina “suposto assaltante”, “suspeito de crime” e outras delicadezas.
Escrever bem começa pelo seguinte: dar às coisas o nome que as coisas têm. E não é só em relação a assaltantes e gatunos, não. São assustadoras as indulgências concedidas a esses políticos corruptos. Elas são mais perigosas do que aquelas dadas aos bandidos comuns. Quando vão parar nos presídios, irrompe na cena a cara de pau adicional de simular esmolas recebidas para lhes custear as multas aplicadas pela autoridade competente. Esmolas de meio milhão de reais! O Brasil acaba de criar o mendigo de elite, que é o bandido político.
Gozam dos benefícios dos eufemismos citados também políticos de outros países. “Suposto” e “suspeito” vêm sendo palavras curingas e têm servido para tudo, principalmente para substituir o que significa outra coisa.
Suposto quer dizer admitido por hipótese. Deixamos a palavra ali embaixo de “posto”, aguardando que a verdade seja apurada. Suspeito tem o significado de alguém do qual desconfiamos, que tenha feito algo que ele até pode negar. Porém, quando supostos e suspeitos admitem ou confessam, sem coação nenhuma, que foram os autores do que lhes é atribuído, eles não são mais suspeitos nem supostos.
Podemos fazer pouco, mas podemos ao menos contar ao distinto público as coisas como as coisas são. E para isso as palavras são outras, a sintaxe é outra, a lógica é outra.
É preciso que profissionais da fala e da escrita voltem aos bancos escolares ou ao menos façam algumas oficinas que lhes ensinem a escrever! Eles lidam com uma ferramenta, já caracterizada também como arma, cujos poderes foram reconhecidos por generais que se destacaram em batalhas memoráveis, algumas das quais mudaram o mundo. Eles diziam temer mais a pena do que a espada!
A vida privada não pode ser pauta da mídia, mas, quando está em questão o dinheiro público ou o interesse público, daí é bom lembrar que no passado os políticos tinham ao menos vergonha na cara. Um destes casos resultou no filme “Escândalo” (1989). Na Inglaterra dos anos 60, John Profumo era ministro da Guerra e namorava a modelo e corista Christine Keeller, que dormia também com o adido militar russo naquele país, Yevgeny Ivanov. Alertado pelo Serviço Secreto Inglês, Profumo deu fim ao caso, escrevendo à amante.
Ela seguiu sua vida. Posou pelada para uma revista e ganhou algum dinheiro. E aconteceu uma coisa curiosa: quem ficou mais famosa e vendeu bastante dali por diante foi a cadeira em que ela foi fotografada, a chaise 3107, do arquiteto e decorador dinamarquês Arne Jacobsen, por esconder seios e baixo ventre da moça e assim respeitar os códigos da censura daquela época. Ele renunciou à política e foi trabalhar de faxineiro em serviços comunitários.
Hoje não seria assim. Depois de receber mesadas vindas do dinheiro público, amantes de políticos influentes, do Executivo e do Legislativo, seguem gozando dos benefícios da impunidade. Delas mesmas e de seus protetores. Eles, quando ameaçados de perder o mandato, renunciam. E depois voltam ao antigo posto ou a um novo, consagrados pelo voto! A culpa é dos eleitores? Não é só deles. É de boa parte da mídia, que em muitos casos não contou as coisas como as coisas foram.
O tempora, o mores (que tempos, que costumes!), exclamou o orador Cícero, de quem no passado todos sabíamos de cor o seguinte trecho de um de seus discursos contra o senador Catilina: “Quo usque tandem abutere, Catilina, patientia nostra?” (Até quando, Catilina, abusarás de nossa paciência?).
Resposta: todos os Catilinas do Brasil vão continuar abusando sempre, ao que parece. Mas aparência e essência não são a mesma coisa. Se fossem, a ciência seria desnecessária e nós não precisaríamos saber de nada!
Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/opiniao/supostos-suspeitos-na-ordem-do-dia-11469464#ixzz2s3baKxWu
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sexta-feira, 31 de janeiro de 2014
JESUS VISTO POR UM MUÇULMANO
O bife à cavalo, com dois ovos sobre a carne, tem uma história obscena. Recebeu este nome por comparação com o cavaleiro, que viaja com os testículos sobre o lombo do animal. Não pensaram em amazonas, a não ser que a cavaleira não fosse exatamente mulher, mas um transexual, também designado travesti, traveca, traveco, travecão etc.
O bife à Camões é pior ainda, pois sua denominação é politicamente incorreta. Um ovo num dos cantos do bife faz referência ao fato de ter sido cego Luís Vaz de Camões, o maior poeta da língua portuguesa. Ele perdeu o olho na Batalha de Ceuta, travada na África. Até hoje persistem dúvidas se era cego do olho direito ou do esquerdo, pois alguns livros trazem seu daguerreótipo impresso pelo negativo.
Não me sinto autorizado a escrever um livro sobre um grande cozinheiro. Nada entendo de culinária, não sei mais do que fazer um bife, fritar um ovo, providenciar um macarrão simplório ou um arroz, como poderei examinar em detalhes o praticante de um ofício que não conheço? Os leitores terão mais proveito se eu fizer uma dessas duas coisas: dar a origem do nome dos pratos ou escrever uma historinha cujo tema seja cada um deles. Esta ponderação já havia sido feita por muitos quando José Saramago, ateu confesso, escreveu o Evangelho de Jesus Cristo.
Esses pensamentos me vieram à mente quando lia Zelota: a vida e a época de Jesus de Nazaré, do muçulmano Reza Aslam, autor e professor universitário de 41 anos, nascido no Irã, que vive nos EUA.
Como cheguei a esse livro? Não foi pelas resenhas da mídia brasileira. Depois que aprendi seu mecanismo, muito pouco profissional desde já há alguns anos, não as leio mais. Presto entretanto muita atenção ao que os próprios autores dizem quando entrevistados. Por exemplo: não vou perder o Roda-Viva da próxima segunda-feira, com Romeu Tuma Júnior, autor do livro Assassinato de Reputações (Editora Topbooks), escrito em parceria do jornalista Cláudio Tognolli. O jornalista Augusto Nunes, craque no ofício, já avisou: “não haverá perguntas proibidas nem respostas incômodas”.
Como a gente chega então a um livro? Pois no caso de Zelota devo a sugestão a Affonso Romano de Sant´Anna. Ressalvadas irritantes imprecisões da tradução, como chamar Ananus o Sumo Sacerdote Ananias, há muito o que aprender no novo olhar sobre Jesus, lançado por esse livro.
Zelota, entretanto, não chega aos pés de Vida de Jesus, do francês Ernest Renan, que no Brasil influenciou tantos intelectuais, cristãos ou ateus, ao revelar nuances do lado humano de Jesus.
Eis duas frestas. Jesus fez sucesso porque seus milagres eram gratuitos! O autor diz que houve muitos messias na época e eles cobravam por seus prodígios.
Mas se Jesus foi apenas mais um, por que dividiu o mundo entre antes e depois dele, e os outros não?
Vou reler Ernest Renan!
º escritor, colunista da Bandnews, professor (aposentado) da UFSCar (SP) e consultor das universidades Estácio (RJ) e Unisul (SC). Autor de 34 livros, entre os quais De onde vêm as palavras (17ª edição). www.lexikon.com.br
sexta-feira, 24 de janeiro de 2014
QUE NOS DIZEM NOMES E SOBRENOMES
Fomos descobertos por Pedr´Álvares Cabral e outro Cabral governa o Rio. Ancestrais deste sobrenome tinham muitas cabras. Ou moravam perto delas!
Outro Pedro, o Alcântara, ponte em Árabe, proclamou nossa independência. Deodoro da Fonseca (fonte seca) nos fez republicanos. Na presidência da República, Cardoso, adjetiva planta com espinhos. E antecedeu a Lula, um molusco.
Não escolhemos nomes e sobrenomes! Se escolhesse, queria ter José no nome, por admirar a São José, que não diz uma única palavra em toda a Bíblia. Apenas faz o que é necessário.
Um anjo aparece-lhe em sonhos e diz que a gravidez de Maria se deve ao Espírito Santo. Ao acordar, José abandona as desconfianças. Acredita em Maria, que engravidou sem dar para ele. E depois acredita no anjo. Era realmente um homem de boa-fé.
A mando do anjo de novo, vai para o Egito, fugindo de Herodes, e volta para Nazaré, sempre por ordem de anjos, em sonhos. Bem antes de Freud, ele sabia que os sonhos trazem avisos aos quais se deve prestar atenção!
Se José estivesse vivo quando Jesus foi crucificado, a História da Salvação mudaria: o pai salvaria o filho da cruz! Ele sempre o salvou! É meu modelo de pai, aliás. Em vez de falar, faz!
E deve ter cuidado de outros filhos. Um homem executado por apedrejamento no século I, é identificado como “Tiago, irmão de Jesus, o que eles chamam messias”. Há poucos anos, arqueólogos acharam sua urna funerária nos arredores de Jerusalém.
No Brasil, em honra do casal, temos 14 milhões de Marias e 8 milhões de Josés. Só nos CPFs. Devem existir muitos mais. Maria tem o significado de amada de Amón, o principal deus dos egípcios. No Hebraico, virou Míriam. José veio do Hebraico Yôseph. Quer dizer Yavé, um dos nomes de Deus, acrescenta.
Maria e José não tinham sobrenomes. Nem Jesus os teve! Também não tinham sobrenomes outros que tiveram mortes semelhantes à de Jesus: Teudas, Atronges, Ezequias, Judas Galileu e seu neto Menahem, Simão, filho de Giora, e Simão, filho de Kochba, e O Samaritano. Em comum, todos se proclamaram reis ou messias.
São seis os principais motivos de nossos sobrenomes:
1) o lugar onde viviam nossos ancestrais: quem morava em cidades perto de matas era Silva; e eram Campos, se ali viviam; no litoral, eramCosta;
2) honras recebidas: Valente, Nobre e Bandeira remetem a comportamentos, principalmente em batalhas;
3) Aparência ou ligação com bichos: Barata, Cão, Coelho, Peixoto (peixinho), Lobato (lobinho);
4) Religião: o santo do dia é seu nome;
5) Profissão: os Penteado usavam ou fabricavam perucas, costume copiado de franceses e ingleses;
6) mesmo nome de familiares: Neto, Filho ou Júnior, Sobrinho, Genro.
E Jesus, se não teve filhos, teve sobrinhos! Obras como O Código Da Vinci insistem em que ele foi casado e teve filhos! Não acredito! Não aparece uma única mulher com ciúme dele!
Enfim, nomes e sobrenomes dizem mais do que podemos supor. (xx)
º escritor, colunista da Bandnews, professor (aposentado) da UFSCar (SP) e consultor das universidades Estácio (RJ) e Unisul (SC). Autor de 34 livros, entre os quais De onde vêm as palavras (17ª edição). www.lexikon.com.br
segunda-feira, 20 de janeiro de 2014
ROLO, XAVECO, PEGUETE, PERIGUETE, PERIEX, XAVECAR: DE ONDE VIERAM ESSAS PALAVRAS?
Essas palavras surgiram recentemente: peguete, periex, periguete, rolo, xavecar e xaveco.
A periguete tem aparência, comportamento e um modo de vestir, de calçar e de andar muito especiais. Ela é fruto de um novo comportamento feminino, dissidente do feminismo e da ordem estabelecida. Sexualmente livre, ela ameaça o casamento das outras e as uniões estáveis. A periguete não quer casar, ela só quer transar, que é um verbo de sentido comercial, como indica o étimo, que é o mesmo de transação. Em recentes telenovelas novelas, as atrizes Ísis Valverde e Tatá Werneck viveram periguetes.
Periguete, surgida na Bahia, foi formada de perigosa e girl. Perigosa virou peri, e girl virou guete. Metade Português, metade Inglês.
Já peguete foi formada de pegar, que tem no Português coloquial o sentido de comer, verbo já adaptado, segundo o dicionário Aurélio para “possuir sexualmente; copular com; papar, traçar, faturar”. O Aurélio abona o novo significado com um trecho do romance Dona Flor e seus dois maridos, de Jorge Amado. Não transcrevo o trecho porque, aceitável em livro, não fica bem no jornal.
Quem pega a peguete não quer namorar, noivar ou casar. Ainfda assim, ela aceita dar para o parceiro eventual. O verbo dar também mudou de sentido para designar, segundo o Aurélio, “entregar-se sexualmente”.
Outra palavra que surgiu com novos significados e sentidos é rolo. Designa uma relação que não é casamento, não é namoro, não é noivado, não é mancebia etc. Aparece até no status do Facebook, que requer que a pessoa indique o estado civil, se está num relacionamento sério etc. A mulher informa que estáão de rolo com Fulano ou indicam simplesmente que seu status é enrolada.
Periex, segundo me informa o escritor Zeca Fonseca, filho de Rubem Fonseca, é a perigosa ex-mulher. A peri, de perigosa, foi acrescentado ex, de ex-mulher. Tornou-se perigosa pelas garantias que lhe dão as leis das pensões alimentícias, às vezes aplicadas e levadas a abusos. É um dos dois motivos de dívidas pelos quais o homem pode ser preso. O outro é ser depositário infiel.
Xaveco designava originalmente embarcação muçulmana, muito usada por piratas no Mediterrâneo, entre os séculos XVIII e XIX, segundo nos informa o dicionário Houaiss. Passou depois a designar qualquer navio em mau estado de conservação, sujeito a naufragar ao primeiro contratempo. Daí passou a designar também homem ou objeto de pouco valor. Depois aplicou-se a comportamento imoral, criminoso ou simplesmente cínico.
Por fim, xaveco tornou-se sinônimo de paquera, cantada, ensejando o verbo xavecar, equivalente a paquerar (que veio de caçar paca) e e azarar.
O povo brasileiro cria palavras todos os dias. Elas demoram a chegar aos dicionários, mas isso não impede seu uso, na fala como na escrita.
(*) Escritor, colunista da Bandnews, professor (aposentado) da UFSCar (SP) e consultor das universidades Estácio (RJ) e Unisul (SC). Autor de 34 livros, entre os quais De onde vêm as palavras (17ª edição). www.lexikon.com.br
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