NOME DE POBRE NO BRASIL

sábado, 8 de fevereiro de 2014

UM DA BOIT FALA DE PIZZOLATO

Já tinha escrito esta crônica sobre a fuga cinematográfica do ex-diretor do Banco do Brasil, Henrique Pizzolato, preso em Pozza di Maranello, na Itália, depois de ter usado os documentos do irmão morto, mas todos os dias surgem novidades estranhíssimas sobre o caso, e pedi ao Marcos Escrivani, meu editor no Primeira Página, para substituir a coluna por esta que agora segue. Mas antes lembremos que pozza em italiano quer dizer poça. E que Maranello deriva de Marano, um sobrenome vindo de “marano”, navio mercante dos séculos XV e XVI. Pizzolato é um sobrenome tipicamente italiano. Começou designando pessoas de cavanhaque. Elas viviam de renda e por isso Pizzolato ganhou esse significado. O étimo está presente também em pizzo, quantia periódica que os comerciantes pagavam ou pagam para a máfia proteger seu comércio.
Os sobrenomes começaram por acrescentar ao nome algo que diferenciasse a pessoa ou sua família de outros com os mesmos nomes. Assim surgiram os sobrenomes alemães Schumacher (sapateiro), Schneider (alfaiate) e Schreiber (escrivão), o que faz a Manuela, minha filha, radicar sua genealogia num cartório de além-mar, pois Soila descende de escrivães alemães…Depois ela casa com Rodrigo, um Ribeiro que é descendente remoto de Ana de Jesus Ribeiro, que se casou com italiano Giuseppe Garibaldi e desde então virou Anita Garibaldi. Pois “Deonísio da Silva” esconde o sobrenome italiano de minha mãe. De vez em quando os Maffei me perguntam de meus antepassados italianos, escondidos atrás do “da Silva”, pois um deles está escrevendo a história dos imigrantes italianos de São Carlos. Pois bem! Todos nós temos outros nomes e sobrenomes, dos quais pouca gente sabe. Quando encontro amigos e com eles converso, penso nisso. Por exemplo: Dutra parece tão português, mas sua origem remota é o holandês Utrecht. "O gajo é d´Utrecht". Virou Dutra!
Só para ficar em sobrenomes de alguns amigos que muito prezo: de Cresci, Scanavez, Venusso, França, Aguiar, Altomani (o prefeito), Helena e Carlos Aguiar, Lígia e Péricles Trevisan, Joyce e Miro Pedrino (sempre tão gentis comigo quando vêm ao Rio) etc. Aliás, li em algum lugar que “etc” quer dizer em Inglês “end of thinking capacity” (fim da capacidade de pensar), variante do Latim “et cetera” (e outras coisas). Vou parar de citar! Mas o que o meu “da Silva” esconde? Meu bisavô materno era italiano. Chamava-se Alessandro da Boit. Nasceu em Polpet di Ponte nelle Alpi e em fins do século XIX chegou a Santa Catarina já viúvo, apesar de muito jovem. A mulher morrera durante a travessia do Atlântico e tinha sido jogada ao mar. Em 1902, aos 40 anos, casou-se com Celestina Comin, de apenas 20, também imigrante italiana, natural de Belluno. Evitei o assunto Pizzolato? Bom domingo a vocês todos! º escritor, colunista da Bandnews, professor (aposentado) da UFSCar (SP) e consultor das universidades Estácio (RJ) e Unisul (SC). Autor de 34 livros, entre os quais De onde vêm as palavras (17ª edição). www.lexikon.com.br