NOME DE POBRE NO BRASIL

terça-feira, 30 de abril de 2013

DE JÂNIO QUADROS A MARIA BATALHÃO: AUGUSTO NUNES E DANTE MENDONÇA

Adelaide Carraro é autora de alguns dos 508 livros publicados na ditadura militar, no período pós-64, objeto de minha tese de doutorado, defendida na USP, em 1989, e publicada como livro: Nos Bastidores da Censura: literatura, sexualidade e repressão pós-64! Pois meu querido amigo Dante Mendonça nos brinda hoje com uma bela crônica sobre um fato insólito: um dos trechos do livro EU E O GOVERNADOR tinha sido escrito por um inimigo ou um jornalista a soldo de um inimigo de Jânio Quadros. Eu tenho cada amigo que é uma enciclopédia...Dante, um golaço! Parabéns! Na foto com Jânio aparece Augusto Nunes, outro querido amigo, um irmão! http://www.parana-online.com.br/colunistas/67/96716/ Essas idas e vindas de Dilma Rousseff me fazem lembrar Jânio Quadros! Ah, mas cadê o delicioso estilo barroco? Ele sabia falar e escrever!

sexta-feira, 26 de abril de 2013

SAUDADE: TRISTEZA POR ALEGRIAS PERDIDAS

Espero estar em Florianópolis, n domingo, com ex-colegas de seminário como Wilson Volpato, casado com a artista plástica Arlinda Volpato, autora da capa do meu romance mais recente, Lotte & Zweig. O ofício de escrever me tem dado bons e desinteressados amigos. Autor e leitores não querem fazer negócio algum! Querem apenas usufruir daquilo que um escreveu, e os outros, por escolha da mais absoluta liberdade deles, resolveram partilhar, lendo. Não gosto de proclamar amizades. Mas alguns repórteres que me entrevistaram recentemente, por obra e graça do prêmio com que Legislativo, Executivo e Judiciário resolveram me honrar, nesta segunda quinzena de abril em São Carlos (SP), onde vivi mais de vinte anos, me perguntaram do que é que tenho mais saudade! Algumas saudades são mais rápidas do que sustos. Pego de surpresa, não falei de um dos mais fiéis leitores desta coluna, Fernando Tinton, dono da Ciao Bello, uma cantina de pratos deliciosos, que muito frequentava. Tenho saudades fundas de coisas assim miúdas, querem ver? Um português é surpreendido num bar bebendo, com muita dificuldade, com os braços levantados, tendo numa das mãos um copo. “Mas que é isso, seu Manuel?”. “É que o médico mandou-me suspender a bebida!”. Alguém liga por engano para sapataria de propriedade de um português: “Sapataria Almeida”. “Desculpe, errei o número.” “Não tem importância. Traz o calçado aqui, que trocamos”. Alguém chega apressado à lanchonete, pede um misto-frio e pergunta: “vai demorar?”. “Coisa de uma hora, porque até agora só fizemos mistos-quentes, precisamos aguardar que a chapa esfrie”, responde o garçom português. Um carteiro português, que tem um medo danado de cachorros, hesita diante de uma casa onde ladra um cão furioso. “Pode entrar, o cachorro é castrado”, diz a dona da residência. “Minha senhora, eu tenho medo de que ele me morda, não de que ele me engravide.” E esta: o português está bebendo num clube, na mesa há várias pessoas, uma delas pensa ter-se enganado de copo e pergunta ao português: “este copo é seu?”. “Não, senhor, é do clube”. Pois todas essas piadas de português me foram contadas pelo Fernando Tinton ou pelo Luís Carlos Miele, que trabalhou um tempo na Universidade Estácio de Sá e me contou coisas singularíssimas, inclusive sobre o escritor Rubem Fonseca. Miele e Marcos Palmeira (filho de Zelito Viana, igualmente da Estácio) atuaram em minissérie de TV, baseada na obra de Rubem. Por que Florianópolis? Periodicamente, ex-seminaristas, colegas de adolescência, nos reunimos sob a presidência de Patrício de Sousa, que fabrica massas! E em maio próximo meu tradutor italiano, Giovanni Ricciardi se juntará a nós, não como tradutor, mas como mestre-cuca. Fará macarronadas apreciadas por tutti quanti. Também estará o melhor cronista do Brasil, Sérgio da Costa Ramos, que chama a todos nós de presbíteros. (xx) º Escritor e professor, autor de 34 livros, entre os quais A Placenta e o Caixão (reunião de crônicas aqui publicadas).

sexta-feira, 19 de abril de 2013

BOSTON APAVORADA. E NÓS TAMBÉM!

De brincadeira, faz-se no Brasil um trocadilho entre bosta, do Latim vulgar bostal e bostare, lugar de excremento do boi, e a cidade de Boston. Todavia a gloriosa cidade de Boston tem outra história. Seu nome deve-se a um proprietário de terras conhecido por Botwulf Stone, Botolph´s Stone no Inglês de hoje, e serviu de identificação à vila erguida no século XVII, que depois seria transformada numa referência dos EUA em muitos campos, já com o nome mudado para Boston apenas. Com seis milhões de habitantes, hoje é sede do Condado de Suffolk e capital do estado de Massachussets. É conhecida mundialmente por ser centro industrial, financeiro, comercial e universitário. Nas lutas pela independência americana, ficou famosa a Tea Party (Festa do Chá), evento memorável, ali realizado pela primeira vez em 16 de dezembro de 1773. Os ingleses, por força da revolta dos então colonos, aboliram todos os impostos, menos o do chá. De nada adiantou. A independência veio de qualquer jeito, três anos depois. Na mais recente Maratona de Boston, evento esportivo que a poucos deixa indiferentes, realizada na semana passada, bandidos feriram cem pessoas e mataram vários inocentes, explodindo bombas no meio da população. A cidade sedia grandes equipes de beisebol e de basquete, esportes muito populares dos EUA. As autoridades americanas, como sempre fazem quando desses trágicos eventos, infelizmente frequentes no mundo de hoje, não apenas nos EUA, agiram rapidamente para identificar, prender e encaminhar à Justiça os responsáveis pelos atentados. Quando escrevo essas linhas, dois irmãos chechenos parecem ser os bandidos que perpetraram os assassinatos, os ferimentos, destruições e demais danos havidos nesse fatídico dia de abril de 2013. Aliás, abril tem sido um mês vermelho de sangue também no Brasil. Ano passado, aqui no Rio de Janeiro, no dia 7 de abril de 2011, por volta das 8h30 da manhã, um bandido chamado Welington Menezes de Oliveira, de 23 anos, invadiu a Escola Municipal Tasso da Silveira, no bairro de Realengo, matando doze estudantes, com idade entre 12 e 14 anos. O atentado havido no Instituto Columbine, centro de excelência em educação, deixou 15 mortos, incluindo os dois assassinos, e aconteceu em 20 de abril de 1999, aniversário de Hitler. Seus autores moravam em casas confortáveis, localizadas num subúrbio do condado de Jefferson, no estado do Colorado, nos EUA. Muitas famílias americanas para lá se mudam para que os filhos possam estudar. Nos EUA não há vestibular, os estudantes entram para as universidades de acordo com o desempenho obtido no ensino médio. E Columbine, com cerca de 2.000 alunos, costuma aprovar 82% deles em universidades americanas de qualidade. O pior de tudo é o mundo acostumar-se a tanta violência. E se perguntar por quê? E como vamos resolver isso? Não sabemos! Daí a angústia que toma conta do mundo. (xx) º Escritor e professor, autor de 34 livros, entre os quais A Placenta e o Caixão (reunião de crônicas aqui publicadas).

sexta-feira, 12 de abril de 2013

PLÁGIO É CRIME CONTRA AUTOR E LEITOR

Dia 15, domingo, às 20h, no Teatro Municipal, a convite da OAB de São Carlos (SP) e da Escola Paulista de Magistratura, falarei de Plágio: sua história, métodos e como nos defendemos dele. Mas por que uma conferência sobre plágio? Um dos primeiros a prestar atenção ao fato de o plágio estar nascendo como tema solar da atual crise ética que atravessamos foi o Dr. Paulo Scanavez, juiz que coordena o Núcleo da EPM em Ribeirão Preto (SP), cujo coordenador adjunto é outro juiz, o Dr. Carlos Castilho Aguiar França, ambos de brilhante atuação na magistratura, há muitos anos. Vou dar um aperitivo da palestra nesta crônica. Os fatos que me chamaram a atenção para o tema são gravíssimos. Eu mesmo o senti muitas vezes, como picadas de mosquitos da dengue que entretanto não me azucrinavam mais do que o incômodo de ser picado. E era até consolado: “Você está famoso, as pessoas gostam de assumir que escreveram os seus textos, é um tributo que a mentira paga à verdade etc.”. Como sabem, há décadas pesquiso a história, o berço e a viagem que as palavras fazem em nossa língua portuguesa e publico minhas descobertas, sempre amparadas em sólidas bibliografias e em métodos pertinentes. E também livros que são referência sobre os temas. Eu já era muito plagiado na internet quando em 2006 comprei o livro A fascinante origem das frases populares, da Editora Garamond, sem autor. Em casa, ao começar a ler, vi que a primeira página me soava familiar. E assim a segunda, a terceira, enfim todas tinham sido plagiadas de meu livro A vida íntima das frases, constantemente reeditado em várias editoras, hoje na Novo Século. Também a editora tinha sido enganada. Em 2005 um autor apresentara um livro que eu publicara em 1997 como sendo dele! Diversos trechos tinham saído antes na Caras e no Primeira Página. Plágios recentes são noticiados todos os dias. O rabino-chefe da França, Gilles Bernheim, de 60 anos, confessou na semana passada, dia 11, que plagiou vários autores e mentiu ao informar em seu curriculum vitae títulos que não tinha. Mas renunciou depois de reunião de emergência, em Paris, do Consistório Israelense Central, a principal organização judaica da França. “Ele reconheceu seus erros, pediu desculpas e deu explicações”, disse o vice-presidente do consistório, Sammy Ghoslan. Shakespeare plagiou Plutarco em Júlio César, e Matteo Bandello e Arthur Booke, em Romeu e Julieta. Depois, William Davenat, filho bastardo de Shakespeare, abandonado pelo pai no testamento, confiscou, mediante plágio, parte do que lhe era devido. Na segunda-feira, eu conto mais no Teatro Municipal, às 20h. E enfim vou receber o título de Cidadão Honorário de São Carlos, proposto por Azuaite Martins de França, aceito por unanimidade dos vereadores da época e que me será entregue pelo atual presidente da Câmara, Marquinho Amaral. Ah, são demais os perigos e as idas e as vindas dessa vida! (xx) º Escritor e professor, autor de 34 livros, entre os quais A Placenta e o Caixão (reunião de crônicas aqui publicadas).

quinta-feira, 11 de abril de 2013

PALESTRA SOBRE PLÁGIO E DE ONDE VÊM AS PALAVRAS

"Plágio: sua história, métodos e como nos defendemos dele" será o título da conferência que ministro às 20h, dia 15 de abril, segunda-feira, em São Carlos, São Paulo. A plateia será constituída de advogados, juízes, servidores do Judiciário, universitários de Direito, Letras, Pedagogia, alunos do 3º ano do Ensino Médio. Estará presente também a Presidente da 30ª Subseção da OAB, Dra. Isabel Marcomini. O Teatro Municipal de São Carlos incluiu o evento em sua programação deste ano. O projeto é apoiado pelo Professor Ney Vilela, Secretário da Cultura; Maria Alice, Diretora do Teatro, os juízes Dr. Paulo Scanavez e Dr. Carlos Castilho, respectivamente diretor e diretor-adjunto do Núcleo de Ribeirão Preto da Escola Paulista de Magistratura. A Livraria Nobel ,do Shopping Iguatemi, lá estará com livros de minha autoria. Na terça-feira, dia seguinte, falo à noite, no SESC, às 19h30, sobre outro tema: DE ONDE VÊM AS AS PALAVRAS - Frases e curiosidades da Língua Portuguesa, celebrando material inédito da 17a edição do livro homônimo, meu bestseller.

segunda-feira, 8 de abril de 2013

A NOVIÇA DEU O CORPO E OS OUTROS BENS. E DOCUMENTOU O PORTUGUÊS!

Ano 1198! Século XII! A língua portuguesa existia há pouco tempo. Sua certidão de nascimento, na escrita, dera-se alguns antes, num Auto de Partilhas, vindo do Mosteiro de Vairão, quando uma noviça chamada Elvira Sanchez dizia ao escrivão: "Eu offeyro o meu corpo áás virtudes de Sam Salvador do moensteyro de Vayran, e offeyro co´no meu corpo todo o herdamento que eu ey en Centegãns e as três quartas ao padroadigo d´essa eugleyga e todo hu herdamento de Crexemil, assi us das sestas como todo u outro herdamento> que u aia u moensteyro de Vayrán por en saecula saeculorum, Amén." (Eu ofereço o meu corpo às virtudes de São Salvador do Mosteiro de Vairão, e ofereço com o meu corpo toda a herança que eu tenho em Centegãns e as três quartas ao padroeiro da igreja e toda a herança que eu tenha ao mosteiro de Vairão por todos os séculos. Amén (assim seja)." A língua portuguesa era documentada em conventos e em cartórios, mas também em versos de amor. Na mesma época, o trovador Paio Soares de Taveiros (ou Taveirós?) tornou-se o autor do texto literário mais antigo em língua portuguesa. E foram versos de amor. Ele proclamava a beleza de Maria Pais Ribeiro, a Ribeirinha, concubina do rei Sancho I: "No mundo nom me sei parelha,/ Mentre me for como me vai,/ Ca morro por vós - e ai!". Hoje escrevemos assim: "No mundo ninguém me assemelha,/ Enquanto eu for como sou,/ Pois morro por vós - mas ai!".

sábado, 6 de abril de 2013

OS VERSOS BRASILEIROS DE MAIAKÓVSKI

Esse negócio de repetir como papagaio tem um exemplo emblemático. Em 1970, Roberto Freire deu, sem querer, autoria errada a uns versos de Eduardo Alves da Costa, poeta de Niterói, cujos livros estão reunidos em "No Caminho, com Maiakóvski" (Geração Editorial). Ele ou a editora atribuiu a autoria ao poeta homenageado no título. Os versos tinham sido publicados dois anos antes, em plena repressão da ditadura militar: "Na primeira noite, eles se aproximam/ E roubam uma flor/ Do nosso jardim./ E não dizemos nada./ Na segunda noite, já não se escondem:/ Pisam as flores,/ Matam nosso cão, / E não dizemos nada./ Até que um dia, / O mais frágil deles/ Entra sozinho em nossa casa,/ Rouba-nos a luz,e,/ Conhecendo nosso medo,/ Arranca-nos a voz da garganta./ E já não podemos dizer nada."

EQUIPE DA RÁDIO BANDNEWS FESTEJA AUDIÊNCIA

quinta-feira, 4 de abril de 2013

ANO 2045: SÓ VAI MORRER QUEM QUISER

José Cordeiro é um cientista venezuelano que trabalha para uma universidade mantida pela NASA. Semana passada, ele esteve no Rio para fazer uma palestra aos dirigentes dos câmpus mantidos pela Estácio de Sá em todo o Brasil (vinte estados da federação). Seu tema referencial foi o livro The singularity is near, de Raymond Kurzweil (filho de pai músico e mãe artista), inventor e futurista americano de 64 anos. Kurzweil assegura que por volta do ano 2045 teremos alcançado a vida eterna, ampliando consideravelmente a reposição que hoje já fazemos de órgãos como o coração, os rins, os olhos etc. Todos os órgãos já podem ser clonados, menos o cérebro. Ele diz também que os computadores vão começar a pensar entre 2029 e 2045. A Humanidade começou gerando energia com madeira, depois com carvão, depois petróleo e assim foi seguindo Hoje ainda precisamos muito de petróleo. Mas até quando? Não foi a falta de pedras que fez terminar a Idade da Pedra! Tudo indica que daqui a vinte anos não precisaremos mais de petróleo. O pré-sal é um projeto errado na hora errada. Ele deu um exemplo divertido sobre o uso do petróleo, cujo barril custa U$ 100 dólares, mais ou menos R$ 200 reais. Um boné do Mickey é vendido na Disney por preços que variam de U$ 5 a U$ 15 dólares. E ele é feito de derivados de petróleo. Com um barril de petróleo são feitos cerca de 1.000 bonés do Mickey, que rendem entre U$ 500 e U$ 15.000 dólares. Dentre as novas formas de energia que buscamos – vento, nuclear, solar etc. – a última, a solar, já vem dando resultados fáceis de serem demonstrados: há muitos anos já temos residências com energia solar, e a estação espacial é movida exclusivamente por energia solar. O autor ilustra suas projeções para o futuro com exemplos recentes. Há apenas 30 anos não tínhamos computador. Há 20 anos não tínhamos telefones celulares. Há 10 anos não tínhamos o Google. A Medicina já descobriu que a velhice é uma doença e que não é incurável. Um rato dura em média 2 anos. Mas já há ratos, geneticamente modificados, vivendo com saúde já 6 anos. Portanto, a expectativa de vida desses ratos foi multiplicada por três, gerando 200% de aumento em pouco tempo. Como somos parecidos com os ratos em 90%, haverá pessoas vivendo entre 240 e 300 anos daqui a pouco tempo! O primeiro genoma humano levou 13 anos para ser sequenciado e o projeto custou U$ 1 bilhão de dólares. Em 2013, já é possível fazer isso por U$ 2 mil dólares. E em 2018 custará apenas U$ 100 dólares e levará 1 hora apenas. Nessas projeções, em 2045 só morrerá quem quiser. Antes disso, graças às pesquisas do médico brasileiro Miguel Nicolelis, filho de Giselda Laporta Nicolelis (escritora brasileira, autora de livros infantojuvenis), talvez ocorra a conexão mundial de cérebros, semelhante àquela que já ocorre com os computadores, de que a internet é um bom exemplo. (xx) º Escritor e professor, autor de 34 livros, entre os quais A Placenta e o Caixão (reunião de crônicas aqui publicadas).

sexta-feira, 29 de março de 2013

NOVA DIRETORIA DA UTV - REDE DE TVs UNIVERSITÁRIAS DO RIO

Diretor Presidente Arapuan Medeiros da Motta Netto - UNISUAM Vice Diretor Presidente Deonísio da Silva - UNESA Pessoal, a Estácio Universidade, a partir desta semana passa a integrar o governo provisório da UTV pelo período de um ano. Por unanimidade, as onze instituições universitárias que compõem tão importante Rede de Televisão, elegeram um diretor-presidente e um vice-diretor presidente até maio de 2014. Já foi apresentado um plano de reformulação, brevemente virão boas novidades. Meu trabalho será o de apoiar e eventualmente substituir o jovem reitor da UNISUAM, rumo ao fortalecimento de uma dimensão tão importante para espelhar os feitos das instituições associadas CIEE-Rio, Fiocruz, Fundação Cesgranrio, IME, PUC-Rio, Universidade Candido Mendes, Universidade Estácio de Sá, Universidade Gama Filho, UNIRIO, UNISUAM, UniverCidade, Universidade Veiga de Almeida.

EFEMÉRIDES DE ABRIL: DESCOBRIMENTO, TIRADENTES, DIA DA MENTIRA ETC

ABRIL: do Latim vulgar aprilius, radicado em aprilis, em conformidade com nomes de seis dos dez meses do antigo ano romano, presididos por deuses ou deusas: Jano (janeiro), Febre (fevereiro), Marte (março), Vênus (abril), Maia (maio), Juno (junho). April tem efemérides marcantes: O poeta John Milton, já pobre, porque neto de avô católico que deserdara o pai ao descobrir seu protestantismo; e cego, em consequência de seus anos de presidiário por motivos políticos, vendeu o copyright de sua obra-prima, O Paraíso Perdido, por 10 libras, no dia 27, em 1667; Joaquim José da Silva Xavier, Tiradentes, é enforcado e esquartejado no Rio, no dia 21, em 1792; o Brasil é descoberto no dia 22, em 1500. Quanto a primeiro de abril ser o dia da mentira, o folclore, de procedência francesa, remonta ao ano de 1564, quando o rei Carlos IX determinou que o ano começasse no dia primeiro de janeiro, no que foi imitado por vários países, que até então tinham outros calendários, pois foi somente a partir do gregoriano, assim chamado em homenagem a quem o instituiu, o papa Gregório XIII, que tal denominação começou aos poucos a imperar pelo mundo afora. Como quem realmente mandava era sua mãe, Catarina de Médicis, que o instigou à matança da noite de São Bartolomeu – ocorrida a 24 de agosto de 1572, quando cerca de 3 mil protestantes foram assassinados em Paris por uma turba de católicos enfurecidos – a denominação não pegou e nasceu aí o costume de mentir no dia primeiro de abril. Célebres mentiras já foram pregadas na data, inclusive na imprensa, como a de que a minúscula república russa de Djortostão doara seis metros quadrados de seu território a uma república vizinha para arrebatar do Vaticano o título de menor Estado autônomo do mundo. O escritor Bernardo Guimarães era contumaz pregador de mentiras de abril. E certa vez chamou o médico para atender o filho que havia tomado veneno. O doutor pensou tratar-se de mais uma mentira, e o moço morreu. O autor de O Seminarista e A Escrava Isaura caiu numa depressão da qual nunca mais se recuperou.

quinta-feira, 28 de março de 2013

PÁSCOA: DEU BARRABÁS NO PLEBISCITO

Em meu romance Goethe e Barrabás, lemos no capítulo A luz que te falta: “Salomé, com os sentimentos desarrumados por amar um homem que lança abismos e pontes entre ele e ela, mistura vigília, sono e sonho, aumentando a confusão que toma conta de suas almas, depois de vinhos rascantes e de amores insensatos”. Estava num desses eventos em que os leitores querem que o escritor fale se algumas personagens se baseiam em pessoas conhecidas, quando uma leitora muito sagaz, de 83 anos, me perguntou, respeitosa: “O senhor deu-lhe o nome de Salomé por que ela perdeu a cabeça por Barrabás num amor insensato, depois de ter feito João Batista perder a dele? Aliás, todos os amores têm um quê de insensato, mas como o senhor tomou dois personagens bíblicos, deslocando-os para atuarem unidos, pois Salomé é aquela que dançou para o rei Herodes, e Barrabás aparece na Semana Santa, eu lhe pergunto: as más escolhas de que fala o senhor são construídas por nós deliberadamente ou são obra do destino?”. O debate acontecia bem próximo a outra Páscoa e o assunto era muito pertinente. Respondi que acredito nas transcendências de nossas vidas, que somos bem diferentes de um pé de couve ou repolho, pois nascemos para olhar o que está no alto e não para chafurdar em nossa pobre condição humana. Que isso pode ser chamado de destino, talvez! Temperei com o célebre paradoxo de Blaise Pascal, escritor francês do século XVII, que disse: “o homem não é anjo, nem besta, mas quem quer ser anjo, acaba sendo besta.” A dulcíssima velhinha prosseguiu: “jamais esquecerei de outra passagem” – estava com o livro na mão e leu: “A moça descobre também que se na Judéia criassem frangos, em vez de cordeiros, Jesus teria sido o frango de Deus que tira os pecados do mundo, sem contar que para frangos e famintos o destino será sempre um só: a morte para todos. Barrabás, porém, diz à amada que a vida dele é bem diferente da de um frango. Diz também que foi Barrabás quem apareceu a Goethe, no final da vida, oferecendo-lhe a luz que faltava, mas já era tarde”. No romance, faço referência a dois personagens com o nome de Barrabás e a duas Páscoas. Na Páscoa do Antigo Testamento, os hebreus matam cordeiros e esfregam o sangue na porta das casas, para que o Anjo da Morte não mate os primogênitos. Na Páscoa do Novo Testamento, Jesus é chamado Cordeiro de Deus. Pois bem! Semana passada, depois de proferir palestra a convite do presidente do Tribunal de Justiça, em São Paulo, José Roberto Nalini, visitei outro querido amigo ali: o poeta Paulo Bonfim. E, em nossa agradável conversa, ele lembrou um livro Les deux mères (As duas mães), sobre um suposto encontro da mãe de Jesus com a mãe de Judas. Ainda não encontrei esse livro que já antevejo admirável pelo tema. Quem sabe, na próxima Páscoa possa falar dele a vocês. Tenho aprendido muito a cada Páscoa, principalmente com pessoas cuja amizade para mim é um privilégio! (xx) º Escritor e professor, autor de 34 livros, entre os quais A Placenta e o Caixão (reunião de crônicas aqui publicadas).

terça-feira, 26 de março de 2013

DEONÍSIO FALA EM SÃO PAULO SOBRE O LIVRO ALÉM DO LIVRO

NÃO COMEREI DA ALFACE A VERDE PÉTALA, Vinicius de Moraes

Não comerei da alface a verde pétala Nem da cenoura as hóstias desbotadas Deixarei as pastagens às manadas E a quem maior aprouver fazer dieta. Cajus hei de chupar, mangas-espadas Talvez pouco elegantes para um poeta Mas peras e maçãs, deixo-as ao esteta Que acredita no cromo das saladas. Não nasci ruminante como os bois Nem como os coelhos, roedor; nasci Omnívoro: dêem-me feijão com arroz E um bife, e um queijo forte, e parati E eu morrerei feliz, do coração De ter vivido sem comer em vão.

domingo, 24 de março de 2013

Anna Maria Ribeiro tem 83 anos. É autora de crônicas muito divertidas, saborosas, como este que hoje posto. Um bom domingo a todos. http://deonisio.blogspot.com.br/2013/03/deliciosa-cronica-sobre-um-corno-de.html

DELICIOSA CRÔNICA SOBRE UM CORNO, DE ANNA MARIA RIBEIRO

INCIDENTE POLICIAL MILITAR Anna Maria Ribeiro Faz tempo um ex-delegado de polícia, meu amigo, contou-me este incidente como verdade verdadeira por ele vivida. Rolava o ano de 1969, auge da repressão. Um senhor entra numa delegacia da Zona Sul e autoritário exige ser atendido pelo Delegado o que é dificultado por um mal humorado escrivão. O irritado tom de voz do senhor chega aos ouvidos do Comissário que aparece aos gritos: Tá pensando que isto aqui é casa da mãe Joana?! O apopléctico senhor parece que vai dar uma de “sabe com quem está falando”, mas se contém. Puxa o Comissário para um aparte e apresenta-se em segredo: é o General XX, famoso por suas ações contra-terrorismo. Cheio de mesuras o Comissário apressa-se em conduzi-lo ao Delegado. Um mutismo inexplicável ataca o General na presença do Delegado que imagina que o General ali está para solicitar a colaboração da polícia no estouro de um aparelho o que o faz perder-se num discurso laudatório às gloriosas forças armadas na defesa da ordem e dos poderes constituídos: .. estes terroristas têm mais é que ser exterminados sem dó nem... O General interrompe e pede a saída do Comissário. É indispensável o maior sigiloso. O Delegado ordena a saída do humilhado Comissário e aguarda a honrosa demanda que lhe fará o General. Este depois de muito pigarrear e hesitar termina por declarar que ali está para solicitar um flagrante de adultério: sua segunda mulher, muito jovem, o está traindo com um garotão. O Delegado disfarça o divertimento que lhe causa a ridícula situação e contrito apresenta suas condolências pontuadas com “é lamentável, lamentável...” Sigilo haverá, é claro, mas as formalidades legais terão que ser cumpridas: é necessária a presença do escrivão e do comissário além de um investigador e da sua própria. Mas fique o General tranqüilo. Ele cuidará para que nada transpire dentro ou fora da Delegacia. O General informa que irá participar da diligência e que embora a presença dos demais seja exigida deverão todos manter os olhos baixos em respeito a ele e àquela que apesar de tudo ainda é sua mulher. O Delegado com tudo concorda. Agendados dia e hora de acordo com as informações fornecidas pelo General, este deixa a Delegacia onde minutos depois explodem gargalhadas em todas as dependências. Não querendo mostrar favorecimento o Delegado promove um sorteio para indicar qual dos investigadores terá o privilégio de participar do flagrante. O escrivão, sempre relegado a uma menor importância, está exultante. No dia e hora aprazados encontram-se todos na calçada, frente a um hotel em Copacabana. O Delegado conduz a diligência como sendo uma operação de altíssimo risco. O Comissário entra sozinho, encarregado da negociação necessária à obtenção da chave do quarto. Conseguida esta, volta à calçada. O Delegado determina que os membros da diligência (incluindo o General) entrem no hotel a intervalos regulares para não chamar atenção. Deverão se encontrar na porta do quarto do pecaminoso casal. Risos dos funcionários de hotel acompanham a entrada do General evidenciando que o Comissário compartilhou com eles a história. Exigindo sigilo, é claro! Murmurando em frente ao quarto o Delegado, ordena severo: olhos baixos de preferência fechados! A presença de vocês é apenas para que se cumpra a formalidade. Ninguém olha! O escrivão escandalizado tenta se insurgir. Se não olhar como é que vai lavrar o termo? O Delegado rebate: lavra-se de memória, cretino! É tudo sempre igual: nudus cum nuda in eodem lectum*! Orgulhoso pela citação latina ele volta-se buscando o aplauso do General que furibundo diz apenas: Cale-se, idiota! Humilhado o Delegado repassa a fúria a seus subordinados como se a frase no singular fosse um lapso do General: Calem-se, idiotas! A um sinal do Delegado, o Comissário gira a chave e entram todos de supetão no quarto onde o adultério está sendo consumado a pleno vapor. Bastam alguns segundos para que a jovem senhora reaja: ela põe-se em pé na cama exibindo sua esplendorosa nudez e aos gritos dirige impropérios ao General usando palavras que aqui eu não ousaria transcrever, mas que são furiosamente anotadas pelo escrivão que se não podia ver, podia ouvir. O Delegado solene e respeitoso, olhando de banda, adianta-se tentando cobrir a nudez da jovem com um lençol. Esta se debate aplicando-lhe uma saraivada de tapas certeiros. Empenhado em defender-se e de costas para o grupo que permanece de olhos baixos ele não vê que o General acaba de puxar de uma enorme pistola apontando-a para o atlético rapaz que até aquele momento parecia estar se divertindo muito. Este apavorado percebe que sua vida está por um fio e rápido apossa-se do avantajado corpo do Delegado, fazendo-o sentar-se em seu colo, usando-o como um escudo. O Delegado em pânico se dá conta de que acaba de se transformar num alvo certeiro para o tresloucado General. E mandando para o espaço o respeito à patente, o Delegado urra para a equipe: SEGURA O CORNO! SEGURA O CORNO! * Nu com nua na cama – a modalidade mais grave de adultério segundo a legislação da época.

quarta-feira, 20 de março de 2013

O PRIMEIRO ANFITRIÃO ERA CORNO...

Anfitrião é uma palavra que veio do Grego Amphytryon, nome de um mítico chefe guerreiro de Tebas, de quem Zeus toma a forma para engravidar a esposa, enquanto Hermes – Mercúrio, em Roma – torna-se idêntico ao escravo Sósia (origem do substantivo "sósia"), montando guarda à porta, pois o marido está viajando. Mas foi do francês amphitryon, palavra dicionarizada em 1752, quase um século depois da peça Amphitryon, de Jean-Baptiste Poquelin, mais conhecido pelo pseudônimo de Molière, que ela veio para outras línguas. Antes do célebre dramaturgo, porém, outros autores deram a peças suas o mesmo título, como é o caso de Plauto em Amphytrio, e Luís de Camões em Anfatriões, escrito também Enfatriões, mas sem que as palavras entrassem para a língua designando o dono da casa que recebe convivas ou aquele que paga as despesas de banquetes ou refeições. A escala no francês foi decisiva para dar a anfitrião e a sósia os significados que hoje têm. Antes de designar o gesto tão nobre e generoso, indicou originalmente, então, o marido da adúltera.

terça-feira, 19 de março de 2013

UMA LÁGRIMA POR TI, QUE SABES DE ONDE ELA VEM

Lágrima: do latim lacrima, lágrima, choro. No latim, era mais usado o plural lacrimae. Assim como o riso, a lágrima é própria dos homens, mas como nem toda lágrima provém de sentimentos sinceros, o povo criou a expressão “lágrimas de crocodilo”, pois esse réptil, ao apertar certas glândulas, semelha chorar quando suas poderosas mandíbulas devoram a presa. Outra expressão muito conhecida, que dá título a um conto de Machado de Assis, é Lágrimas de Xerxes, nome pelo qual os romanos conheciam Kshatra I, rei da Pérsia. Quando o mar destruiu a ponte pela qual passaria com suas tropas, mandou açoitar as águas com trezentas chicotadas, degolou os construtores e “prendeu” o mar a grossas correntes, amarrando nelas trezentos barcos sobre os quais fez uma ponte flutuante. Mas ao passar em revista os soldados, começou a chorar: “Quantos de vós haverão de regressar?”. Machado, aludindo aos episódios, diz: “Xerxes! Lágrimas de Xerxes eram impossíveis; tal planta não dava em tal rochedo. (...) E creram finalmente que o duro Xerxes houvesse chorado”. A lágrima era tradicional recurso pedagógico. Aprender era sofrer. A infame tradição da palmatória foi a principal marca da violência escolar por alguns séculos. Lá¬grimas estão presentes no menor versículo da Bíblia, em João 11, 35: “e Jesus chorou”. Ele derramou lágrimas pela morte de Láza¬ro, a quem em seguida fez com que ressurgisse dos mortos. O dramaturgo e cronista Nelson Rodrigues inventou a expressão lágrimas de esguicho para exagerar o choro. Houve um tempo em que era chique chorar. Mar-manjos soluçavam nos teatros e a etiqueta previa um lencinho no bolso do paletó para ser sacado à hora da delicada comoção. Nos teatros, os dramaturgos, contrariando a vo¬cação etimológica do nome do ofício, não escreviam dramas, mas lamentáveis drama¬lhões que tinham o fim principal de provo¬car o choro. Sintonizada com eles, a plateia esforçava-se para chorar segundo as regras da etiqueta vigente. Quem não chorasse era olhado com desconfiança pelos próximos. E no inferno romano havia uma localidade denominada Campo das Lágrimas, onde fi¬cavam os fratricidas, os ladrões, os incestu¬osos, os que provocaram guerras civis e os traidores, da pátria ou dos consortes, como os adúlteros. Ultrapassados esses lugares de punição, vinham os Campos Elíseos, onde gozavam a vida eterna os poetas, os inventores, os sacerdotes e outras pessoas de bem. Ao fundo, corria o Rio do Esque¬cimento, onde inumeráveis almas defuntas formavam-se para outras encarnações.

NÃO GASTEIS VOSSO TEMPO EM PASSATEMPO

Frei Antônio das Chagas (frade do século XVII) sobre o tempo: “Deus pede estrita conta do meu tempo / e eu vou do meu tempo dar-lhe conta, / mas como dar, sem tempo, tanta conta, / eu que gastei, sem conta, tanto tempo? / Para ter minha conta feita a tempo, / o tempo me foi dado e não fiz conta / não quis, sobrando tem¬po, fazer conta, / hoje quero acertar conta e não há tempo. / Ó vós que tendes tempo sem ter conta, / não gasteis vosso tempo em passatempo. / Cuidai, enquanto é tem¬po, de vossa conta, / pois aqueles que sem conta gastam o tempo, / quando o tempo chegar de prestar contas, / chorarão, como eu, o não ter tempo”.