NOME DE POBRE NO BRASIL

segunda-feira, 8 de abril de 2013

A NOVIÇA DEU O CORPO E OS OUTROS BENS. E DOCUMENTOU O PORTUGUÊS!

Ano 1198! Século XII! A língua portuguesa existia há pouco tempo. Sua certidão de nascimento, na escrita, dera-se alguns antes, num Auto de Partilhas, vindo do Mosteiro de Vairão, quando uma noviça chamada Elvira Sanchez dizia ao escrivão: "Eu offeyro o meu corpo áás virtudes de Sam Salvador do moensteyro de Vayran, e offeyro co´no meu corpo todo o herdamento que eu ey en Centegãns e as três quartas ao padroadigo d´essa eugleyga e todo hu herdamento de Crexemil, assi us das sestas como todo u outro herdamento> que u aia u moensteyro de Vayrán por en saecula saeculorum, Amén." (Eu ofereço o meu corpo às virtudes de São Salvador do Mosteiro de Vairão, e ofereço com o meu corpo toda a herança que eu tenho em Centegãns e as três quartas ao padroeiro da igreja e toda a herança que eu tenha ao mosteiro de Vairão por todos os séculos. Amén (assim seja)." A língua portuguesa era documentada em conventos e em cartórios, mas também em versos de amor. Na mesma época, o trovador Paio Soares de Taveiros (ou Taveirós?) tornou-se o autor do texto literário mais antigo em língua portuguesa. E foram versos de amor. Ele proclamava a beleza de Maria Pais Ribeiro, a Ribeirinha, concubina do rei Sancho I: "No mundo nom me sei parelha,/ Mentre me for como me vai,/ Ca morro por vós - e ai!". Hoje escrevemos assim: "No mundo ninguém me assemelha,/ Enquanto eu for como sou,/ Pois morro por vós - mas ai!".