NOME DE POBRE NO BRASIL

sábado, 14 de junho de 2014

FRED CAI DE BUNDA E JUIZ BUNDÃO DÁ PÊNALTI

"Kockasti pokradeni na startu: Neymar i sudac srusuli Hrvate. Hrvatska je is gubila od Brazilia otvaranju. Poveli smo i sokirali Brazilce. Neymar zabija za 1-1 a onda nevjerejaton penal nad Fredom i preokret domacina" (Copa roubada no início: Neymar e juiz derrotam croatas. Na estreia, Croácia perde para o Brasil. Pegamos os brasileiros atordoados. Neymar fez 1-1 e empatou. Em seguida, falso pênalti em Fred mudou as coisas para os anfitriões). Jornais internacionais foram duros conosco no "day after" de nossa primeira vitória nesta Copa. E minha crônica deste fim de semana dá também a origem da palavra que designa a preferência nacional. De bunda a bundão é um pulinho no coloquial brasileiro.
No dia seguinte à vitória do Brasil sobre a Croácia, fui obrigado a tomar café com a televisão ligada, pois estava num hotel em Florianópolis. Sim, vencemos, mas lembrei-me da ponderação de um dos generais que queriam derrubar Hitler, proferida a seu colega no filme “Operação Valquíria”: “Não nos esqueçamos de que as coisas jamais ocorrem como planejadas”. Os alemães, mesmo no futebol, parecem estar sempre seguindo passo a passo um planejamento minuciosamente treinado antes, que só dá errado quando enfrentam os brasileiros, como aconteceu na final da Copa de 2002. O goleiro alemão Kahn foi escolhido o melhor do torneio no dia anterior. No dia seguinte, nos dois gols do Brasil, confirmou o dito do nosso saudoso cronista Armando Nogueira: “Nem tudo o que cai na rede é peixe; às vezes é frango”. Fora do estádio, em São Paulo, onde se deu a estreia do Brasil, desfilaram moças bonitas e, se entendi, foi eleita muda do Itaquerão uma russa chamada Raíssa. Que teve que dar uma volta para mostrar a bundinha.
A palavra "bunda" entrou para a língua portuguesa no século XVI. As mulheres de Cabo Verde e de Angola tinham esta parte do corpo muito empinada, e os colonizadores passaram a chamar "nádegas" de bunda. Esses escravos falavam quimbundo e ambundo, e sua nacionalidade era designada por "banto" e "bundo". Os portugueses fizeram o feminino “bunda” para designar a mulher do bundo, não as nádegas, mas depois ao se referirem "àquela bunda", o substantivo deixou de indicar a mulher, para indicar apenas a região mais apreciada da escrava. E a língua portuguesa ainda tem “bundão” e “bunda-mole” para designar a pessoa sem energia e medrosa. Que sejamos campeões de novo! Vice ou último dá no mesmo! Se assim não acontecer, haverá muitos outros "bundões"! • Da Academia Brasileira de Filologia, escritor e professor, autor de 34 livros. Está publicado em Portugal, Cuba, Itália, Alemanha, Suécia etc. Os mais recentes são “Lotte & Zweig”