NOME DE POBRE NO BRASIL

sábado, 1 de março de 2014

MORREU FUNDADOR DE UNIVERSIDADE EM SÃO CARLOS E REGIÃO

http://www.jornalpp.com.br/colunista/item/54885-vai-com-deus-braga-teu-lugar-e-no-alto VAI COM DEUS, BRAGA! TEU LUGAR É NO ALTO Deonísio da Silva º Terminei de gravar verbetes sobre o Carnaval para a Bandnews e fui ler os e-mails. Poxa! É assim que “a indesejada das gentes”, como disse o poeta Manuel Bandeira, chega. Antonio Carlos de Vilela Braga tinha morrido! O jornalista Marco Rogério Duarte foi quem me deu a notícia na manhã de sexta-feira, a pedido do Marcos Santos Nessas horas, vêm à mente as lembranças. Conheci Braga quando dona Vanderlice fazia a campanha de seu marido Melo para a prefeitura. Acho que foi em 1982. Alguém disse que ela era da Palestina. E eu disse: “Aprendeu bem o Português! Fala direitinho!” Um homem sem braço riu, simpático, e se aproximou de mim. Fumava muito. Com o cigarro na boca, apertou meu braço e disse. “Não é essa Palestina que você está pensando, não”. “É um município aqui pertinho”.
Melo ganhou a eleição. Deu zebra aquele ano. Dias depois, Braga e eu voltamos a nos encontrar, a convite do novo prefeito, para lhe dar ideias de como governar. Havia muita gente na sala e eu vi como intelectual entende pouco de poder. Tinham cercado o Melo umas pessoas que pensaram mais ou menos o que pensam muitos ainda, tidos por gente boa: quem pensa diferente deles, deve ser excluído de tudo! Não sei de onde vem tamanho estalinismo, mas essas pessoas ferraram muita gente e também se ferraram ou estão se ferrando ainda porque correm o risco de passar a vida nos tribunais como réus de roubalheiras. Penso que esses de que falo, de muitos partidos, não terão uma boa velhice! Braga discordava de todas essas práticas e sobre esses assuntos conversávamos muito. Mas ele passou a ir muitas vezes lá em casa para outra coisa. Queria que eu lhe ensinasse a escrever um livro. Disciplinado, escreveu um romance muito bom, eu o levei à Siciliano, o Pedro Paulo de Sena Madureira leu e gostou muito das tramas, e ia publicá-lo. Braga assinou contrato para esse livro e não o publicou, que eu saiba! Não vou avaliar a dor da morte dele para seus familiares, especialmente para dona Zuleica, sua esposa, professora de História de minha filha Manuela, que repetia, entusiasmada em casa as aulas dela. Da morte ninguém nos consola. Mas sei o que São Carlos perde. Um intelectual de sólida formação, de muitas e boas leituras, um professor e um empresário que deixou marcas indeléveis na cultura da cidade e do município. Quanto a mim, perdi um amigo muito querido, uma boa pessoa, alguém que soube transformar as grandes dificuldades que enfrentou na vida em impulsos para seguir adiante. Jamais caluniou ninguém, era do bem, fazia a conversa clara nos embates e discussões. Espero que o Senhor receba a alma desse seu filho e o recompense na vida eterna! Aqui ninguém poderá recompensá-lo à altura pelo bem que ele fez, pois trabalhar com educação é trilhar o caminho da ingratidão, mais do que o do agradecimento. Que ele possa descansar em paz! (xx) º escritor, colunista da Bandnews, professor (aposentado) da UFSCar (SP) e consultor das universidades Estácio (RJ) e Unisul (SC). Autor de 34 livros, entre os quais De onde vêm as palavras (17ª edição). www.lexikon.com.br