NOME DE POBRE NO BRASIL

sábado, 26 de abril de 2014

A VIAGEM DO PAI-NOSSO: DO ARAMAICO, PELO HEBRAICO, AO GREGO E AO LATIM, PARA O PORTUGUÊS

Nós conhecemos e muitos de nós rezamos uma famosa oração, conhecida como "pai-nosso", em Português. Mas de onde veio para nós este pai-nosso? Do Latim, tal como traduzido por São Jerônimo na Vulgata. E ele pegou de onde? Dos Evangelhos, escritos em Grego por quem não ouviu a oração ser pronunciada por Jesus, que foi quem a ensinou aos discípulos. E Jesus ensinou esta oração em Aramaico, melhor dizendo, num dialeto do Aramaico, tal como falado na Galileia, onde ele o aprendera de seus pais. Então,temos que eles rezavam assim, em Aramaico, língua que hoje é denominada também Siríaco.Isto posto, temos o pai-nosso em ARAMAICo/SIRÍACO, rezado assim: Abwun d'bashmaya,/ Nitqadash shmakh,/ Tethe malkuthakh,/Nehwa tzevyanakh, aykana d'bashma/ ya, af bar'a. Hav lan lakhma d'sunqanan yomana./ U'shboq lan khaubeyn, aykana d'af khnan shboqan l-khaybeyn./ U'la te'lan l'nisyouna, ela patsan min bisha./ Metul d'dilakh hi malkutha, u-khayla, u-teshbukhta, alam l'almin./Amin. Mas no templo, o pai-nosso era rezado em HEBRAICO: "Avinu sheba'shamayim, Yitqadesh shimkha/ Tavo malkhutekha,/Ye'aseh retzonekha, ba'aretz ka'asher na'asah ba'shamayim. Ten-lanu haiyom lekhem khukeinu./ U'selach lanu et ashmateinu, ka'asher solekhim anakhnu la'asher ashemu lanu/. Ve'al-tevieinu lidei massah, ki-'im hatzileinu min-haraq/ (Ki lekha ha-mamelakha ve-hagevurah veha-tiferet, le'olemei 'olamim./ Amein". Quando os Evangelistas trouxeram esta oração para o Grego, contando que Jesus ensinou os discípulos a fazerem esta prece, eles escreveram assim em Grego: Πάτερ ἡμῶν, ὁ ἐν τοῖς οὐρανοῖς·ἁγιασθήτω τὸ ὄνομά σου,/ἐλθέτω ἡ βασιλεία σου,/ γενηθήτω τὸ θέλημά σου, ὡς ἐν οὐρανῷ καὶ ἐπὶ γῆς·/ Τὸν ἄρτον ἡμῶν τὸν ἐπιούσιον δὸς ἡμῖν σήμερον·/ Καὶ ἄφες ἡμῖν τὰ ὀφειλήματα ἡμῶν,/ὡς καὶ ἡμεῖς ἀφήκαµεν τοῖς ὀφειλέταις ἡμῶν·/ Καὶ μὴ εἰσενέγκῃς ἡμᾶς εἰς πειρασμόν, ἀλλὰ ῥῦσαι ἡμᾶς ἀπὸ τοῦ πονηροῦ·/ Ὅτι σοῦ ἐστιν ἡ βασιλεία καὶ ἡ δύναμις καὶ ἡ δόξα εἰς τοὺς αἰῶνας τῶν αἰῶνῶν, αμἡν." Se você não sabe Grego, veja a pronúncia. Fica assim: "Pater hemon ho en tois ouranois, hagiastheto tó onoma sou; eltheto he basileia sou; genetheto to thelema sou, os en ouranou, kai epi tes ges;ton árton hemon ton epiousion dos hemim semeron;kai afes hemin ta ofeilemata hemon, os kai hemeis afiemen tois ofeleitais hemon;kai me eisenenkeis hemas eis peirasmon, alla risai hemas apo tou poneron.Oti sou estin he basileia kai he dynamis kai he dokza eis tous aionas. Amén.". São Jerônimo pegou a versão em Grego e a traduziu assim: Pater noster, qui es in cælis:/ sanctificetur nomen tuum;/ adveniat regnum tuum; fiat voluntas tua sicut in cælo, et in terra./ Panem nostrum cotidianum da nobis hodie;q et dimitte nobis debita nostra,q sicut et nos dimittimus debitoribus nostris;/ et ne nos inducas in tentationem; sed libera nos a malo. Amen". Então,os tradutores da Bíblia, tal como ela estava no Latim, fizeram esta versão para o Português: Pai nosso que estais nos céus,/ santificado seja o Vosso nome./ Venha a nós o Vosso Reino./ Seja feita a Vossa vontade, assim na Terra como no Céu./ O pão nosso de cada dia nos dai hoje./ Perdoai as nossas dívidas/ assim como nós perdoamos aos nossos devedores/ E não nos deixeis cair em tentação,/ mas livrai-nos do mal. Amém". (Mais tarde, o Concílio Vaticano II, na segunda metade do século XX, autorizou a substituição de "dívidas" por "ofensas", e "devedores" por "ofensores", "a que nos tem ofendido". E foi tirada uma relação de crédito entre as pessoas, num tempo sem agências bancárias: quem tinha, emprestava a quem não tinha, que ficava devendo. Depois, as dívidas, não podendo ser pagadas, eram zeradas, de tempos em tempos, caso não tivessem sido pagas. Dava-se a esse ano de zeramento das dívidas um nome especial. PS. "Porque teu é o reino, o poder e a glória para sempre", era uma frase acrescentada ou não, antes do "amen", nas várias línguas. E não procede a versão de que "Abwn", em Aramaico, ou "Avinu", em Hebraico, designavam pai-mãe. Nesta época, depois da primeira destruição do Templo de Jerusalém, os hebreus já tinham abolido o politeísmo e divorciado Jeová de Asherah, sua esposa, mãe dos מלאכים (anjos, filhos de deus, auxiliares de Jeová, mas deuses também, por isso todos com o sufixo EL no nome: Rafael, Miguel, Gabriel etc. Assim como o EL está presente no nome da cidade onde Jacó sonhou que era a morada de Deus, que descia ali por uma escada: BetEL), e mudado para שליחים (mensageiros). Mas esta é uma história mais complexa.