NOME DE POBRE NO BRASIL

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

ETIMOLOGIA DE AVE, COALHO, INFANTE, QUEIJO, PERU, SORO

Ave: como saudação, procede do Latim ave, redução do antigo avete, imperativo do verbo avere, saudar. Designando animal vertebrado que põe ovos e tem os membros anteriores modificados em asas e o corpo coberto de penas, procede do Latim ave, declinação de aves, classe dividida em oito ordens: palmípedes, rapaces, galináceos, pombos, pernaltas, trepadores, pássaros e corredores. Pássaro é uma das ordens das aves, mas não é ave. É uma definição complexa. Por exemplo, o pombo tem ordem própria, e o peru, o papagaio e o pica-pau não são pássaros. O peru é ave, os outros dois são trepadores. Coalho: do Latim coagulum, coágulo. O modo como era pronunciado popularmente resultou em coalho, substância líquida coagulada utilizada no fabrico do queijo, um alimento muito antigo. Homero (século VIII a.C.) descreve Cíclope fabricando queijos: “Quando ele terminou, sentou-se e ordenhou suas ovelhas e cabras, tudo em seu devido tempo e, em seguida, levou cada uma delas para junto de suas crias. Ele coalhou metade do leite e colocou-o de lado em peneiras de vime.” Infante: do latim infante, aquele que ainda não fala, designando a criança. Também o soldado a pé foi nomeado infante, donde infantaria. Indicou originalmente o criado do soldado a cavalo, encarregado de cuidar de suas armas e montarias. Os filhos dos reis de Portugal e da Espanha, excluídos da sucessão, são chamados de infantes. A infanta e o infante não são herdeiros do trono, mas houve uma exceção: o último rei de Portugal foi o infante dom Manuel II (1889-1932). Seu pai, o rei Carlos I (1863-1908), e seu irmão, o príncipe Luís Felipe (1887-1908), foram assassinados no dia 1º de fevereiro. A tragédia acelerou a proclamação da República, em 1810. O infante e sua mãe, a última rainha de Portugal, Maria Amélia Luísa Helena de Orleães (1865-1951), sobreviveram ao atentado. Peru: provavelmente do dialeto hindustâni peru, nome da ave, ou do quíchua ou do aimará piruw, mesclado ao nome do país de onde se acreditava que era originária, pois se supunha que as aves enviadas a Portugal fossem embarcadas no Peru, país que tem registros da presença humana há 10500 a.C. Mas o nome do país, de origem controversa, deve-se à forma como era ouvida e pronunciada a palavra Beru, dita também Biru ou Pelu, designando rio, região e também um cacique. É controversa a procedência da ave, que pode ter vindo da Ásia para o México e dali para outros países americanos. O peru, semelhante ao pavão em sua vaidade, chama-se pavo em Espanhol. E o Português pavão veio do Latim pavonis, declinação de pavo. O Italiano usou o grito da ave para designá-la, tacchino, da onomatopeia tacco, que os brasileiros designam gluglu. O Francês chama a perua de dinde, redução de d’Inde, da Índia, e o peru de dindon. Os ingleses achavam que a ave era embarcada na Turquia, Turkey em Inglês, e a denominaram com turkey. Pela aparência do pescoço da ave, em parte depenado, designa também o pênis. Queijo: do Latim caesus pelo Espanhol queso. Passou a ser pronunciado caijo, antes de consolidar-se como queijo. O étimo latino não está presente apenas nas línguas neolatinas. Em Inglês é cheese e em Alemão, Käse. No Italiano formaggio, a designação é feita pela forma, o Latim vulgar formaticum e não o Latim clássico caesus, por influência da expressão caesus formaticus, queijo moldado, levado pelo Exército romano para alimentar suas legiões. O mesmo étimo está no Francês fromage. Feito de leite de cabra, de ovelha, de vaca e de búfala, provavelmente oalimento foi inventado há cerca de 5500 a.C., pois em escavações nos arredores de Kuyavia, na Polônia, arqueólogos descobriram 34 potes de cerâmica cujos furos serviam para fazer o soro do leite escorrer. Soro: do Latim sorum, alteração de serum, líquido amarelo-claro que se separa da parte sólida do leite quando este coalha na fabricação do queijo. Chamase soro também o líquido empregado com finalidade profilática ou terapêutica nos hospitais. É soro, ainda, a solução de substância orgânica ou mineral que se emprega na hidratação ou alimentação de pessoa enferma ou como veículo de medicamento.