NOME DE POBRE NO BRASIL

sábado, 6 de julho de 2013

ETIMOLOGIAS DE CRUZADO, GUERRA, TRANSPORTE, VINDIMA ETC.

CRUZADO: de cruz, do Latim crux, originalmente instrumento de tortura e morte que os romanos aprenderam dos cartagineses, no século III a.C,. por ocasião da I Guerra Púnica. A cruz tornou-se a partir do século I de nossa era o símbolo máximo da religião que viria a tornar-se oficial em todos os territórios conquistados por Roma, por decisão do imperador Constantino, o Grande (272-337), nascido em Nis, na ex-Iugoslávia, atual Sérvia. E o étimo está em cruzado e em muitas outras palavras, de que são exemplos crucificar, crucifixo, crucifixão (morte na cruz), na expressão “palavras cruzadas”, cruzar com alguém (encontrar-se), atravessar (cruzar a rua), cruzar os céus (voar), padrão de velocidade em viagens aéreas (voo cruzeiro) etc. Designa antiga moeda portuguesa, cunhada em ouro ou em prata para financiar as cruzadas (expedições à Terra Santa para reconquistar Jerusalém), retomada entre 16 de janeiro de 1989 e 15 de março de 1990 para substituir o cruzeiro. GUERRA: do Germânico werra, luta, discórdia, que substituiu o Latim bellum, cujo étimo continuou presente em palavras como rebelde e rebelião. Os romanos jamais adjetivaram suas guerras como santas, marcas porém de várias guerras, como a que incluiu em 4 de julho de 1187 a famosa Batalha de Hattin, quando os muçulmanos, liderados por Saladino (1138-1193), reconquistaram Jerusalém, vencendo os cruzados, assim chamados porque desenhavam, bordavam ou costuravam sobre as vestes uma cruz vermelha, branca ou verde. O chefe cristão derrotado era Guy de Lusignan (1150-1194), rei de Chipre, que se tornara também rei de Jerusalém ao casar-se com Sibila (1160-1190), rainha de Jerusalém. O chefe poupou seu prisioneiro, dizendo: “Reis verdadeiros não matam uns aos outros”. JEROSOLIMITA: do Grego hierosolymita, natural ou habitante da cidade sagrada de Jerusalém, que traz do Hebraico o étimo Yerushalaym, cujo significado é “legado da paz”, pela formação Yerusha (herança) e Shalom (paz). Outras etimologias a designam cidade situada entre duas colinas e cidade perfeita. Abraão, quando ali chegou, indo de Ur, na Caldeia, a chamou Yeru-Shalem, cidade de Shalem, o rei que a conquistara, onde encontrou o primeiro sacerdote, Melquisedec, a quem pediu que o abençoasse. Vivendo numa cidade disputada, principalmente em guerras religiosas, os jerosolimitas, também designados hierosolimitas, têm sofrido muito ao correr dos séculos. PASSE: de passar, do Latim vulgar passare, de passus, passo, distância de uma perna a outra no ato de caminhar. A expressão Passe Livre esteve na origem das recentes manifestações que levaram milhares de cidadãos às ruas no Brasil para protestar contra as evidentes deficiências de transporte público. Foram agregadas entretanto outras bandeiras aos protestos, como a luta contra a corrupção. TRANSPORTE: de transportar, do Latim transportare, levar para além (trans) da porta (porta da casa, do prédio etc.) com destino a outro lugar, mas ainda dentro da cidade ou da região, por terra, pela via strata, caminho calçado, estrada (que permanece no étimo de Strasse, estrada ou rua em Alemão) ou para outra região ou país, além (trans) do portus (porto). Mas transporte ao designar o ato de pessoas ou mercadorias serem levadas de um lugar a outro acabou por excluir o étimo portus, prevalecendo porta, pois que é de porta a porta: da porta da casa ao local de trabalho ou de lazer. VINDIMA: do Latim vindemia, colheita da uva, palavra formada de vinum, vinho, e demere, cortar. Os cachos de uva são cortados, postos numa cesta e levados para o local de esmagamento. O étimo latino da cultura do vinho está em todas as línguas neolatinas e no Alemão, porque foram os romanos que levaram a cultura do vinho aos germânicos. Cálice em alemão é Kelch, do Latim calix; vinho é Wein, mas veio de vinum; vinicultor é Winzer, do Latim vinitor; adega é Keller, do Latim cellarium, celeiro, onde o vinho era guardado junto a outros alimentos, depois armazenado em separado na cava, cave, substituída por apotheca, adega, do Grego apotheké, parte da casa onde eram guardados alimentos e provisões.