NOME DE POBRE NO BRASIL

sexta-feira, 19 de julho de 2013

A INFLAÇÃO ESTÁ DE VOLTA

O que devemos fazer em caso de perigo? O mínimo é avisar aos outros: de uma ponte quebrada numa curva, de um trecho engarrafado, de uma árvore que a tempestade jogou no meio da rua. Etc. Não é assim que fazemos na vida? Pois o único que evita falar em inflação é o governo. Torra bilhões de dólares na compra de dólares para evitar a alta do dólar, uma providência que só serve para queimar dinheiro à toa, pois o dólar já rompeu a barreira dos R$ 2 há muito tempo. Quando o real foi lançado, o dólar estava abaixo de R$ 1. Mas onde é que você nota que o governo tenta nos enganar? Não sou economista, apenas me incluo entre aqueles que abominam os economistas do “a favor” para eles dizerem tantas bobagens na mídia: nos programas de televisão, no rádio, em revistas, jornais, blogues etc. É só procurar que lá no fundo, escondidinho, encontraremos um dinheiro do governo subsidiando as colunas...Com a internet, está a cada dia mais difícil enganar o distinto público. Ainda mais se o projeto é enganar o seleto público leitor que entende o que lê, composto por 26% dos que leem, segundo amostra nacional do IBGE. Todos podem comprovar que a inflação voltou. O modo mais simples é ir ao supermercado. Mas há outros modos de fazer isso. Exemplo: examine seus custos de ir ao cinema com a família. Os ingressos hoje são “combo”, um neologismo vindo do Inglês, designando combinações de custos. Pois bem! Para ir ao cinema no Rio, o combo – inclui ingresso, pipoca, refrigerante, caramelo ou outra guloseima qualquer – pode chegar a R$ 142 para uma pessoa. Inacreditável, não é? Pois me permitam explicar-lhes. Durante o meu primeiro ano no Rio (2003), eu tomava um táxi na Av. Lúcio Costa e ia ao cinema, no Barrashopping. O táxi custava algo em torno de R$ 30 ida e volta. Se fosse ao Dowtown, era R$ 20. O ingresso custava um dígito. O mais caro era R$ 9. Gastava R$ 5 com a pipoca, o refrigerante e o caramelo. Total: R$ 44, no primeiro caso. E eu achava muito caro! Se repetir isso hoje, gastarei R$ 108 para ir ao cinema, sozinho. Se quiser ir a um cinema chique, que antes não havia, mas agora há, pagarei no Village Mall, ao lado do Barrashopping, R$ 56 de ingresso; R$ 16 de pipoca (R$ 6 pelo milho e R$ 10 de azeite trufado espalhado sobre os grãos estourados). Mas se eu estiver com fome e quiser fazer um lanche, em vez de comer pipoca, e, sendo domingo, tomar um gole de vinho, o custo total é o seguinte: 1) táxi: R$ 60; 2) ingresso: R$ 56; 3) lanche e meia garrafa de vinho: 133; (4) água: R$ 6. Total: R$ 255. Bem, agora tenho carro, não tomo mais táxi (mas há um custo...), passei dos 60 anos (pago 50% do ingresso) e o custo cai para R$ 166. Se não fizer o lanche nem tomar o vinho, gastarei R$ 50, pois comerei pipoca e tomarei um refrigerante. O cinema que eu frequento vende cinco toneladas de milho por mês. Daqui a pouco entraremos em silêncio, mas sairemos relinchando. (xx) º Da Academia Brasileira de Filologia, escritor e professor, doutor em Letras pela USP (xx).