NOME DE POBRE NO BRASIL

terça-feira, 15 de outubro de 2013

DIA DO PROFESSOR

Hoje é Dia do Professor. Nunca é demais lembrar que o ensino básico, ressalvadas as ilhas de excelência, que são poucas e são ilhas, é um mar de ignorância e de descaso, com salas descuidadas, escolas sem bibliotecas etc. Autoridades da Educação, na ânsia de melhorar os indicadores de qualidade, dão ordens para baixar o nível de exigências, com vistas a fazer com que os alunos sejam aprovados de qualquer modo. Mas estudos isentos demonstram que boa parte dos alunos não sabe nem ler, DEPOIS de concluído o ensino médio. O primeiro país do mundo a exigir que todos fossem à escola, dando condições satisfatórias de ensino e de aprendizagem a professores e alunos, foi a Alemanha de Bismarck, portanto ainda antes da unificação. No Brasil do século XIX, como comprova o anúncio abaixo, publicado no Estadão, havia docentes altamente qualificados, até para trabalhar nas fazendas como professoras particulares. Outro exemplo é Lição de Amor, o filme de Eduardo Escorel, resultado da adaptação de um conto de Mário de Andrade. E eu dou o terceiro testemunho deste post: fiz o Curso Primário no Grupo Escolar Jacinto Machado, onde eram professoras Edite Zanatta (que me alfabetizou), Alda Frassetto (mãe de meu amigo de infância, Enio Frassetto), Priscila Trevisol (tia de minha querida amiga Eliane Trevisol Tomazi), Alzira (cujo sobrenome esqueci), Estela (que vim a saber no seminário, no ano seguinte, ser estrela em Latim, a quem homenageei no conto O Rato na Balança, porque sou do signo de Balança) e outras igualmente inesquecíveis. Mas minha profunda saudade será sempre de dona Edite, que, como tenho proclamado, tinha um cheirinho bom. Foi ela quem lavrou a terra deste ser onde anos depois os padres, nos seminários de São Ludgero e de Tubarão, ambos em SC, lançariam as sementes que fizeram de mim a pessoa que sou, em tudo na contramão dos usos e costumes que depois se arraigariam no Brasil, com apedeutas mandando nos cultos, e ignorantes determinando o que é bom para todos nós, e escolarizados subservientes cheios de indulgências para com os de cima e cruéis para com os de baixo. Tenho dito. Mas, resta a esperança! Como diz Olavo Bilac, em seus célebres versos abençoando a tantos, bendito seja "o que o ferro forjou; e o piedoso arquiteto/Que ideou, depois do berço e do lar, o jazigo;/E o que os fios urdiu e o que achou o alfabeto;/ E o que deu uma esmola ao primeiro mendigo”. E, por fim, exalta quem “descobriu a Esperança, a divina mentira,/ Dando ao homem o dom de suportar o mundo”. Sempre que tive problemas no ato de ensinar, eles não decorreram dos meus defeitos, que são muitos, mas de minhas qualidades, que são poucas, e ainda assim desarrumam a alguns excessivamente sossegados com suas astúcias para enganar os parvos. É assim que vejo o Dia do Professor, hoje! Se houver reencarnação e eu puder escolher, quero ser a professora do anúncio!