NOME DE POBRE NO BRASIL

domingo, 27 de novembro de 2016

O POUCO QUE SEI DE FIDEL CASTRO

Sei que este post vai receber comentários controversos. Conheci Fidel Castro em Havana, em fevereiro de 1985, quando vários brasileiros fomos recebidos por ele. Observei que era tímido, falava e escrevia bem, lia muito, era muito bem informado, tinha voz fina e prestava muita atenção às perguntas. (Que ele falava bem em público, todos sabiam, mas em privado é diferente). Lembro que um haitiano e eu conversávamos com ele nesta recepção por poucos minutos, e o haitiano lhe explicava detalhes de vodu. E ele ouvia e fazia perguntas com muita atenção. O escritor Oswaldo França Jr e eu trouxemos um vídeo de Fidel, a ser entregue para o então presidente eleito Tancredo Neves. Contei esta história muito tempo depois em coluna que eu mantinha na revista ÉPOCA. E depois, também no Jornal do Brasil. O que havia no vídeo? Nunca soube! A fita nos foi entregue em Havana, de madrugada, no quarto do hotel que França e eu dividíamos. Com uma recomendação: só podia ser entregue nas mãos de Tancredo. E assim foi feito. No Brasil, é difícil você ser bem entendido em questões controversas. O clima é sempre de Fla x Flu, contra ou a favor, sem as indispensáveis nuanças. Por ora, lembremos a primeira frase de Fidel Castro ao receber o Papa João Paulo II em Havana: "Santidade, esta noite, muitas crianças dormirão na rua. Nenhuma delas é cubana". Nenhum estadista brasileiro pôde dizer isso a nenhum papa, a ninguém! E o Brasil é o maior país católico do mundo. Em eventos públicos, às vezes me perguntam, quando este assunto vem à tona, se Cuba é uma democracia e se Fidel Castro era um democrata. Respondo que Cuba vive numa ditadura e que Fidel Castro era um ditador. Parece que é só isso que interessa, pois ninguém pergunta mais nada. Bem, eu vivo numa democracia, aqui no Brasil. E na semana passada me foi recomendado que não fosse à janela, nem à varanda, e ficasse em casa porque a Polícia estava procurando uns fugitivos que poderiam estar no condomínio. Portanto, há democracias e há ditaduras, muitas das quais têm complexas sutilezas. A ditadura cubana não é igual à da Coreia do Norte. E a democracia brasileira não se semelha às democracias europeias, nem sequer à chilena ou à uruguaia.