NOME DE POBRE NO BRASIL

sábado, 15 de junho de 2013

PALAVRAS QUE VIERAM E FICARAM NO PORTUGUÊS

A língua portuguesa veio do Latim. E por isso muitas palavras se assemelham a palavras de outras línguas, que também vieram do Latim, como o Espanhol, o Italiano, o Francês. Nossa língua é parecida com essas outras três. Mas há muitas palavras que vieram de línguas estranhas às neolatinas. Eis alguns exemplos colhidos aleatoriamente. No mais recente programa SEM PAPAS NA LÍNGUA, com Ricardo Boechat, na Bandnews, fizemos algumas brincadeiras, que a seguir transcrevo: Do árabe: O ALMIRANTE, depois de ter comido ESFIRRA e QUIBE no ARMAZÉM, estava lendo o ALMANAQUE no SOFÁ enquanto a HURI o esperava na ALCOVA para a ALQUIMIA do amor, mas o que se deu foi uma tragédia: com a cara cheia de ÁLCOOL, o ASSASSINO deixara a CARAVANA e se preparava para matar o casal. Do russo: o COMISSÁRIO bebeu um litro de VODCA enquanto tocava BALALAICA sonhando em matar um MAMUTE. Os árabes ficaram sete séculos na península ibérica, dominando Espanha e Portugal. Não foram os ímpios que a historiografia portuguesa dos tempos monárquicos nos faz supor. Ao contrário, cessada a guerra – e guerra é guerra, com bandidos e heróis de parte a parte – eles ali se estabeleceram levando cultura. Portugal foi denunciado como terra de homens rudes por ninguém menos do que Camões, que tanto louvou a pátria: “Dá a terra Lusitana Cipiões, Césares, Alexandres e dá Augustos;/ Mas não lhes dá, contudo, aqueles does/ Cuja falta os faz duros e robustos./ Octávio, entre as maiores opressões/ Compunha versos doutos e venustos;/ Não dirá Fúlvia, certo, que é mentira,/ Quando a deixava Antônio por Glafira.” (Glafira foi uma das amantes do grande general romano; a última foi Cleópatra).
Os turistas brasileiros em sua maioria ainda preferem ir à Disney, mas poderiam de vez em quando trocar de endereço e viajarem para a Europa, especialmente para Itália, Alemanha, Espanha e Portugal. Lá estão nossas raízes. Na Espanha, é possível ver o colosso de Alhambra. Na última vez que estive em Portugal, há dois anos, fui ao Mosteiro de Alcobaça. Ainda hoje ficamos arrepiados com aquele rei louco, Dom Pedro, o Cru, que quer dizer o Cruel. Ele mandou que os esquifes dele e de sua amada, Inês, “aquela que depois de morta foi rainha”, fossem postos um em frente ao outro, e não ao lado um do outro, para que quando soarem as trombetas do Juízo Final, os amantes se vejam imediatamente. Que cada um, o primeiro que veja, seja o outro. Sempre o grande Camões, que até nome de prato é, bife à Camões, ele que, se não morreu de fome, morreu de subnutrição, pois era seu escravo Jao quem ia para as ruas pedir esmolas e trazer comida para o poeta, que morreu de peste. É sempre ele quem retrata pessimismos, tragédias e, claro, glórias portuguesas, pois é um povo que tem muito do que se orgulhar. Mas recebemos palavras do persa também. No QUIOSQUE, perto do BAZAR, você pode comprar TALCO e TIARA. Do ASTECA: TOMATE, CHOCOLATE. Do húngaro: havia PÁPRICA, GULACHE. Do sueco: o OMBUDSMAN, TUNGSTÊNIO. Do sânscrito: o GURU ensinou um MANTRA para ajudar a pessoa a aceitar o seu CARMA. Do esquimó: o ESQUIMÓ encheu de carne crua o CAIAQUE e levou toda a carga para o IGLU. Devemos muito de nossas riquezas linguísticas a muitos povos. Às vezes fomos buscar palavras lá, outras vezes quem nos trouxe foram eles! (FIM).