NOME DE POBRE NO BRASIL

sexta-feira, 21 de junho de 2013

O PÃO DE LÓ, O AÇÚCAR E O SAL DO SALÁRIO

Pão de ló perdeu o hífen, não o sabor. O dicionário Caldas Aulete define essa gostosa guloseima como “bolo de massa bem leve, feito de farinha, ovos, açúcar e água”. Mas por que tem este nome? Provavelmente por dois motivos, ambos de origem controversa: Lot, em hebraico, quer dizer véu. E também secreto, escondido. Foi originalmente pão e não bolo. Levando muito açúcar, atraía moscas. Era, então, coberto com um pano rendado, como hoje ainda se faz nas padarias, com o fim de protegê-lo dos insetos. Surgido nos conventos, como a maioria de doces, guloseimas e licores, o nome bíblico é de interferência complexa, mas não muito difícil de explicar. As cozinheiras e doceiras dos conventos, tornadas freiras à força às vezes, vinham de famílias católicas e ricas, que conheciam tão bem a Bíblia quanto comidas e temperos. Então, por que não se chamou “pão de Lot”? Porque em Portugal, Lot era então escrito na variante Ló, que ainda permanece. Mas quem era este Ló do pão de ló? Ele aparece pela primeira vez no livro do Gênesis, na Bíblia, no capítulo 11, depois do episódio da Torre de Babel. Logo depois do dilúvio, os descendentes de Noé resolveram construir uma torre tão alta que chegasse até ao céu. Diz a Bíblia: “Toda a terra tinha uma só língua e as mesmas palavras.” Deus, então, toma uma providência: “Desçamos e confundamos sua língua, para que não se entendam uns aos outros”. Foi por isso que o lugar, a planície de Senaar, recebeu o nome de Babel, confusão em Hebraico. “Dali Deus os dispersou por toda a terra”. Espalharam-se por lugares diversos. Ló é filho de Arão, irmão de Abrão, que a esse tempo ainda não é Abraão. Ló é portanto seu sobrinho. É na companhia deste sobrinho que ele vai para Canaã. Grassando a fome em Canaã, Abrão segue para o Egito, já casado com Sara, mulher de grande formosura. Lá pede à mulher que se declare sua irmã e não sua esposa, para que a vida dele seja poupada. Ela procede como o marido recomenda e é levada à corte do faraó, onde seus favores sexuais rendem a Abrão bois, vacas, ovelhas, jumentas, canelos e servos e servas. Sobrevêm grandes flagelos no Egito e o faraó descobre que se devem ao fato de ele ter coabitado com Sara, uma mulher casa. Por isso, manda embora Sara, Abrão, Ló e todos os outros. Já morando em Sodoma e Gomorra, um dia Ló se vê em apuros. Os habitantes cercam a casa e querem se aproveitar sexualmente de duas visitas. Ló dá suas filhas virgens para os sodomitas se divertirem, distraindo-os. Fugindo dali com a mulher, filhos, genros, noras e toda sua família enfim, ouve a recomendação de que não olhem para trás. Mas a mulher de Ló desobedece e é transformada numa estátua de sal. Bem, mas o sal, origem da palavra salário, fica para outro dia. Hoje tratamos de bolos e doces, que não têm sal, têm açúcar. O açúcar tornou-se metáfora de coisas boas, mas hoje em dia é tratado como veneno, um horror. E o sal também! Antigamente a vida era melhor ou desconhecíamos os perigos do açúcar e do sal?(xx)