NOME DE POBRE NO BRASIL

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

O BRASIL NÃO É MONOTEÍSTA, É HENOTEÍSTA

O Brasil integra a civilização ocidental cristã, que se diz monoteísta, mas acho interessante destacar esta miudeza: não somos monoteístas, pois temos muitos personagens ou pessoas tratados como deuses. Então, somos henoteístas. As palavras “henoteísmo” e “henoteísta”, até então desconhecidas da maioria de nossos ouvintes da Bandnews, apareceram no dia 1º de janeiro de 2015, no programa SEM PAPAS NA LÍNGUA, criado pelo jornalista Ricardo Boechat, depois de uma entrevista que fez comigo nos idos de março de 2011. Se alguém quiser o áudio, é preciso baixá-lo no Google Drive: https://drive.google.com/file/d/0B_onW3GxIVpMdlRxV2paaFBIX3c/view?usp=sharing Estas palavras, “henoteísmo” e “henoteísta” foram criadas pelo orientalista alemão Max Müller, falecido em 1900, aos 77 anos, quando estudava as três religiões monoteístas: o judaísmo, o cristianismo e o islamismo. Elas têm um único deus, tido por supremo, mas não negam a existência de outros deuses. Na linha dos saberes históricos e religiosos do professor alemão, voltou recentemente ao assunto a professora inglesa Francesca Stavrakopoulou, de 39 anos. Na série de televisão da BBC, “Os Segredos Enterrados da Bíblia”, apresentada em 2011, ela comprovou que Jeová era casado com uma deusa chamada Asherath, abandonada depois do cativeiro da Babilônia, quando também o episódio da expulsão de Adão e Eva foi deslocado do meio da Bíblia para o livro de abertura, o Gênesis. Era preciso fazer uma releitura, mostrando que era a mulher (Eva) quem tinha errado, não o homem (Adão). Anjos, santos, santas e divindades afro-brasileiras evidenciam que somos henoteístas e não monoteístas, pois tais entidades são tratadas como deuses e deusas. Temos boas amostras desses cultos nos festejos de fim e de começo de cada ano. Não se pede a intercessão deles, pede-se a graça diretamente. Ou Iemanjá, mulher de Oxalá, mãe de Ogum e de Oxóssi, é intermediária de algum deus? (xx)