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terça-feira, 27 de janeiro de 2015

ALGARISMO, CONTAR, DÍGITO, ROMANO: DE ONDE VIERAM ESTAS PALAVRAS?

Algarismo: do Árabe alkharizm, do nome do célebre matemático e astrônomo Abu Jafar Muhammad Ibn Musa Al-Khwarizm (780-850), natural da localidade de Kharizm, designando cada um dos caracteres que representam os números de zero a nove. Ele foi para Bagdá, no atual Iraque, a convite do califa Abû al-`Abbâs al-Ma'mûn `Abd Allah ben Hârûn ar-Rachîd, mais conhecido por Al-Mamum (786-833), que em árabe quer dizer "aquele em quem se tem confiança, que é leal”. Esse califa queria reunir os sábios do mundo inteiro na capital de seu império, com vistas a fazer de seu reino um centro que contemplasse todos os saberes. Contar: do Latim computare, cum, com, putare, julgar, relatar, considerar, donde reputação, de putus ou putum, de que são exemplos argentum putum, expressão aplicada ao dinheiro em prata pura, e putus, menino em Latim e ainda com o mesmo significado no Português de Portugal. Quando uma nova forma de contar e calcular chegou ao Ocidente, vinda do Árabe alkharizm, o Latim medieval adaptou a nova palavra para algorismus. Nas denominações da técnica e da arte de contar, não no sentido de narrar, mas no de fazer contas, houve influência das palavras gregas mathemátos, conhecimento, do verbo manthán, aprender, e de aritmós, número, donde aritmética. Dígito: do Latim digitus, dedo, seja da mão, seja do pé, quer de homens, quer de animais. Como o homem usou o corpo para medir o mundo - dedo, mão, palmo, braço, braça, pé, passo etc – o dedo pode ter sido a base do sistema decimal. Os dedos tiveram e têm também nomes: pollex, polegar; index, indicador; medius, médio, o maior de todos os dedos da mão, mas chamado de médio por estar no meio dos cinco: era chamado também summus (mais alto) impudicus (impudico, obsceno), infamis (infame, isto é, de má fama); quartus (quarto dedo) honestus (honesto), anularis (anular, porque ali era posto o anel de noivado, representando a aliança) e minimus, mínimo, mindinho. Esquina: provavelmente do Germânico skina, barrinha de madeira, metal ou osso, servindo de comparação com o Latim angulus. Assim, no encontro de uma rua com outra, dá-se uma esquina ou ângulo, semelhando encontro de ossos, de madeiras ou de metais em construções. Um exame atento aos algarismos indo-arábicos, assim chamados porque foram inventados na Índia e trazidos ao Ocidente pelos árabes, detecta nas formas originais com que foram escritos o número de esquinas ou ângulos em cada um deles. Assim, o número 1 tem um ângulo; o 2, dois; o 3, três, e assim sucessivamente, com exceção do zero, sem ângulo algum. Galho: provavelmente do Latim galleus, isto é, à maneira de galla, galha, excrescência de algumas árvores, para designar as extensões das quais saem os ramos, onde, por sua vez, estão presos folhas, flores e frutos. É palavra de múltiplos significados, ensejando muitos sentidos, de que são exemplos: galho como chifre, daí migrando para designar o marido traído, pois galho ou corno não deveria estar na cabeça do marido e, sim, na cabeça do boi; galho como amor ilícito ou relação extraconjugal; afluente de rio; briga e confusão, pois nelas, à falta de armas ou pedaços de pau, um galho servia: donde quebrar um galho, isto é, resolver um problema, que pode ser também literal, pois na mata, para abrir picada ou caminho, é preciso quebrar galhos; pôr o galho dentro, isto é, retirar-se da confusão, da discórdia ou da polêmica, aceitando decisão contrária: neste caso o galho é posto dentro de casa, sentido que migrou também para outros significados, como aceitar uma relação que era galho da árvore do casamento, trazendo a moça para dentro de casa; balançar o galho da roseira, proferida com ironia para designar o ato de eliminar gazes, soltar uns traques, naturalmente de cheiro desagradável, sem o odor das rosas desprendidas do galho com a sacudida; um galho de arruda sob o travesseiro atrás da orelha para dar sorte. Romano: do Latim romanus, de Roma, provavelmente adaptação do gótico hrôms, glória. Identifica algarismo em forma de letra e também um determinado tipo de caractere, além de ser referir a tudo que diz respeito a Roma e a seu famoso império, dono de quase todo o mundo conhecido até o século XV. Os algarismos romanos representavam os números com letras: I, V, X, L, C, D e M correspondiam a 1, 5, 10, 50, 100, 500, 1000. Os romanos não precisavam do zero porque não estavam interessados em cálculos e, sim, em determinar quantidades, contando animais, armas, objetos, soldados, pessoas. E durante muitos séculos toda a Europa, ignorando o zero, viveu muito bem sem ele. Mas a numeração romana persistiu nos nomes de papas, de reis, de séculos, de ruas, das horas nos relógios, dos capítulos de livros etc.