NOME DE POBRE NO BRASIL

segunda-feira, 7 de julho de 2014

AS SOBREVIVÊNCIAS DE CARPINEJAR

http://www.jornalpp.com.br/colunista/item/64605-as-sobrevivencias-de-carpinejar
Muita gente chorando no Brasil atual? Ou só na seleção brasileira? Podemos pensar em exportar barris de lágrimas para melhorar nossas divisas? Estou lendo o novo livro de Fabrício Carpinejar, “Me ajude a chorar” (Editora Bertrand, 155 páginas). Ele abdicou do prenome do autor e assina apenas Carpinejar. O livro do filho foi um presente do pai, o poeta Carlos Nejar, em recente encontro aqui no Rio. Que pai pode dar um livro que o filho escreveu? Certo dia ganhei de Clara Ramos um exemplar de edição especial de “Vidas Secas”, um dos livros referenciais do pai, Graciliano Ramos. E do outro filho, Ricardo Ramos, ganhei um de “São Bernardo”, depois de dizer-lhe que este era, de todos os livros do pai deles, o meu preferido. Diz Carpinejar na quarta capa: “Sobrevivi à traição de amigos. Sobrevivi a quatro separações. Sobrevivi ao distanciamento de meus dois irmãos amados”. Sei que o trecho selecionado foi bela escolha. Mas eu teria tomado outro, não de “A maior tragédia de nossas vidas”, texto publicado logo após aquela mortandade terrível de 242 pessoas numa boate de Santa Maria (RS), na madrugada de 27 de janeiro de 2013, igualmente crônica antológica, que li na primeira página do jornal “O Globo”, que a transcreveu do perfil do poeta no Facebook. Comporia a quarta capa com trechos comoventes e bem escritos de “Ninar”, em que o cronista revela ter sua mãe sussurrado que ele era seu filho favorito e que ele não pretendia contar a seus irmãos porque esses também não lhe contaram que eram os favoritos dela. Nejar, mais comovido do que de costume, me dá dois presentes: este, do filho, e “A vida secreta dos gabirus”, dele, com “orelhas” de um outro escritor que muito admiro, Vicente Cecim, de Belém do Pará. Que mundo bonito o de autores, livros e leitores! E que voltas a vida dá! (xx) º Da Academia Brasileira de Filologia, escritor e professor, autor de 34 livros. Está publicado em Portugal, Cuba, Itália, Alemanha, Suécia etc. Os mais recentes são “Lotte & Zweig”