NOME DE POBRE NO BRASIL

domingo, 19 de junho de 2016

TERMAS E FILÓSOFAS

Na coluna de Etimologia da CARAS que está a bancas.
Atacar: provavelmente do Italiano attaccare, a partir de staccare, remover, tirar algo do lugar, como um botão da farda ou uma orelha do inimigo, com troca de prefixo para o étimo tacca, do Gótico taikn, sinal feito em forma de “v”, com dois talhos convergentes sobre objeto de madeira ou de pedra, e mais tarde provavelmente sobre a própria pessoa, marcada como inimiga. Por isso, passou a designar ação ofensiva, passando depois, por comparação, a indicar injúrias que causassem danos semelhantes àqueles dos ataques físicos. O verbo ganhou com o tempo muitos outros significados: atacar a ração a ser devorada, atacar o prato de comida, atacar a pessoa ou objeto a ser agredidos (atacou o turista, atacou o carro, atacou o ônibus). É curioso que esteja perdendo o “a” inicial e voltando ao antigo étimo, às vezes com o significado de tocar: taca-lhe pau, tacou tomate no orador, tacou fogo no prédio e, por metáfora, tacou fogo no debate. Bordo: do Frâncico bord, barco, pelo Francês bord, cada lado do navio, cujo feminino, borda, significa beirada, dividido em bombordo, do Holandês bakboord, de bak, atrás, e boord, a partir do ponto de vista da cabine do piloto, que ficava na parte da frente do navio. Olhando-se de trás, o bombordo fica à esquerda, e o estibordo à direita. Diário de bordo é um tipo de gênero literário que guarda semelhança com livros semelhantes do comércio e da navegação. Caçarola: do Francês casserole, provavelmente de casse, recipiente, utensílio de cozinha semelhante à frigideira, conhecido também por panela, mas de forma circular, menos profundo do que a panela, usado para frigir, fritar. A semelhança no étimo do Latim frigere, ter frio, cujo particípio é frigatum ou frigidus, e frigere, grelhar, cujo particípio é frictum ou frixum, levou à aparente ambiguidade de frigideira ser utensílio para levar ao fogo, ao calor, e não à geladeira, ao frio. Diário: do Latim diarium, inicialmente registro de pagamentos e despesas feitos num dia, depois acrescidos de outras anotações em livro comercial e mais tarde caderno, transformado em livro, de fatos e acontecimentos relatados pelo autor de maneira cronológica, aos quais são acrescentados seus comentários, como impressões, opiniões e confissões. O livro deste gênero mais famoso do mundo é o Diário de Anne Frank, escrito entre junho de 1942 e agosto de 1944 pela adolescente judia Annelies Marie Frank (1929-1945), então com 13 anos, enquanto vivia num esconderijo com a família em Amsterdam, durante a invasão nazista. A autora morreu no campo de concentração de Bergen-Belsen, na Alemanha, aos 15 anos. Traduzido para mais de 70 línguas, em 60 países, já vendeu 30 milhões de exemplares. A autoria foi posta em dúvida, mas, depois de diversas perícias em que foi o manuscrito foi comparado com a caligrafia da menina nos cadernos escolares, em 2007, restou definitivamente comprovado que foi ela mesma quem o escreveu. Filósofa: de filósofo, do Grego philósophos, amigo do saber, pela junção de phílos, amigo, e sophós, saber, pelo Latim philosophus. O criador da palavra foi o pensador e matemático grego Pitágoras (570-495 a.C.), mas quem a usou num texto pela primeira com tal sentido foi o pensador pré-socrático grego Heráclito (535-475 a.C.), que vivia em Éfeso, na atual Turquia: “Os homens que amam a sabedoria precisam saber muitas coisas”. Para expressar “os homens que amam a sabedoria”, ele usou a palavra “philósophos”. Cícero (106-43 a.C.), ao trazer a palavra para o Latim, explicou que Pitágoras considerou ambicioso demais chamar-se sophós, sábio, e por isso cunhou o vocábulo novo. Havia também filósofas na Grécia antiga. A última delas, a matemática, astrônoma e pensadora grega Hipátia (351-415), que vivia no Egito romano, morreu assassinada em Alexandria, acusada de bruxaria. Depois de arrastada nua pelas ruas da cidade, foi torturada e morta diante de um altar, dentro de uma igreja. Sobre o tema há um bonito quadro do pintor inglês Charles William Mitchell (1854-1903). Terma: do Grego thermós, quente, pelo Latim thermae, local, como balneários, usado pelos romanos para banhos públicos com água morna, uso que eles trouxeram dos caldeus. Tinham fins higiênicos e terapêuticos. Eram frequentados pelas mulheres de manhã, e à tarde pelos homens. Casas ricas tinham estes recursos também, de forma privada, e contavam com o apoditério, onde eram lavados e tratados os pés; o tepidário, para banhos mornos; o caldário, para banhos quentes; o frigidário, para banhos frios; o sudatório, para suar, local que mudou de nome no mundo atual para o Finlandês sauna.