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segunda-feira, 18 de agosto de 2014

POR QUE O DIA DA FOTOGRAFIA É UM, E O DO FOTÓGRAFO É OUTRO?

O áudio do programa PITADAS DO DEONÍSIO, que faço com Pollyanna Brêtas na Bandews Fluminense, FM 94,90, às 2as. feiras, às 20h30, será postado oportunamente aqui e no Youtube. Por enquanto, segue o resumo do que foi levado ao ar hoje, 18 de agosto. Há controvérsias sobre o dia Dia Mundial da Fotografia. De modo geral é comemorado no dia 19 de agosto porque nesse dia, em 1839, o governo francês anunciou o invento. Já o dia do fotografo é comemorado no dia 8 de janeiro de 1840 porque nesse dia um abade francês chegou ao Rio e deu um aparelho de fazer fotografia ao primeiro fotógrafo do Brasil: Dom Pedro II. A palavra "photographie", de onde veio fotografia, foi inventada pelo francês Hércules Florence (1804-1879), que trabalhava em Campinas, no interior de São Paulo, e em 1832 (no dia 15 de agosto) inventou esta nova tecnologia. Isso entretanto só foi reconhecido pelas pesquisas do professor da USP, Boris Kossoy, publicadas em 1976. Estão presentes na palavra dois étimos do Grego: "photos", luz; e "graphé", escrita, do verbo "graphein", escrever, com o sentido de inscrever, fixar. Outro francês, chamado Joseph Nicéphore Niépce (1765-1833), inventou processo semelhante, mas chamou heliografia, também uma palavra com dois étimos gregos: ("Hélios", Sol) e "graphé" (escrita)

sábado, 16 de agosto de 2014

EDUARDO CAMPOS: O DESTINO ESCOLHE A TUA HORA

Às vezes, gosto de viajar sozinho de carro. Já tomei graves decisões ao volante, ao som de boa música. Assim, quarta-feira passada, 13 de agosto, voltava de São Carlos, onde jantara com queridos amigos, fizera uma escala em São Paulo para uns afagos na minha filha e genro, beber um copo de vinho e celebrar a vida, e estava na Via Dutra, a caminho do Rio.V ia é redução de rodovia, palavra inventada por Washington Luís para designar estrada para veículos motorizados. No Brasil, morrem cerca de 50.000 pessoas por ano no trânsito. Por isso ia cuidadoso pela estrada afora. Mas, utilizando o “bluetooth” (dente azul), atendia ao telefone, sem tirar as mãos do volante. "Bluetooth” tem este nome porque o engenheiro dinamarquês que inventou o recurso de pôr em comunicação aparelhos de transmissão de voz próximos um do outro em até 150 metros, quis homenagear um rei dinamarquês chamado Harald, que tinha os dentes azuis e morreu lutando para unificar territórios de tribos próximas e formar seu país! A viagem seguia tranquila, a estrada estava livre. Almocei num Frango Assado (deviam mudar para Frango Assalto, as refeições são caras nesses estabelecimentos), e, depois de abastecer, o posto me brindou com um enorme pão de semolina. Descia a Serra das Araras, já perto do Rio, quando meu querido amigo e companheiro de trabalho na Bandnewws, o Ricardo Boechat, irrompeu num plantão no rádio contando que um avião caíra em Santos matando os sete ocupantes, entre os quais Eduardo Campos, candidato a presidente da República. Às 20h30, como de costume, entrei ao vivo com a querida Pollyanna Bretas para o “Pitadas do Deonísio” na mesma Bandnews. Falamos de esquerdo, canhoto e sinistro. A pauta tinha sido feita na manhã daquela quarta-feira. Acontecem muitas coisas em apenas 24 horas. E uma delas pode ser a sua hora. E a de Eduardo Campos chegara pela manhã. (xx) º da Academia Brasileira de Filologia, professor e escritor, colunista da Rádio Bandnews (RJ) e diretor-adjunto da Editora da Unisul (SC).

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

ADONIRAM BARBOSA

Hhttps://www.youtube.com/watch?v=5QtHqKbQ2RQ&list=UU_EWQWi4gHr3xVhnVKyIQ6w Dia 4 de agosto foi dia do PADRE, palavra que veio do Latim PATER, cujo étimo está em PATERNIDADE, PATERNAL, PATERNO, PADRASTO, PÁTRIA, PATRONO, PÁTRIA, PADRINHO, COMPADRE, PADROEIRO etc. Mas é sinônimo de SACERDOTE e esta palavra tem outra etimologia. O Latim SACERDOS, designando quem cuida do sagrado, é ofício criado ainda no Antigo Testamento, por Melquisedec. Por isso, ainda hoje nas ordenações a fórmula é: tu es sacerdos in aeternum secundum ordinem Melquisedec (Tu és sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedec). O padroeiro dos padres seculares é São João Maria Vianney, que tem uma biografia muito interessante. Ele foi um ANACORETA, não no sentido absoluto, mas passou quase toda a vida numa cidade de pouco mais de 200 habitantes. Anacoreta veio do Grego ANAKHORETES, pessoa que vive retirada, quase sozinha, distante de todos. O Brasil tem pouco mais de 18.000 padres. Teria 26 mil, se 8.000 não tivessem saído para casar. Na Itália há um padre para cada mil habitantes. Na Argentina, um para cada 6 mil. No Brasil, um para cada 11.000 pessoas, mais ou menos. (Postado pela atriz e compositora Isis Bez Birolo, minha prima mui querida). Pitadas do DEONÍSIO DA SILVA - na Bandnews (04-08-2014) Hoje é dia do PADRE, palavra que veio do Latim PATER, cujo étimo está em PATERNIDADE, PATERNAL, PATERNO, PADRASTO, PÁTRIA, PATRONO, PÁTRIA, PADRINHO, COMPADR... YOUTUBE.COM

domingo, 3 de agosto de 2014

SUA EXCELÊNCIA O CELULAR

http://www.jornalpp.com.br/colunista/item/66742-o-sucessor-do-radio-da-tv-do-computador O rádio não aboliu a leitura nem o hábito da boa prosa entre familiares e amigos, que se visitavam muito. Mas a televisão, sim. Pouco mais do que uma máquina de escrever no começo, o computador, depois da internet, fez parecer mais interessante quem estava mais longe. E o celular acabou de vez com o convívio. As visitas eram recebidas na sala, onde, antes de virem poltronas e sofás, havia uma mesa com bancos e poucas cadeiras, em geral de palha, com um furo no meio. Elas ensejaram a historinha contada por nosso avô, libidinoso e irreverente. Uma viúva se acomodara numa delas, e um gato passou por baixo, de rabo erguido, roçando naquele furo. E ela exclamou no meio da conversa: “Ai que saudade do falecido!”. Talvez este avô tenha feito de mim o escritor que sou. E talvez tenha me tornado também professor por outro motivo: ensinar aos interessados como apreciar uma boa história e para isso dominar a ferramenta de trabalho, a nossa saborosa língua portuguesa, repleta de palavras misteriosas, atraentes, e de frases tão significativas quanto nosso cancioneiro. Nos quartos, só os habitantes da casa entravam.E a parteira no quarto da mãe, onde dormia também o pai, é claro, do contrário não nasceriam bebês. Mas o quarto era da mãe. Nos quartos dos filhos, nas paredes ou em portas dos armários havia recortes de revistas com imagens dos artistas de quem os adolescentes eram fãs. Na cozinha, fogão a lenha, salames dependurados num arame, queijos sobre uma tábua. Num armário, chás, remédios simples. E latas com mantimentos. Eram latas semelhantes a bonecas russas. Vinham sete latas, uma dentro da outra, parecia que a pessoa tinha comprado apenas a maior. Conviviam com os locais as vacas e seus bezerros, o touro, os cavalos, os porcos, o galináceo. E árvores davam sombras e frutos. Este Brasil quase desapareceu. O povo produzia quase tudo o que precisava e ia muito pouco sofrer nos hospitais. (xx) º da Academia Brasileira de Filologia, professor e escritor, autor de romances e contos.

domingo, 20 de julho de 2014

FILME INÉDITO DE WOODY ALLEN, DE GRAÇA, NA REDE

Filme inédito de Woody Allen, de 26 minutos, inédito (uma sátira deliciosa), feito para uma TV que nunca o transmitiu, está disponível de graça na rede, narrado em Inglês, com legendas em Italiano. http://www.youtube.com/watch?v=1fnm7LVB3mY

sábado, 19 de julho de 2014

O QUE CONTAM AS MOEDAS: DO TOSTÃO AO REAL

Para muitos, o real não tem plural. Dizem “dois real, cinco real, dez real” etc. Mas o plural do real antigo, que existiu de Dom Manuel a Getúlio Vargas, que o substituiu pelo cruzeiro, era pronunciado direitinho: réis. Em 1994, depois de mudar de nome seis vezes, o cruzeiro voltou a ser real, no governo de Fernando Henrique Cardoso, mas o plural “réis” desapareceu A moeda mais popular, porém, foi o tostão, presente em numerosas expressões para designar pouco dinheiro, ao lado do vintém, e no lema da campanha do presidente Jânio Quadros, “o homem do tostão contra o milhão”. Tostão deriva da palavra italiana “testone”, cabeça grande. O primeiro “testone” era de prata e trazia a efígie do príncipe Galeazzo Maria Sforza, Duque de Milão. Sforza era um mecenas, mas também um homem devasso e cruel. Trazia moças para desvirginá-las em seu palácio, mandou matar de fome um padre que previu para ele um reinado curto, e ameaçou matar um caçador se não engolisse inteiras, com couro, patas e tudo, as lebres que havia caçado. Por que um sujeito violento, desumano e tarado tinha interesse em financiar o trabalho de um artista e cientista como Leonardo Da Vinci, então? A família Sforza enriqueceu com o comércio, tornou-se burguesa e viu no mecenato o caminho mais curto para alcançar o status de nobre. Alguns restos de contas a pagar, porém, poderiam resultar em vinganças inauditas. E o primeiro poderoso a aparecer no “testone” morreu assassinado aos 32 anos. Quem o matou não foi Visconti, cuja irmã ele desvirginara; nem o republicano Olgiati, cujo ódio era ideológico; foi Lampugnani, que tinha disputas de terra com a vítima. Ele ajoelhou-se diante do príncipe e, depois de algumas palavras, levantou-se e deu-lhe punhaladas mortais na virilha e nas costas. As moedas falam. Mas para isso é preciso pesquisar sua história. (xx) º escritor e professor, da Academia Brasileira de Filologia, diretor da Editora da Unisul.

terça-feira, 15 de julho de 2014

POR QUE NÃO TE CALAS, FELIPÃO?

Publicado no Diário Catarinense,12 de julho de 2014
Prest' atenção, Felipão! Dinheiro e anúncios não melhoram a educação de ninguém, se a pessoa não estuda! Ao menos, então, dê-nos o conforto de seu silêncio, se você não tem explicação para o desastre. Pois, exceto a CBF, todos sabemos que de futebol você entende cada vez menos. Com a demissão anunciada pelo catarinense Delfim Peixoto, novo vice-presidente da CBF, o treinador, que acumula um fracasso atrás do outro no último lustro, culminando com a tragédia da seleção na Copa de 2014, ignorou que Santa Catarina tem cinco taças nacionais e disse: “Santa Catarina nunca ganhou nada”. Com a exceção de que ganhou, sim, alguma coisa, mas porque ele a obrou! Cuspindo no prato que comeu, em vez de agradecer aos catarinenses e com eles celebrar a vitória memorável de 1991, quando o Criciúma foi campeão nacional e ele era o técnico, depois de receber um clube organizado, que lhe pagou regiamente pelos serviços prestado, e de herdar um time bem montado, ele agora, confiando na falta de memória de todos, diz que fez tudo sozinho. Quando ele vence com um time de Santa Catarina, é porque fez tudo sozinho. Quando fracassa com a seleção, como agora, é porque dá apagão em todos, menos nele! Além do cacófato - aqui no Rio se diz que "falou "m**da" - e da arrogância habituais, ao brigar com um cartola, não precisava atacar o Estado e ainda revelar sua ignorância das coisas nacionais. Santa Catarina tem três clubes na Série A, dois na Série B, dois na Série D e cinco na Copa do Brasil. Tudo obra de Felipão, certamente, que no princípio fez um dos estados mais bonitos do Brasil, com bons indicadores na economia, na cultura, na educação etc. E vendo que tudo isso era bom, depois de ter criado também o céu e a terra, enterrou a seleção brasileira a 7 palmos de fundura e descansou no 7º dia. Mas nós não descansamos dele. A cada dia, diz novas bobagens. (xx) º Escritor e professor universitário catarinense, Prêmio Internacional casa de Las Américas, autor de 34 livros, alguns publicados também no exterior.

sábado, 12 de julho de 2014

MEU TIO ERA FILHO ÚNICO

MEU TIO ERA FILHO ÚNICO E NENHUM DE NÓS MORREU Deonísio da Silva º É de madrugada, mas já levantei. Ele está na sala e fuma um palheiro. Abriu a janela para a fumaça ir embora, como ele fez há mais de vinte anos. Se pudesse, estaria lá fora, como sempre fez, olhando a criação que acordava com ele: o gado, os porcos, as galinhas. E os pássaros, sempre alegres ao amanhecer e sem preocupações, ao contrário dele, com muitos filhos para criar. ******* ******* ******* A mãe e ele sempre foram impelidos pelas recomendações do padre a ter os filhos que Deus mandava. Assim, viveram grandes apreensões, e as alegrias se tornaram ainda mais bissextas do que os anos. Ele me olha enquanto leio o jornal. Foi ele o primeiro a plantar em mim o gosto de começar e terminar o dia lendo: a Bíblia, o almanaque da farmácia, o anuário católico, uma bula para melhor entender um remédio e, um domingo por mês, o jornal mensal que o padre do lugar distribuía na sacristia aos interessados. Foi nesse jornal que um dia ele leu um anúncio de terras e decidiu mudar-se de Santa Catarina para o Paraná, uma ideia entretanto já lançada pelos irmãos que tinham vindo antes, sem saberem de anúncio nenhum. ***** ***** ***** “O meu filho não perdeu o costume”, ele disse calmo e sorridente, como quase sempre. Talvez por serem tantos filhos, comigo só falava na terceira pessoa. Numa das alucinações da adolescência, cheguei a pensar que era filho do meu tio. Depois ouvi uma frase muito engraçada: meu tio era filho único. “Você sempre leu muito, parece que foi o que te salvou do meu destino”, ele disse, “este passo adiante, que eu não pude dar”. “Mas deu outros”, eu disse. “Quais? Vacilar tanto antes das decisões a tomar? Não fazer nada quando achava que não havia o que fazer? O meu filho é diferente. Quando não houve o que fazer, o meu filho inventou”. ***** ***** ***** Lembramos suas frases e agora rimos juntos: “se dá de fazer, se faz; se não dá, não se faz”. A memória brota sempre! É por isso que ele e eu temos mais este ponto em comum: nenhum de nós morreu. (xx). º escritor e professor, da Academia Brasileira de Filologia, diretor-adjunto da Editora da Unisul.

terça-feira, 8 de julho de 2014

BRASIL É HUMILHADO PELA ALEMANHA NA COPA DO MUNDO: 7 X 1

Por tristes que estejamos, seria um retrocesso o campeão ser o nosso time! A Alemanha fez grande partida, deu uma aula de futebol. Aprendamos humildemente com os europeus o que um dia lhes ensinamos e esquecemos! Felipão fracassou em todos os últimos times que dirigiu. E agora afundou o Brasil! *** *** *** Na vida se perde ou se ganha. A gente aprende com as derrotas. Às vezes a vitória só nos engana! *** *** *** Texto duro, mas verdadeiro, do jornal alemão Die Welt (O Mundo; na verdade, A Mundo, porque mundo é feminino em Alemão). Brasilien geht gegen Deutschland 1:7 unter. (Brasil perde para a Alemanha por 7 x 1). Das Ausmaß des Debakels übersteigt jede Vorstellungskraft (Desastre desta magnitude é incompreensível), die Spieler wird die Schande ein Leben lang begleiten (os jogadores vão levar essa vergonha por toda a vida). Schuld ist vor allem Trainer Scolari (a culpa é principalmente do treinador Scolari).

POR QUE A ALEMANHA TEM BRANCO NO UNIFORME, SE ESTA COR NÃO ESTÁ NA BANDEIRA?

Por que o branco no uniforme da Alemanha? Saudades de um cáiser? A bandeira do país ao tempo do Império Alemão, em 1908, quando a seleção foi constituída, tinha branco, vermelho e preto. Em 1919, o amarelo substituiu o branco. Os nazistas trouxeram de volta o branco para a bandeira. Agora a bandeira tem amarelo, preto e vermelho, mas não branco! Mas a seleção alemã mantém o branco. O azul da seleção da Itália, cor da casa de Saboia, não está na bandeira, mas está no uniforme da seleção. A bandeira da Holanda tem vermelho, azul e branco. Mas a seleção usa a cor laranja, homenagem ao príncipe de Orange, Guilherme I.

segunda-feira, 7 de julho de 2014

AS SOBREVIVÊNCIAS DE CARPINEJAR

http://www.jornalpp.com.br/colunista/item/64605-as-sobrevivencias-de-carpinejar
Muita gente chorando no Brasil atual? Ou só na seleção brasileira? Podemos pensar em exportar barris de lágrimas para melhorar nossas divisas? Estou lendo o novo livro de Fabrício Carpinejar, “Me ajude a chorar” (Editora Bertrand, 155 páginas). Ele abdicou do prenome do autor e assina apenas Carpinejar. O livro do filho foi um presente do pai, o poeta Carlos Nejar, em recente encontro aqui no Rio. Que pai pode dar um livro que o filho escreveu? Certo dia ganhei de Clara Ramos um exemplar de edição especial de “Vidas Secas”, um dos livros referenciais do pai, Graciliano Ramos. E do outro filho, Ricardo Ramos, ganhei um de “São Bernardo”, depois de dizer-lhe que este era, de todos os livros do pai deles, o meu preferido. Diz Carpinejar na quarta capa: “Sobrevivi à traição de amigos. Sobrevivi a quatro separações. Sobrevivi ao distanciamento de meus dois irmãos amados”. Sei que o trecho selecionado foi bela escolha. Mas eu teria tomado outro, não de “A maior tragédia de nossas vidas”, texto publicado logo após aquela mortandade terrível de 242 pessoas numa boate de Santa Maria (RS), na madrugada de 27 de janeiro de 2013, igualmente crônica antológica, que li na primeira página do jornal “O Globo”, que a transcreveu do perfil do poeta no Facebook. Comporia a quarta capa com trechos comoventes e bem escritos de “Ninar”, em que o cronista revela ter sua mãe sussurrado que ele era seu filho favorito e que ele não pretendia contar a seus irmãos porque esses também não lhe contaram que eram os favoritos dela. Nejar, mais comovido do que de costume, me dá dois presentes: este, do filho, e “A vida secreta dos gabirus”, dele, com “orelhas” de um outro escritor que muito admiro, Vicente Cecim, de Belém do Pará. Que mundo bonito o de autores, livros e leitores! E que voltas a vida dá! (xx) º Da Academia Brasileira de Filologia, escritor e professor, autor de 34 livros. Está publicado em Portugal, Cuba, Itália, Alemanha, Suécia etc. Os mais recentes são “Lotte & Zweig”

quinta-feira, 3 de julho de 2014

O IDIOMA DO FUTEBOL, O Globo (3/2014, p. 21)

Cronistas esportivos vêm dando impressionante contribuição à língua portuguesa Na Copa de 62, enfrentando a Inglaterra, Garrincha disse a Didi: “O São Cristóvão está de uniforme novo.” Confundindo uma festa religiosa com a garantia constitucional do habeas corpus, o goleiro Manga declarou aos jornalistas: “O homem disse que, se me suspenderem, ele entra com um Corpus Christi.” Ao lado de tais frases lendárias, temos essas de Armando Nogueira: “Nem tudo o que cai na rede é peixe. Às vezes é frango.” Cronistas esportivos, notadamente os de futebol, vêm dando impressionante contribuição à língua portuguesa, e não apenas com o anedotário do futebol, esporte que para os brasileiros não é o mesmo que é para o resto do mundo. Entre nós, o futebol ganha transcendências impressionantes e se espalha por outros campos, em velocidade e proporções extraordinárias. A vitória tem de ser total, absoluta. Ser vice ou ficar em último dá no mesmo, como lembrou José Maria Marin, presidente da CBF, em entrevista ao GLOBO. Tivemos duas grandes derrotas para o Uruguai. Numa delas perdemos parte do território nacional, na Guerra Cisplatina, em 1828, mas nossa força militar foi perdoada rapidamente. A seleção brasileira perdeu a Copa de 1950. Foi condenada para sempre. Muitas frases do futebol são lendárias, mas outras podem ser comprovadas por meio de registros ouvidos, lidos e vistos, e muitas delas migraram do futebol para a vida cotidiana, de que são exemplos: fazer o meio de campo (encarregar-se de organizar algo); bater na trave (quase acertar); dar bola (dar atenção); entrar de sola (ser bruto, indelicado); ser freguês (ter insucesso constante; claro: é o freguês que sempre paga!); pendurar as chuteiras (aposentar-se); pisar na bola (atrapalhar-se); tirar o time de campo (desistir). O futebol é uma invenção inglesa e por isso cedemos a neologismos do inglês, depois adaptados para o português, como football, match, shoot e goalkeeper, que viraram futebol, partida, chute e goleiro. E algumas foram inventadas, como arquibaldo e geraldino. Outras expressões têm berço mais curioso. “Barba, cabelo e bigode” não veio das barbearias. Veio de quando no mesmo ano eram disputadas as séries infantojuvenil (os jogadores tinham cabelo, mas não tinham barba ainda), a de aspirantes (os jogadores já tinham barba, mas não tinham bigode) e a profissional (os jogadores tinham bigode, quando este era moda para os adultos). “Bola pro mato que o jogo é de campeonato” não é sempre literal. Vem do tempo em que havia uma única bola em jogo. Se ela demorasse a voltar, o time pressionado tinha um certo alívio. Mas o mato podia ser um rio, uma lagoa etc. Abreviações espontâneas foram surgindo. Em Maraca, em vez de Maracanã, dá-se o mesmo processo de profe para professor ou professora. Também o técnico é chamado de professor, ainda que jamais de profe. Palavras e expressões, mesmo quando lendárias, influenciam muito a nossa vida. Deonísio da Silva é escritor e professor Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/opiniao/o-idioma-do-futebol-13113217#ixzz36Ph8wTpu © 1996 - 2014. Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.

quarta-feira, 2 de julho de 2014

QUE SERA, SERA, COM DORIS DAY

http://www.youtube.com/watch?v=xZbKHDPPrrc&list=RDxZbKHDPPrrc When I was just a little girl I asked my mother, what will I be Will I be pretty, will I be rich Here's what she said to me. Que Sera, Sera, Whatever will be, will be The future's not ours, to see Que Sera, Sera What will be, will be. When I was young, I fell in love I asked my sweetheart what lies ahead Will we have rainbows, day after day Here's what my sweetheart said. Que Sera, Sera, Whatever will be, will be The future's not ours, to see Que Sera, Sera What will be, will be. Now I have children of my own They ask their mother, what will I be Will I be handsome, will I be rich I tell them tenderly. Que Sera, Sera, Whatever will be, will be The future's not ours, to see Que Sera, Sera What will be, will be. Link: http://www.vagalume.com.br/corinne-bailey-rae/que-sera-sera.html#ixzz36InIUrL0

terça-feira, 1 de julho de 2014

1º OLHO DE GATO ; 2º O AVIÃO CONCORDE

Gosto de dirigir sozinho: penso, canto, falo alto, experimento a sonoridade de versos e frases. Mas nunca cheguei a inventar nada. Certa noite, um solteirão inglês que trabalhava na conservação das estradas, em noite escura, viu que os faróis de seu carro se refletiam nos olhos de um gato. Inventou o olho de gato, cujo design foi eleito o melhor do século XX em 2011. Em segundo lugar, ficou o avião Concorde.

domingo, 29 de junho de 2014

OS BRUTOS TAMBÉM AMAM: SUÁREZ E CHIELINI

O uruguaio Luís Suárez foi banido desta Copa. Foi dar um beijinho no ombro do italiano Giorgio Chiellini e deu uma dentada. Exageraram na punição! Uma dentadinha não dói. E ele poderia jogar de focinheira! O futebol sempre foi um jogo bruto e não começou com bola, não. Tampouco tinha regras assim claras. Essas só foram fixadas no final do século XIX. Antes de Cristo jogavam futebol chutando a cabeça dos inimigos, depois de decapitados. Aliás, muitas cabeças. Foi uma evolução tremenda chutarem apenas uma cabeça. Depois substituíram a cabeça por uma bola de couro. Nosso futebol, porém, é diferente. Nosso técnico é Felipe Scolari. Felipe veio do Grego “Phíllipos”, com os dois étimos: gosta, “phil”, de “(h)ippos”, cavalos, que entretanto não devem se comportar como animais e, sim, como pessoas. Para isso, ele os ensina. Pois seu sobrenome não é “Scolari”, palavra do Italiano, plural de “scolaro”, aluno. Mas ele é professor. “Scolari”, escolares, alunos, são os jogadores. Entre eles não há nenhum cabeça de bagre. A cabeça do bagre é muito chata e, por preconceito, o mau jogador foi chamado de cabeça de bagre, de quem não entende nada. Quem bate bem as faltas, em geral marcadas sobre algum jogador que driblou o adversário que foi derrubado, é um craque. “Drible” em Inglês é enganar. E craque veio do turfe “crack-horse”, o melhor cavalo, aquele que é elogiado por vencer. “Crack” é quebrar, mas o cavalo vencedor só quebra quem não apostou nele. Neymar ginga na frente dos adversários: Gingar veio do Alemão “ginge”, balançar. Gol bonito é quando a bola entra onde a coruja dorme: no ângulo. Mas há também o lado amoroso e sensual. Quem faz gol, balança o véu da noiva. Compreendeu? No futebol, dizemos muitas coisas sem dizê-las explicitamente. Driblamos na fala também. • escritor catarinense, professor, diretor-adjunto da Editora da Unisul.

sexta-feira, 27 de junho de 2014

PERPLEXO E ASSUSTADO

REFLEXÕES DE UM HOMEM PERPLEXO E ASSUSTADO
Há dias em que me sinto um renascentista, no limiar de um mundo novo, cujos poderes desconhecidos me assombram todos os dias. O Google me informa que me aproximo de um milhão de visualizações. A coluna de etimologia é publicada semanalmente na CARAS, com uma tiragem anual de 4.200.000 exemplares. E eu escrevo ali ininterruptamente há 20 anos! Na BANDNEWS, 3 vezes por semana. E cronista semanal em jornais desde quando era aluno de Letras! Aonde vamos parar? Mas iremos parar? Vejam o resumo que aparece. "Perfil de Deonísio da Silva. 844.593 visualizações. Trabalha em Universidade do Sul de Santa Catarina (desde 2013) Ex-professor da Estácio Universidade (2003-2013) e autor contratado (desde 2013). Professor aposentado da UFSCar (1981-2003) Professor da Universidade de Ijuí (1975-1981) Doutor em Letras pela USP Mestre em Letras pela UFRGS Mora em no Rio de Janeiro".

BÚXIS E CHARACULUS RESULTARAM EM PALAVRÕES NO PORTUGUÊS

Na entrevista à Francielle Chies e a Paulo Ghiraldelli, na Flixtv (http://www.youtube.com/watch?v=lGJIsjPWF80), contamos a história de uma palavra que virou um palavrão, ao designar popularmente o pênis. No caso de CARALHO, veio do Grego chárax, passou pelo Latim characulus, designando o palanque em que se apoia a videira, depois o mastro do navio, na ponta do qual havia a cesta da gávea, a casa do CARACLUM, no Latim vulgar, depois CARALHO no Português, lugar de castigo para o marinheiro rebelde, posto lá à mercê de fortes balanços dos navios e naus, tempestades etc., onde às vezes passava sede, fome, frio, calor excessivo de sol inclemente etc. O Brasil foi descoberto da casa do caralho. O marinheiro que lá estava foi o primeiro a gritar "terra à vista".
(Dentro do retângulo está escrito em Latim: O QUE HOJE NÃO É, AMANHÃ SERÁ).Pois para a vagina, também uma palavra que não a designava, passou a designá-la. Vejam este curioso trecho de GARATUJA, do romântico José de Alencar: "Terminada a página, se a boceta poedeira já não tinha areia, por havê-la consumido o monte de escrita que lá estava sob o calhamaço, não carecia o destemido rabiscador senão de sacudir a esguia cabeça, e caía-lhe da cabeleira pó bastante para matar o borrão. Esse pó era um misto indescritível em cuja composição entrava, além da parte sutil da terra, os borrões de tinta que se desfaziam de secos, e o esturro da enorme boceta ali posta ao lado."

QUAL ERA O SUCESSO MUSICAL DE 1978 NO BRASIL?

http://www.youtube.com/watch?v=NDPhClCghmY

quinta-feira, 26 de junho de 2014

UMA DENTADINHA NO OMBRO

UMA DENTADINHA NO OMBRO (risos) Suárez não quer picanha, linguiça, chouriço, nada! Prefere morder um italiano! Atire a primeira pedra quem não tiver pecado! Leonardo quebrou a cara de um jogador dos EUA, na Copa de 94. Pelé desceu o braço num marcador uruguaio na de 70. Garrincha deu um pontapé na bunda de um marcador na de 62. Nesta Copa, Neymar Jr agrediu sem bola um jogador da Croácia. A FIFA não tirou nenhum deles de Copa nenhuma. Mas agora, o bode expiatório é Suárez. Medo de que se repita 50? Ora, a história só se repete como farsa! http://www.ovaciondigital.com.uy/mundial/uruguay-espera-fallo-fifa-suarez.html

domingo, 22 de junho de 2014

DA CASA DO CARACULUM AO POEMA SOBRE ELE

Já expliquei a origem da expressão "casa do caralho", que não era palavrão até há algumas décadas. Hoje posto aqui o Elixir do Pajé, poema, erótico para uns, pornográfico para outros, do romântico Bernardo Guimarães, autor de A Escrava Isaura, O Seminarista etc. Fonte do livro: www.dominiopublico.gov.br Só não lê, quem não quer. Ou melhor, quem não procura.
O ELIXIR DO PAJÉ de Benardo Guimarães Que tens, caralho, que pesar te oprime que assim te vejo murcho e cabisbaixo sumido entre essa basta pentelheira, mole, caindo pela perna abaixo? Nessa postura merencória e triste para trás tanto vergas o focinho, que eu cuido vais beijar, lá no traseiro, teu sórdido vizinho! Que é feito desses tempos gloriosos em que erguias as guelras inflamadas, na barriga me dando de contínuo tremendas cabeçadas? Qual hidra furiosa, o colo alçando, co'a sanguinosa crista açoita os mares, e sustos derramando por terras e por mares, aqui e além atira mortais botes, dando co'a cauda horríveis piparotes, assim tu, ó caralho, erguendo o teu vermelho cabeçalho, faminto e arquejante, dando em vão rabanadas pelo espaço, pedias um cabaço! Um cabaço! Que era este o único esforço, única empresa digna de teus brios; porque surradas conas e punhetas são ilusões, são petas, só dignas de caralhos doentios. Quem extinguiu-te assim o entusiasmo? Quem sepultou-te nesse vil marasmo? Acaso pra teu tormento, indefluxou-te algum esquentamento? Ou em pívias estéreis te cansaste, ficando reduzido a inútil traste? Porventura do tempo a destra irada quebrou-te as forças, envergou-te o colo, e assim deixou-te pálido e pendente, olhando para o solo, bem como inútil lâmpada apagada entre duas colunas pendurada? Caralho sem tensão é fruta chocha, sem gosto nem cherume,www.nead.unama.br 3 lingüiça com bolor, banana podre, é lampião sem lume teta que não dá leite, balão sem gás, candeia sem azeite. Porém não é tempo ainda de esmorecer, pois que teu mal ainda pode alívio ter. Sus, ó caralho meu, não desanimes, que ainda novos combates e vitórias e mil brilhantes glórias a ti reserva o fornicante Marte, que tudo vencer pode co'engenho e arte. Eis um santo elixir miraculoso que vem de longes terras, transpondo montes, serras, e a mim chegou por modo misterioso. Um pajé sem tesão, um nigromante das matas de Goiás, sentindo-se incapaz de bem cumprir a lei do matrimônio, foi ter com o demônio, a lhe pedir conselho para dar-lhe vigor ao aparelho, que já de encarquilhado, de velho e de cansado, quase se lhe sumia entre o pentelho. À meia-noite, à luz da lua nova, co'os manitós falando em uma cova, compôs esta triaga de plantas cabalísticas colhidas, por sua próprias mãos às escondidas. Esse velho pajé de pica mole, com uma gota desse feitiço, sentiu de novo renascer os brios de seu velho chouriço! E ao som das inúbias, ao som do boré, na taba ou na brenha, deitado ou de pé, no macho ou na fêmea de noite ou de dia, fodendo se via o velho pajé! Se acaso ecoando na mata sombria, medonho se ouviawww.nead.unama.br 4 o som do boré dizendo: "Guerreiros, ó vinde ligeiros, que à guerra vos chama feroz aimoré", — assim respondia o velho pajé, brandindo o caralho, batendo co'o pé: — Mas neste trabalho, dizei, minha gente, quem é mais valente, mais forte quem é? Quem vibra o marzapo com mais valentia? Quem conas enfia com tanta destreza? Quem fura cabaços com mais gentileza?" E ao som das inúbias, ao som do boré, na taba ou na brenha, deitado ou de pé, no macho ou na fêmea, fodia o pajé. Se a inúbia soando por vales e outeiros, à deusa sagrada chamava os guerreiros, de noite ou de dia, ninguém jamais via o velho pajé, que sempre fodia na taba na brenha, no macho ou na fêmea, deitando ou de pé, e o duro marzapo, que sempre fodia, qual rijo tacape a nada cedia! Vassoura terrível dos cus indianos, por anos e anos, fodendo passou, levando de rojo donzelas e putas, no seio das grutas fodendo acabou! E com sua mortewww.nead.unama.br 5 milhares de gretas fazendo punhetas saudosas deixou... Feliz caralho meu, exulta, exulta! Tu que aos conos fizeste guerra viva, e nas guerras de amor criaste calos, eleva a fronte altiva; em triunfo sacode hoje os badalos; alimpa esse bolor, lava essa cara, que a Deusa dos amores, já pródiga em favores hoje novos triunfos te prepara, graças ao santo elixir que herdei do pajé bandalho, vai hoje ficar em pé o meu cansado caralho! Vinde, ó putas e donzelas, vinde abrir as vossas pernas ao meu tremendo marzapo, que a todas, feias ou belas, com caralhadas eternas porei as cricas em trapo... Graças ao santo elixir que herdei do pajé bandalho, vai hoje ficar em pé o meu cansado caralho! Sus, caralho! Este elixir ao combate hoje tem chama e de novo ardor te inflama para as campanhas do amor! Não mais ficará à-toa, nesta indolência tamanha, criando teias de aranha, cobrindo-te de bolor... Este elixir milagroso, o maior mimo na terra, em uma só gota encerra quinze dias de tesão... Do macróbio centenário ao esquecido mazarpo, que já mole como um trapo, nas pernas balança em vão, dá tal força e valentia que só com uma estocada põe a porta escancarada do mais rebelde cabaço, e pode em cento de fêmeas foder de fio a pavio, sem nunca sentir cansaço...www.nead.unama.br 6 Eu te adoro, água divina, santo elixir da tesão, eu te dou meu coração, eu te entrego a minha porra! Faze que ela, sempre tesa, e em tesão sempre crescendo, sem cessar viva fodendo, até que fodendo morra! Sim, faze que este caralho, por tua santa influência, a todos vença em potência, e, com gloriosos abonos, seja logo proclamado, vencedor de cem mil conos... E seja em todas as rodas, d'hoje em diante respeitado como herói de cem mil fodas, por seus heróicos trabalhos, eleito rei dos caralhos! Fim