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sexta-feira, 19 de setembro de 2014

ARQUIDUQUESA DA ÁUSTRIA MORREU POBRE NO SUL

A arquiduquesa Maria Antonia da Áustria, da mesma estirpe da princesa Leopoldina, esposa de Dom Pedro I, e de Sissi, a imperatriz, vivia de recolher sobras de restaurantes do Mercado Público, em Porto Alegre (RS), quando morreu, aos 78 anos, em 1977. Sua vida começara em Zagreb, hoje capital da Croácia, onde nascera em 1899. Quando fazia o mestrado na UFGRS, eu encontrava vários amigos nos mesmos lugares por onde andava a arquiduquesa, nos arredores da Rua da Praia, cujo nome guarda a memória das águas do Rio Guaíba que um dia as banharam: o promotor de Justiça e poeta Carlos Verzoni Nejar, hoje da Academia Brasileira de Letras; o poeta Mário Quintana; o romancista Josué Guimarães; os professores Guilhermino César, Sergius Gonzaga, Voltaire Schilling, Joaquim José Felizardo. Nós nada sabíamos dela. Mas havia alguém que sabia e tinha sido seu colega de pensão na década de 50. Era um menino que tinha vindo de Antônio Prado (RS) para estudar no prestigioso Colégio Júlio de Castilhos. O menino tornou-se piloto da VARIG, depois formou-se em Medicina e hoje é também um escritor dos bons. Seu nome: Franklin Cunha. Na pensão de Abel e Júlia Rubinatto, no número 980 da Avenida Independência, onde hoje está um Banco, teve como vizinhos de quarto a arquiduquesa da Áustria e seu último marido, Don Luis Fernando Perez Sucre. Ela o desposara em 1942, no Uruguai, para onde, já viúva, emigrara com os cinco filhos de sobrenomes Orlandis (do pai) y Habsburgo (da mãe). Há aqueles que pensam que a riqueza, a fortuna e o dinheiro não têm fim. O viés etimológico de Fortuna, que era uma das deusas da antiga Roma, presidindo ao bem e ao mal, já nos deixa desconfiados de que as fronteiras da sorte e do azar são móveis. Fortuna tem o mesmo étimo de forte, conforto, desconforto, fortuito e infortúnio, entre outras palavras. PS. Mais no livro de Franklin Cunha, Uma arquiduquesa imperial entre nós. Porto Alegre, Editora Pradense, 2013. º da Academia Brasileira de Filologia, professor e escritor, colunista da Rádio Bandnews (RJ) e diretor-adjunto da Editora da Unisul (SC).

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

MUDANÇAS NA LÍNGUA PORTUGUESA

Na semana passada, realizou-se em Brasília o Simpósio Internacional Linguístico-ortográfico da língua Portuguesa, para o qual foram enviados representantes das oito nações lusófonas, isto é, que têm como oficial o idioma português. São elas: Portugal, Brasil, Angola, Moçambique, Cabo Verde, São Tomé & Príncipe, Guiné-Bissau e Timor Leste. A língua portuguesa, a 5ª mais falada hoje no mundo, é o idioma oficial de países onde vivem 260 milhões de pessoas. Mas que escrevem de dois modos diferentes, um caso único no mundo. Foram tomadas iniciativas para unificar em 1911, 1943, 1945, 1971 e 1990. Ora, o Acordo Ortográfico de 1990 já tem 24 anos e ainda não foi implementado em todas essas nações. No Brasil, este novo modo de escrever está sendo aplicado desde 2009, mas com autorização para conviver com a antiga forma até 2016, a pedido de Portugal, depois de negociações entre o Senado brasileiro e a presidente Dilma Rousseff. Não faz tanto tempo assim que pharmacia, theatro, chlorophylla, exgottar, phosphoro, sciencia, football, maillot, soutien, rheumatismo, aucthor e damno, depois simplificados para farmácia, teatro, clorofila, esgotar, fósforo, ciência, futebol, maiô, sutiã, reumatismo, autor e dano. A língua portuguesa estava em uso há quase meio milênio quando Duarte Nunes de Leão, em 1576, propôs a primeira tentativa de conciliar a etimologia e a fonética para fixar a “Orthographia da Lingoa Portugueza”. Do século XIII ao século XVI predominara uma ortografia fonética, isto é, o objetivo era escrever o mais próximo do modo como se fala. Do século XVI ao século XX, houve uma conciliação entre a fonética e a etimologia, o que também se tenta fazer agora, mas com várias mudanças, principalmente no hífen. O título de minha conferência foi “A Extinção do Hífen”. Na semana que vem, contarei mais. (xx) º da Academia Brasileira de Filologia, professor e escritor, colunista da Rádio Bandnews (RJ) e diretor-adjunto da Editora da Unisul (SC).

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

A INDEPENDÊNCIA E O IDIOMA

http://oglobo.globo.com/opiniao/a-independencia-o-idioma-13897201 Se não abrir o site do Globo, eis o artigo aqui: A INDEPENDÊNCIA E O IDIOMA Deonísio da Silva * Foi de Pombal o discernimento de dotar o Brasil de uma língua comum, uma vez que os padres ensinavam outras, de acordo com a nacionalidade das ordens religiosas Quando, no dia 7 de setembro de 1822, por volta das quatro horas da tarde, dom Pedro I proclamou em São Paulo, às margens do Riacho Ipiranga, a independência do Brasil, a jovem nação já tinha uma língua, a portuguesa. Esta questão não é irrelevante. Uma nação se faz mais por sua língua do que por seu território. Estão aí de exemplo os judeus, sem pátria durante milênios, mas não sem língua. O hebraico, em que foi escrito o Pentateuco (a Torá), foi a língua que conservou unido o povo do livro. Dom Pedro, nascido em 1798, não conheceu o Marquês de Pombal, falecido em 1782, aos 83 anos. Mas deve muito a ele. Foi ele quem modernizou Portugal e seus domínios de além-mar no século anterior ao da Independência. E foi de Pombal o discernimento de dotar o Brasil de uma língua comum, a portuguesa, uma vez que os padres letrados usavam e ensinavam outras, de acordo com a nacionalidade das respectivas ordens religiosas. Dom João VI, pai de Dom Pedro I, tinha 15 anos quando Pombal morreu. Deve ter aprendido alguma coisa com o poderoso ministro do vovô, dom José I, pois foi o único que enganou Napoleão, quando, príncipe regente, fugiu com toda a Família Real para o Brasil, em 1807. Dali a 15 anos, Dom Pedro I, ao proclamar a Independência, seguiu o sábio conselho do pai, dado na manhã de 26 de abril de 1821, abraçado ao filho, já embarcado para voltar a contragosto para Portugal. Muito inteligente, o pai antevia a independência e disse ao filho: “Pedro, põe a coroa na tua cabeça antes que algum aventureiro lance mão dela.” O português, falado por 260 milhões, dos quais 200 milhões são brasileiros, é hoje a quinta língua mais falada no mundo, atrás do hindu, do mandarim, do inglês e do espanhol. Já temos a língua falada, falta conquistarmos a língua escrita para consolidarmos nossa independência. E esta questão é tão ou mais importante do que outras, como a econômica, a política e a social. Deonísio da Silva é escritor e professor A Independência e o idioma Foi de Pombal o discernimento de dotar o Brasil de uma língua comum, uma vez que os padres ensinavam outras, de acordo com a nacionalidade das ordens religiosas OGLOBO.GLOBO.COM

sábado, 23 de agosto de 2014

FAZ 60 ANOS QUE GETÚLIO VARGAS SE MATOU

Amanhã faz 60 anos que Getúlio Vargas se matou! Antecipo a crônica que sai no Primeira Página, como de hábito.
O jornal “Última Hora”, que hoje não existe mais, estampou em primeira página há exatos sessenta anos, no dia 24 de agosto de 2014: “‘Última Hora’ havia adiantado ontem o trágico propósito”. E mais abaixo: “Matou-se Vargas”. De colorido, em azul claro, só o nome do jornal. O preto no branco acentuava o luto nas chamadas seguintes, todas ainda na primeira página: “O presidente cumpriu a palavra: ‘só morto sairei do Catete”. As informações continuavam, todas ainda na primeira página: “A mensagem que Vargas deixou pouco antes de desfechar contra o peito o tiro fatal: À sanha de meus inimigos deixo o legado de minha morte. Levo o pezar (sic) de não ter podido fazer pelos humildes tudo aquilo que eu desejava”. Todo esse bombardeio foi feito em letras garrafais. E à esquerda, do meio da página para baixo, vinha o seguinte: “Às 8,30 hs da manhã de hoje o maior líder popular que o povo brasileiro já conheceu encerrou de modo dramático a sua grande vida. Um tiro no coração. O general Caiado ainda encontrou com vida o presidente. Desolação no Catete”. Ao longo daquele dia, outros jornais, em sucessivas edições extras, ilustravam um dos maiores acontecimentos do século. Vinham fotos do presidente com um pano branco comprimindo o queixo, com um nó bem em cima da cabeça. Para não aparecer de boca aberta? Sem a camisa do pijama, ainda hoje exposta no Catete, ou aberta para mostrar o lugar exato do tiro, as fotos diziam mais do que as palavras. Getúlio Vargas tinha sido deposto em 29 de outubro de 1945. Voltara ao poder em 1951. Nem antes, nem depois, jamais um presidente se suicidou. Não foram encontradas provas de corrupção. De outros presidentes depois dele, foram encontradas montanhas de provas de corrupção, mas nenhum deles se suicidou. Ao mergulhar no mistério indevassável da pós-vida, por vontade própria, a vida misteriosa do suicida deixa-nos um mistério a mais. º da Academia Brasileira de Filologia, professor e escritor, colunista da Rádio Bandnews (RJ) e diretor-adjunto da Editora da Unisul (SC).

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

POR QUE O DIA DA FOTOGRAFIA É UM, E O DO FOTÓGRAFO É OUTRO?

O áudio do programa PITADAS DO DEONÍSIO, que faço com Pollyanna Brêtas na Bandews Fluminense, FM 94,90, às 2as. feiras, às 20h30, será postado oportunamente aqui e no Youtube. Por enquanto, segue o resumo do que foi levado ao ar hoje, 18 de agosto. Há controvérsias sobre o dia Dia Mundial da Fotografia. De modo geral é comemorado no dia 19 de agosto porque nesse dia, em 1839, o governo francês anunciou o invento. Já o dia do fotografo é comemorado no dia 8 de janeiro de 1840 porque nesse dia um abade francês chegou ao Rio e deu um aparelho de fazer fotografia ao primeiro fotógrafo do Brasil: Dom Pedro II. A palavra "photographie", de onde veio fotografia, foi inventada pelo francês Hércules Florence (1804-1879), que trabalhava em Campinas, no interior de São Paulo, e em 1832 (no dia 15 de agosto) inventou esta nova tecnologia. Isso entretanto só foi reconhecido pelas pesquisas do professor da USP, Boris Kossoy, publicadas em 1976. Estão presentes na palavra dois étimos do Grego: "photos", luz; e "graphé", escrita, do verbo "graphein", escrever, com o sentido de inscrever, fixar. Outro francês, chamado Joseph Nicéphore Niépce (1765-1833), inventou processo semelhante, mas chamou heliografia, também uma palavra com dois étimos gregos: ("Hélios", Sol) e "graphé" (escrita)

sábado, 16 de agosto de 2014

EDUARDO CAMPOS: O DESTINO ESCOLHE A TUA HORA

Às vezes, gosto de viajar sozinho de carro. Já tomei graves decisões ao volante, ao som de boa música. Assim, quarta-feira passada, 13 de agosto, voltava de São Carlos, onde jantara com queridos amigos, fizera uma escala em São Paulo para uns afagos na minha filha e genro, beber um copo de vinho e celebrar a vida, e estava na Via Dutra, a caminho do Rio.V ia é redução de rodovia, palavra inventada por Washington Luís para designar estrada para veículos motorizados. No Brasil, morrem cerca de 50.000 pessoas por ano no trânsito. Por isso ia cuidadoso pela estrada afora. Mas, utilizando o “bluetooth” (dente azul), atendia ao telefone, sem tirar as mãos do volante. "Bluetooth” tem este nome porque o engenheiro dinamarquês que inventou o recurso de pôr em comunicação aparelhos de transmissão de voz próximos um do outro em até 150 metros, quis homenagear um rei dinamarquês chamado Harald, que tinha os dentes azuis e morreu lutando para unificar territórios de tribos próximas e formar seu país! A viagem seguia tranquila, a estrada estava livre. Almocei num Frango Assado (deviam mudar para Frango Assalto, as refeições são caras nesses estabelecimentos), e, depois de abastecer, o posto me brindou com um enorme pão de semolina. Descia a Serra das Araras, já perto do Rio, quando meu querido amigo e companheiro de trabalho na Bandnewws, o Ricardo Boechat, irrompeu num plantão no rádio contando que um avião caíra em Santos matando os sete ocupantes, entre os quais Eduardo Campos, candidato a presidente da República. Às 20h30, como de costume, entrei ao vivo com a querida Pollyanna Bretas para o “Pitadas do Deonísio” na mesma Bandnews. Falamos de esquerdo, canhoto e sinistro. A pauta tinha sido feita na manhã daquela quarta-feira. Acontecem muitas coisas em apenas 24 horas. E uma delas pode ser a sua hora. E a de Eduardo Campos chegara pela manhã. (xx) º da Academia Brasileira de Filologia, professor e escritor, colunista da Rádio Bandnews (RJ) e diretor-adjunto da Editora da Unisul (SC).

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

ADONIRAM BARBOSA

Hhttps://www.youtube.com/watch?v=5QtHqKbQ2RQ&list=UU_EWQWi4gHr3xVhnVKyIQ6w Dia 4 de agosto foi dia do PADRE, palavra que veio do Latim PATER, cujo étimo está em PATERNIDADE, PATERNAL, PATERNO, PADRASTO, PÁTRIA, PATRONO, PÁTRIA, PADRINHO, COMPADRE, PADROEIRO etc. Mas é sinônimo de SACERDOTE e esta palavra tem outra etimologia. O Latim SACERDOS, designando quem cuida do sagrado, é ofício criado ainda no Antigo Testamento, por Melquisedec. Por isso, ainda hoje nas ordenações a fórmula é: tu es sacerdos in aeternum secundum ordinem Melquisedec (Tu és sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedec). O padroeiro dos padres seculares é São João Maria Vianney, que tem uma biografia muito interessante. Ele foi um ANACORETA, não no sentido absoluto, mas passou quase toda a vida numa cidade de pouco mais de 200 habitantes. Anacoreta veio do Grego ANAKHORETES, pessoa que vive retirada, quase sozinha, distante de todos. O Brasil tem pouco mais de 18.000 padres. Teria 26 mil, se 8.000 não tivessem saído para casar. Na Itália há um padre para cada mil habitantes. Na Argentina, um para cada 6 mil. No Brasil, um para cada 11.000 pessoas, mais ou menos. (Postado pela atriz e compositora Isis Bez Birolo, minha prima mui querida). Pitadas do DEONÍSIO DA SILVA - na Bandnews (04-08-2014) Hoje é dia do PADRE, palavra que veio do Latim PATER, cujo étimo está em PATERNIDADE, PATERNAL, PATERNO, PADRASTO, PÁTRIA, PATRONO, PÁTRIA, PADRINHO, COMPADR... YOUTUBE.COM

domingo, 3 de agosto de 2014

SUA EXCELÊNCIA O CELULAR

http://www.jornalpp.com.br/colunista/item/66742-o-sucessor-do-radio-da-tv-do-computador O rádio não aboliu a leitura nem o hábito da boa prosa entre familiares e amigos, que se visitavam muito. Mas a televisão, sim. Pouco mais do que uma máquina de escrever no começo, o computador, depois da internet, fez parecer mais interessante quem estava mais longe. E o celular acabou de vez com o convívio. As visitas eram recebidas na sala, onde, antes de virem poltronas e sofás, havia uma mesa com bancos e poucas cadeiras, em geral de palha, com um furo no meio. Elas ensejaram a historinha contada por nosso avô, libidinoso e irreverente. Uma viúva se acomodara numa delas, e um gato passou por baixo, de rabo erguido, roçando naquele furo. E ela exclamou no meio da conversa: “Ai que saudade do falecido!”. Talvez este avô tenha feito de mim o escritor que sou. E talvez tenha me tornado também professor por outro motivo: ensinar aos interessados como apreciar uma boa história e para isso dominar a ferramenta de trabalho, a nossa saborosa língua portuguesa, repleta de palavras misteriosas, atraentes, e de frases tão significativas quanto nosso cancioneiro. Nos quartos, só os habitantes da casa entravam.E a parteira no quarto da mãe, onde dormia também o pai, é claro, do contrário não nasceriam bebês. Mas o quarto era da mãe. Nos quartos dos filhos, nas paredes ou em portas dos armários havia recortes de revistas com imagens dos artistas de quem os adolescentes eram fãs. Na cozinha, fogão a lenha, salames dependurados num arame, queijos sobre uma tábua. Num armário, chás, remédios simples. E latas com mantimentos. Eram latas semelhantes a bonecas russas. Vinham sete latas, uma dentro da outra, parecia que a pessoa tinha comprado apenas a maior. Conviviam com os locais as vacas e seus bezerros, o touro, os cavalos, os porcos, o galináceo. E árvores davam sombras e frutos. Este Brasil quase desapareceu. O povo produzia quase tudo o que precisava e ia muito pouco sofrer nos hospitais. (xx) º da Academia Brasileira de Filologia, professor e escritor, autor de romances e contos.

domingo, 20 de julho de 2014

FILME INÉDITO DE WOODY ALLEN, DE GRAÇA, NA REDE

Filme inédito de Woody Allen, de 26 minutos, inédito (uma sátira deliciosa), feito para uma TV que nunca o transmitiu, está disponível de graça na rede, narrado em Inglês, com legendas em Italiano. http://www.youtube.com/watch?v=1fnm7LVB3mY

sábado, 19 de julho de 2014

O QUE CONTAM AS MOEDAS: DO TOSTÃO AO REAL

Para muitos, o real não tem plural. Dizem “dois real, cinco real, dez real” etc. Mas o plural do real antigo, que existiu de Dom Manuel a Getúlio Vargas, que o substituiu pelo cruzeiro, era pronunciado direitinho: réis. Em 1994, depois de mudar de nome seis vezes, o cruzeiro voltou a ser real, no governo de Fernando Henrique Cardoso, mas o plural “réis” desapareceu A moeda mais popular, porém, foi o tostão, presente em numerosas expressões para designar pouco dinheiro, ao lado do vintém, e no lema da campanha do presidente Jânio Quadros, “o homem do tostão contra o milhão”. Tostão deriva da palavra italiana “testone”, cabeça grande. O primeiro “testone” era de prata e trazia a efígie do príncipe Galeazzo Maria Sforza, Duque de Milão. Sforza era um mecenas, mas também um homem devasso e cruel. Trazia moças para desvirginá-las em seu palácio, mandou matar de fome um padre que previu para ele um reinado curto, e ameaçou matar um caçador se não engolisse inteiras, com couro, patas e tudo, as lebres que havia caçado. Por que um sujeito violento, desumano e tarado tinha interesse em financiar o trabalho de um artista e cientista como Leonardo Da Vinci, então? A família Sforza enriqueceu com o comércio, tornou-se burguesa e viu no mecenato o caminho mais curto para alcançar o status de nobre. Alguns restos de contas a pagar, porém, poderiam resultar em vinganças inauditas. E o primeiro poderoso a aparecer no “testone” morreu assassinado aos 32 anos. Quem o matou não foi Visconti, cuja irmã ele desvirginara; nem o republicano Olgiati, cujo ódio era ideológico; foi Lampugnani, que tinha disputas de terra com a vítima. Ele ajoelhou-se diante do príncipe e, depois de algumas palavras, levantou-se e deu-lhe punhaladas mortais na virilha e nas costas. As moedas falam. Mas para isso é preciso pesquisar sua história. (xx) º escritor e professor, da Academia Brasileira de Filologia, diretor da Editora da Unisul.

terça-feira, 15 de julho de 2014

POR QUE NÃO TE CALAS, FELIPÃO?

Publicado no Diário Catarinense,12 de julho de 2014
Prest' atenção, Felipão! Dinheiro e anúncios não melhoram a educação de ninguém, se a pessoa não estuda! Ao menos, então, dê-nos o conforto de seu silêncio, se você não tem explicação para o desastre. Pois, exceto a CBF, todos sabemos que de futebol você entende cada vez menos. Com a demissão anunciada pelo catarinense Delfim Peixoto, novo vice-presidente da CBF, o treinador, que acumula um fracasso atrás do outro no último lustro, culminando com a tragédia da seleção na Copa de 2014, ignorou que Santa Catarina tem cinco taças nacionais e disse: “Santa Catarina nunca ganhou nada”. Com a exceção de que ganhou, sim, alguma coisa, mas porque ele a obrou! Cuspindo no prato que comeu, em vez de agradecer aos catarinenses e com eles celebrar a vitória memorável de 1991, quando o Criciúma foi campeão nacional e ele era o técnico, depois de receber um clube organizado, que lhe pagou regiamente pelos serviços prestado, e de herdar um time bem montado, ele agora, confiando na falta de memória de todos, diz que fez tudo sozinho. Quando ele vence com um time de Santa Catarina, é porque fez tudo sozinho. Quando fracassa com a seleção, como agora, é porque dá apagão em todos, menos nele! Além do cacófato - aqui no Rio se diz que "falou "m**da" - e da arrogância habituais, ao brigar com um cartola, não precisava atacar o Estado e ainda revelar sua ignorância das coisas nacionais. Santa Catarina tem três clubes na Série A, dois na Série B, dois na Série D e cinco na Copa do Brasil. Tudo obra de Felipão, certamente, que no princípio fez um dos estados mais bonitos do Brasil, com bons indicadores na economia, na cultura, na educação etc. E vendo que tudo isso era bom, depois de ter criado também o céu e a terra, enterrou a seleção brasileira a 7 palmos de fundura e descansou no 7º dia. Mas nós não descansamos dele. A cada dia, diz novas bobagens. (xx) º Escritor e professor universitário catarinense, Prêmio Internacional casa de Las Américas, autor de 34 livros, alguns publicados também no exterior.

sábado, 12 de julho de 2014

MEU TIO ERA FILHO ÚNICO

MEU TIO ERA FILHO ÚNICO E NENHUM DE NÓS MORREU Deonísio da Silva º É de madrugada, mas já levantei. Ele está na sala e fuma um palheiro. Abriu a janela para a fumaça ir embora, como ele fez há mais de vinte anos. Se pudesse, estaria lá fora, como sempre fez, olhando a criação que acordava com ele: o gado, os porcos, as galinhas. E os pássaros, sempre alegres ao amanhecer e sem preocupações, ao contrário dele, com muitos filhos para criar. ******* ******* ******* A mãe e ele sempre foram impelidos pelas recomendações do padre a ter os filhos que Deus mandava. Assim, viveram grandes apreensões, e as alegrias se tornaram ainda mais bissextas do que os anos. Ele me olha enquanto leio o jornal. Foi ele o primeiro a plantar em mim o gosto de começar e terminar o dia lendo: a Bíblia, o almanaque da farmácia, o anuário católico, uma bula para melhor entender um remédio e, um domingo por mês, o jornal mensal que o padre do lugar distribuía na sacristia aos interessados. Foi nesse jornal que um dia ele leu um anúncio de terras e decidiu mudar-se de Santa Catarina para o Paraná, uma ideia entretanto já lançada pelos irmãos que tinham vindo antes, sem saberem de anúncio nenhum. ***** ***** ***** “O meu filho não perdeu o costume”, ele disse calmo e sorridente, como quase sempre. Talvez por serem tantos filhos, comigo só falava na terceira pessoa. Numa das alucinações da adolescência, cheguei a pensar que era filho do meu tio. Depois ouvi uma frase muito engraçada: meu tio era filho único. “Você sempre leu muito, parece que foi o que te salvou do meu destino”, ele disse, “este passo adiante, que eu não pude dar”. “Mas deu outros”, eu disse. “Quais? Vacilar tanto antes das decisões a tomar? Não fazer nada quando achava que não havia o que fazer? O meu filho é diferente. Quando não houve o que fazer, o meu filho inventou”. ***** ***** ***** Lembramos suas frases e agora rimos juntos: “se dá de fazer, se faz; se não dá, não se faz”. A memória brota sempre! É por isso que ele e eu temos mais este ponto em comum: nenhum de nós morreu. (xx). º escritor e professor, da Academia Brasileira de Filologia, diretor-adjunto da Editora da Unisul.

terça-feira, 8 de julho de 2014

BRASIL É HUMILHADO PELA ALEMANHA NA COPA DO MUNDO: 7 X 1

Por tristes que estejamos, seria um retrocesso o campeão ser o nosso time! A Alemanha fez grande partida, deu uma aula de futebol. Aprendamos humildemente com os europeus o que um dia lhes ensinamos e esquecemos! Felipão fracassou em todos os últimos times que dirigiu. E agora afundou o Brasil! *** *** *** Na vida se perde ou se ganha. A gente aprende com as derrotas. Às vezes a vitória só nos engana! *** *** *** Texto duro, mas verdadeiro, do jornal alemão Die Welt (O Mundo; na verdade, A Mundo, porque mundo é feminino em Alemão). Brasilien geht gegen Deutschland 1:7 unter. (Brasil perde para a Alemanha por 7 x 1). Das Ausmaß des Debakels übersteigt jede Vorstellungskraft (Desastre desta magnitude é incompreensível), die Spieler wird die Schande ein Leben lang begleiten (os jogadores vão levar essa vergonha por toda a vida). Schuld ist vor allem Trainer Scolari (a culpa é principalmente do treinador Scolari).

POR QUE A ALEMANHA TEM BRANCO NO UNIFORME, SE ESTA COR NÃO ESTÁ NA BANDEIRA?

Por que o branco no uniforme da Alemanha? Saudades de um cáiser? A bandeira do país ao tempo do Império Alemão, em 1908, quando a seleção foi constituída, tinha branco, vermelho e preto. Em 1919, o amarelo substituiu o branco. Os nazistas trouxeram de volta o branco para a bandeira. Agora a bandeira tem amarelo, preto e vermelho, mas não branco! Mas a seleção alemã mantém o branco. O azul da seleção da Itália, cor da casa de Saboia, não está na bandeira, mas está no uniforme da seleção. A bandeira da Holanda tem vermelho, azul e branco. Mas a seleção usa a cor laranja, homenagem ao príncipe de Orange, Guilherme I.

segunda-feira, 7 de julho de 2014

AS SOBREVIVÊNCIAS DE CARPINEJAR

http://www.jornalpp.com.br/colunista/item/64605-as-sobrevivencias-de-carpinejar
Muita gente chorando no Brasil atual? Ou só na seleção brasileira? Podemos pensar em exportar barris de lágrimas para melhorar nossas divisas? Estou lendo o novo livro de Fabrício Carpinejar, “Me ajude a chorar” (Editora Bertrand, 155 páginas). Ele abdicou do prenome do autor e assina apenas Carpinejar. O livro do filho foi um presente do pai, o poeta Carlos Nejar, em recente encontro aqui no Rio. Que pai pode dar um livro que o filho escreveu? Certo dia ganhei de Clara Ramos um exemplar de edição especial de “Vidas Secas”, um dos livros referenciais do pai, Graciliano Ramos. E do outro filho, Ricardo Ramos, ganhei um de “São Bernardo”, depois de dizer-lhe que este era, de todos os livros do pai deles, o meu preferido. Diz Carpinejar na quarta capa: “Sobrevivi à traição de amigos. Sobrevivi a quatro separações. Sobrevivi ao distanciamento de meus dois irmãos amados”. Sei que o trecho selecionado foi bela escolha. Mas eu teria tomado outro, não de “A maior tragédia de nossas vidas”, texto publicado logo após aquela mortandade terrível de 242 pessoas numa boate de Santa Maria (RS), na madrugada de 27 de janeiro de 2013, igualmente crônica antológica, que li na primeira página do jornal “O Globo”, que a transcreveu do perfil do poeta no Facebook. Comporia a quarta capa com trechos comoventes e bem escritos de “Ninar”, em que o cronista revela ter sua mãe sussurrado que ele era seu filho favorito e que ele não pretendia contar a seus irmãos porque esses também não lhe contaram que eram os favoritos dela. Nejar, mais comovido do que de costume, me dá dois presentes: este, do filho, e “A vida secreta dos gabirus”, dele, com “orelhas” de um outro escritor que muito admiro, Vicente Cecim, de Belém do Pará. Que mundo bonito o de autores, livros e leitores! E que voltas a vida dá! (xx) º Da Academia Brasileira de Filologia, escritor e professor, autor de 34 livros. Está publicado em Portugal, Cuba, Itália, Alemanha, Suécia etc. Os mais recentes são “Lotte & Zweig”

quinta-feira, 3 de julho de 2014

O IDIOMA DO FUTEBOL, O Globo (3/2014, p. 21)

Cronistas esportivos vêm dando impressionante contribuição à língua portuguesa Na Copa de 62, enfrentando a Inglaterra, Garrincha disse a Didi: “O São Cristóvão está de uniforme novo.” Confundindo uma festa religiosa com a garantia constitucional do habeas corpus, o goleiro Manga declarou aos jornalistas: “O homem disse que, se me suspenderem, ele entra com um Corpus Christi.” Ao lado de tais frases lendárias, temos essas de Armando Nogueira: “Nem tudo o que cai na rede é peixe. Às vezes é frango.” Cronistas esportivos, notadamente os de futebol, vêm dando impressionante contribuição à língua portuguesa, e não apenas com o anedotário do futebol, esporte que para os brasileiros não é o mesmo que é para o resto do mundo. Entre nós, o futebol ganha transcendências impressionantes e se espalha por outros campos, em velocidade e proporções extraordinárias. A vitória tem de ser total, absoluta. Ser vice ou ficar em último dá no mesmo, como lembrou José Maria Marin, presidente da CBF, em entrevista ao GLOBO. Tivemos duas grandes derrotas para o Uruguai. Numa delas perdemos parte do território nacional, na Guerra Cisplatina, em 1828, mas nossa força militar foi perdoada rapidamente. A seleção brasileira perdeu a Copa de 1950. Foi condenada para sempre. Muitas frases do futebol são lendárias, mas outras podem ser comprovadas por meio de registros ouvidos, lidos e vistos, e muitas delas migraram do futebol para a vida cotidiana, de que são exemplos: fazer o meio de campo (encarregar-se de organizar algo); bater na trave (quase acertar); dar bola (dar atenção); entrar de sola (ser bruto, indelicado); ser freguês (ter insucesso constante; claro: é o freguês que sempre paga!); pendurar as chuteiras (aposentar-se); pisar na bola (atrapalhar-se); tirar o time de campo (desistir). O futebol é uma invenção inglesa e por isso cedemos a neologismos do inglês, depois adaptados para o português, como football, match, shoot e goalkeeper, que viraram futebol, partida, chute e goleiro. E algumas foram inventadas, como arquibaldo e geraldino. Outras expressões têm berço mais curioso. “Barba, cabelo e bigode” não veio das barbearias. Veio de quando no mesmo ano eram disputadas as séries infantojuvenil (os jogadores tinham cabelo, mas não tinham barba ainda), a de aspirantes (os jogadores já tinham barba, mas não tinham bigode) e a profissional (os jogadores tinham bigode, quando este era moda para os adultos). “Bola pro mato que o jogo é de campeonato” não é sempre literal. Vem do tempo em que havia uma única bola em jogo. Se ela demorasse a voltar, o time pressionado tinha um certo alívio. Mas o mato podia ser um rio, uma lagoa etc. Abreviações espontâneas foram surgindo. Em Maraca, em vez de Maracanã, dá-se o mesmo processo de profe para professor ou professora. Também o técnico é chamado de professor, ainda que jamais de profe. Palavras e expressões, mesmo quando lendárias, influenciam muito a nossa vida. Deonísio da Silva é escritor e professor Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/opiniao/o-idioma-do-futebol-13113217#ixzz36Ph8wTpu © 1996 - 2014. Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.

quarta-feira, 2 de julho de 2014

QUE SERA, SERA, COM DORIS DAY

http://www.youtube.com/watch?v=xZbKHDPPrrc&list=RDxZbKHDPPrrc When I was just a little girl I asked my mother, what will I be Will I be pretty, will I be rich Here's what she said to me. Que Sera, Sera, Whatever will be, will be The future's not ours, to see Que Sera, Sera What will be, will be. When I was young, I fell in love I asked my sweetheart what lies ahead Will we have rainbows, day after day Here's what my sweetheart said. Que Sera, Sera, Whatever will be, will be The future's not ours, to see Que Sera, Sera What will be, will be. Now I have children of my own They ask their mother, what will I be Will I be handsome, will I be rich I tell them tenderly. Que Sera, Sera, Whatever will be, will be The future's not ours, to see Que Sera, Sera What will be, will be. Link: http://www.vagalume.com.br/corinne-bailey-rae/que-sera-sera.html#ixzz36InIUrL0

terça-feira, 1 de julho de 2014

1º OLHO DE GATO ; 2º O AVIÃO CONCORDE

Gosto de dirigir sozinho: penso, canto, falo alto, experimento a sonoridade de versos e frases. Mas nunca cheguei a inventar nada. Certa noite, um solteirão inglês que trabalhava na conservação das estradas, em noite escura, viu que os faróis de seu carro se refletiam nos olhos de um gato. Inventou o olho de gato, cujo design foi eleito o melhor do século XX em 2011. Em segundo lugar, ficou o avião Concorde.

domingo, 29 de junho de 2014

OS BRUTOS TAMBÉM AMAM: SUÁREZ E CHIELINI

O uruguaio Luís Suárez foi banido desta Copa. Foi dar um beijinho no ombro do italiano Giorgio Chiellini e deu uma dentada. Exageraram na punição! Uma dentadinha não dói. E ele poderia jogar de focinheira! O futebol sempre foi um jogo bruto e não começou com bola, não. Tampouco tinha regras assim claras. Essas só foram fixadas no final do século XIX. Antes de Cristo jogavam futebol chutando a cabeça dos inimigos, depois de decapitados. Aliás, muitas cabeças. Foi uma evolução tremenda chutarem apenas uma cabeça. Depois substituíram a cabeça por uma bola de couro. Nosso futebol, porém, é diferente. Nosso técnico é Felipe Scolari. Felipe veio do Grego “Phíllipos”, com os dois étimos: gosta, “phil”, de “(h)ippos”, cavalos, que entretanto não devem se comportar como animais e, sim, como pessoas. Para isso, ele os ensina. Pois seu sobrenome não é “Scolari”, palavra do Italiano, plural de “scolaro”, aluno. Mas ele é professor. “Scolari”, escolares, alunos, são os jogadores. Entre eles não há nenhum cabeça de bagre. A cabeça do bagre é muito chata e, por preconceito, o mau jogador foi chamado de cabeça de bagre, de quem não entende nada. Quem bate bem as faltas, em geral marcadas sobre algum jogador que driblou o adversário que foi derrubado, é um craque. “Drible” em Inglês é enganar. E craque veio do turfe “crack-horse”, o melhor cavalo, aquele que é elogiado por vencer. “Crack” é quebrar, mas o cavalo vencedor só quebra quem não apostou nele. Neymar ginga na frente dos adversários: Gingar veio do Alemão “ginge”, balançar. Gol bonito é quando a bola entra onde a coruja dorme: no ângulo. Mas há também o lado amoroso e sensual. Quem faz gol, balança o véu da noiva. Compreendeu? No futebol, dizemos muitas coisas sem dizê-las explicitamente. Driblamos na fala também. • escritor catarinense, professor, diretor-adjunto da Editora da Unisul.

sexta-feira, 27 de junho de 2014

PERPLEXO E ASSUSTADO

REFLEXÕES DE UM HOMEM PERPLEXO E ASSUSTADO
Há dias em que me sinto um renascentista, no limiar de um mundo novo, cujos poderes desconhecidos me assombram todos os dias. O Google me informa que me aproximo de um milhão de visualizações. A coluna de etimologia é publicada semanalmente na CARAS, com uma tiragem anual de 4.200.000 exemplares. E eu escrevo ali ininterruptamente há 20 anos! Na BANDNEWS, 3 vezes por semana. E cronista semanal em jornais desde quando era aluno de Letras! Aonde vamos parar? Mas iremos parar? Vejam o resumo que aparece. "Perfil de Deonísio da Silva. 844.593 visualizações. Trabalha em Universidade do Sul de Santa Catarina (desde 2013) Ex-professor da Estácio Universidade (2003-2013) e autor contratado (desde 2013). Professor aposentado da UFSCar (1981-2003) Professor da Universidade de Ijuí (1975-1981) Doutor em Letras pela USP Mestre em Letras pela UFRGS Mora em no Rio de Janeiro".