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quinta-feira, 13 de abril de 2017

O BEIJO DE JUDAS: ELE TRAIU OU FOI TRAÍDO?

Para Carlos Vereza, que estreia "Iscariotes" em Petrópolis (RJ), dia 21.04.2017, com uma outra versão da " traição" de Judas, retomando indícios do que escrevera o gaúcho Danilo Nunes na década de 1970 num livro pouco lido: Judas não traiu! Foi traído. Assim, o um beijo de traição famoso, aquele que Judas deu no Horto das Oliveiras, não seria de traição. Horto e não jardim, como em algumas traduções, pois não era de flores de ornamentação, era de cultivo de ingrediente à vida na Palestina daqueles anos: o óleo de oliva estava presente nas casas, não apenas para a comida, mas também para iluminar as residências. Beijo veio do latim basium. Outras líguas neolatinas, como o italiano e o espanhol, grafam baccio e beso, respetivamente. E uma curiosidade japonesa marca este vocábulo, uma vez que os nipônicos referem-se ao beijo como kissu, do inglês kiss. É controversa a passagem dos Evangelhos sobre o beijo de Judas como sinal de identificação para trair Jesus Cristo por 30 dinheiros: "aquele a quem eu der um beijo na face, é ele; prendei-o". Outros foram mais prosaicos ao falar de beijos, como Ramón Gómez de la Serna: "ás vezes o beijo não passa de um chiclete partilhado". Cruzes, que nojo! Já seu quase sinônimo, ósculo, veio do latim osculum, boquinha. Designa o beijo pela forma que tomam os lábios ao serem contraídos, tornando a boca mais arredondada. O beijo pode não ser casto, aliás, raramente o é, mas o ósculo é pudico porque exclui a língua e não faz sucção, livrando-nos por conseguinte de certos desconfortos do carinho público, quando casais indiscretos nos obrigam a ouvir ruídos de desentupidores de pia, acompanhados de trilhas sonoras que semelham o barulho de locomotivas prestes a partir. Mas como a temperança parece ser a grande medida das coisas amorosas, é bonito o beijo dos amados em praça pública... (Mais em: DE ONDE VÊM AS PALAVRAS, 17a edição)