NOME DE POBRE NO BRASIL

domingo, 21 de dezembro de 2014

MISTÉRIOS E SEGREDOS DO CALENDÁRIO

O ano de 2014 envelheceu e vai morrer no dia 31. No dia seguinte, vai nascer um bebezão que já tem nome: 2015. O calendário é irmão da agricultura e da pecuária, surgidas no Neolítico, quer dizer pedra nova (10 mil anos a.C.). Os homens tinham aprendido a fazer ferramentas e passaram a viver em povoações ou aldeias próximas aos rios, de modo a terem água para si mesmos e para os animais que tinham domesticado, como a vaca, a camela e a cabra, que davam leite para eles e para as crianças; e o boi, o camelo e o cavalo, nos quais eles montavam ou aos quais adaptavam carroças e arados, para irem de um lugar a outro, transportarem mercadorias e lavrar a terra para o plantio.
Tal como hoje, eles já precisavam de autoridades para dirimir rivalidades, palavra do mesmo étimo de “rio”. As primeiras autoridades foram os mais velhos. Tais resquícios ainda permanecem em modernos sistemas de poder. Senado tem o mesmo étimo de senex, velho, ancião. E as crianças sabem que podem recorrer aos avós, o STF delas. Os primeiros homens olharam para o Céu para organizar a vida na Terra. A agricultura, a pecuária e o calendário estão ligados ao poder, dado como de origem divina, a teocracia, em que a política é exercida por sacerdotes, intermediários da vontade dos deuses. Dois vestígios deste tempo quase imemorial são o papa e o calendário, chamado gregoriano, porque foi o papa Gregório XIII que, em 24/02/1582, decretou que naquele ano o dia seguinte a 4 de outubro fosse o dia 15. Aqueles dez dias foram para as calendas gregas. Calendário veio de calendae, o primeiro dia de cada mês, palavra do mesmo étimo de calare, convocar. Autoridades religiosas e jurídicas convocavam a todos para nesse dia pagar as contas.
No calendário, o dia e a noite são as medições mais antigas. Em segundo lugar vêm a semana e o mês, medidos pelas quatro fases da Lua. Em último, o ano, que mede o tempo (52 semanas, 12 meses) que a Terra leva para dar uma volta ao redor do Sol. O primeiro dia de nossas vidas é o aniversário. O último é um mistério. (xx) (xx) º da Academia Brasileira de Filologia, escritor, professor federal aposentado, dá videoaulas à distância na Estácio (RJ), é colunista da Caras (SP) e da Bandnews (RJ), e diretor-adjunto da Editora da Unisul (SC).